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Dez museus para visitar em Berlim (7. Neues Museum)

Textos: NUNO GALOPIM

Ao longo dos próximos dias ficam aqui breves sugestões de museus ou espaços com peso histórico entretanto musealizados que merecem a visita em passagem por Berlim.

Neues Museum
Reabriu as portas em 2009. Com uma história que remonta aos anos 40 do século XIX e inauguração em 1856, o Neues Museum foi o segundo museu a ser construído na Ilha dos Museus, em pleno centro de Berlim, e desde cedo foi pensado como um complemento para as colecções do Altes Museum. Encerrado em 1939 e severamente danificado durante a II Guerra Mundial, esteve encerrado durante longas décadas. Situado na zona de Berlim em termpos pertencente à RDA, o edifício foi durante décadas um armazém, a sua reconstrução sendo apenas decidida a poucas semanas da queda do muro.
A reconstrução, que teve à sua frente o trabalho do arquitecto David Chipperfield fez renascer o museu segundo uma lógica de partilha de elementos entre as paredes danificadas pelos bombardeamentos de 1943 e 45 e novos espaços entretanto levantados. A escadaria monumental que une os três andares do museu (e que logo no projecto inicial era uma das suas marcas de identidade) é um belíssimo exemoplo da nova coexistência entre as paredes magoadas pela história e o esforço de reconstrução que assim não apaga as memórias do edifício.
As colecções asseguram uma verdadeira viagem no tempo ao visitante. No piso superior (onde faz sentido iniciar a visita) começamos pela pré-história, o tempo acompanhando-nos à medida que avançamos pelas salas e vemos peças que, muitas delas, são verdadeiras referências habituais em livros sobre a História da Arte. O “famoso” busto de Nefertiti é uma das peças mais célebres da colecção.

Neue Nationalgalerie
É um dos mais interessantes museus berlinenses e integra o chamado Kulturforum, a pouca distância a pé de Potsdamer Platz e imediatamente nas traseiras do Berlinale Palast, a grande sala de cinema que é a sede dos principais acontecimentos durante o festival de cinema que ali decorre todos os anos no mês de Fevereiro.
A Neue Nationalgalerie é essencialmente um museu dedicado à arte do século XX. O edifício foi desenhado por Mies Van der Rohe e revela, sob um pavilhão de aço e vidro que se vê à superfície, um vasto conjunto de salas num piso subterrâneo que, na verdade, tem depois janelas para um jardim exterior nas fachadas opostas à Potsdamerstrasse.
O piso térreo do museu recebe habitualmente exposições temporárias. O piso inferior tem espaços para várias exposições, algumas exibindo, habitualmente sob arrumação temática, as suas colecções. Há ainda uma cafetaria e uma pequena loja. Parte das salas conta com iluminação natural proveniente de grandes janelas com vista para os jardins nas traseiras do edifício.

Potsdamerstrasse, 50
Metro: Potsdamer Platz (U-bahn e S-bahn) e Mendelssohn Batholdy Park (U-2).

Newton-Sammlung
Começou por ser apenas uma casa dedicada à enorme colecção pessoal que o fotógrafo Helmut Newton legou a Berlim. Mas com o tempo, e pelo alargar do âmbito das suas colecções e pela forma como têm sido programadas as várias exposições, transformou-se num museu da fotografia. O Newton-Sammlung mora junto à estação de S-bahn do Zoologischer Gerten. É um edifício imponente, uma das mais célebres séries de Newton dominando a parede frente à escadaria que acolhe quem ali entra. O rés-do-chão apresenta uma colecção de imagens de Newton, a reconstrução de uma sala de trabalho, as suas câmaras e alguns outros objectos pessoais. No piso intermédio estão expostas séries marcantes da sua colecção. No andar superior, as exposições temporárias. Junto à entrada, no piso térreo, a loja do museu apresenta uma boa oferta de livros de arte em geral, com a fotografia naturalmente em destaque.

Jebenstrasse, 2
Metro: Zoologischer garten (várias linhas de S-bahn e U-bhan)

Topographie des Terrors
Fica a meio caminho entre a moderna Potsdamer Platz, símbolo da Berlim pós-muro, e o Checkpoint Charlie, a memória (hoje para turista ver) dos dias em que a cidade viveu dividida. Junto a um pedaço de muro (um dos poucos que ficaram em pé como marca desses tempos) e usando o espaço que outrora fora ocupado pelo quartel da Gestapo e das SS. Com o título Topographie des Terrors (literalmente, topografia do terror), que na verdade é o nome de uma das exposições permanentes, todo aquele espaço recorda factos vividos entre 1933 e 1945, sob o poder nazi.
Destruído nos bombardeamentos de 1945, o quartel da Gestapo e SS foi deixado em ruínas, demolidas logo depois. A construção do muro, ali ao lado, fez daquele espaço um aterro ao serviço de obras no bairro de Kreuzberg. Em finais dos anos 80 escavações revelaram as caves do quartel. Depois da queda do muro, uma exposição ao ar livre foi ali levantada, recordando a história de Berlim sob o poder nazi. Em 2010, e na sequência da abertura do novo centro de exposições e de documentação ali ao lado, uma nova exposição foi instalada junto àquelas paredes (directamente sob uma extensão do muro). Trata-se de um conjunto de textos (em alemão e inglês), recortes de imprensa e fotos, sob o título Berlin 1933–1945. Between Propaganda and Terror.
Era antiga a ideia de construir um edifício que albergasse exposições e um centro de documentação. Assinado pelos arquitectos Ursula Wilms e Heinz W. Hallmann, o edifício de dois andares (um piso térreo e um inferior) acolhe ainda um espaço de conferências. A biblioteca tem cerca de 25 mil volumes.

Topographie des Terrors
Niederkirschner Strasse
Metro: Posdamer Platz (U-bahn e S-bahn)

Musikinstrumenten Museum
Está longe de ser um dos museus mais conhecidos e visitados de Berlim, mas deve ser paragem obrigatório para todos aqueles para quem a música não é apenas uma mão cheia de ficheiros mp3 que se trocam e apagam na semana seguinte… O Musikinstrumenten Museum (ou seja, o Museu dos Instrumentos de Música) mora no complexo de edifícios da Philharmonie, no Kulturforum, muito perto de Potsdamer Platz. Em concreto, fica exactamente entre o edifício que alberga a sala principal da Philharmonie e a Praça Sony. A colecção surgiu em 1888 de uma série de instrumentos reunidos por dois musicólogos da Real Academia de Música de então. As peças mais antigas datam do século XVI e a colecção atravessa o tempo até ao presente. Entre as peças expostas estão, por exemplo, um cravo de Jean Marius que pertenceu ao rei Frederico II e alguns violinos fabricados por Straduvaruius. Com uma arquitectura interior em tudo semelhante à que domina os restantes edifícios da Philharmonie, o museu apresenta mais de 750 peças, grande parte delas tocadas regularmente em visitas guiadas. Além dos instrumentos em exposição, o museu inclui uma biblioteca e um auditório, onde se realizam concertos com alguma regularidade. A grande “vedeta” do museu é um grande orgão Wurlitzer de 1929 que em tempos servia para “sonorizar” ao vivo filmes mudos, integrando inclusivamente sons que permitem verdadeiros exemplos de sonoplastia. Todos os sábados ao fim da tarde é tocado, sempre com uma plateia de espectadores pela frente.

Tiergartenstrasse, 1
Metro: Potsdamer Platz (U-bahn e S-bahn)

Pergamonmuseum
É um dos mais conhecidos museus berlinenses (e um dos moradores da “ilha dos museus”), apresentando uma impressionante colecção de antiguidades, a reabertura do vizinho Neues Museum tendo contudo afastado para o edifício ao lado algum do protagonismo que durante anos este conheceu. Construído entre as décadas de 10 e 30 do século XX, o Pergamonmuseum revela-se em forma de um grande “u”, a dimensão expressiva das salas justificando-se pela grandiosidade das exposições. As peças mais antigas remontam a uma colecção encetada no século XVII, outras tendo depois sido essencialmente encontradas em escavações arqueológicas entre finais do século XIX e inícios do seculo XX. O gigantesco altar de Pérgamo (exemplo da arquitectura grega clássica que data do ano 170 a.C.) ocupa a primeira sala que se visita e dá assim o nome ao museu. Numa sala adjacente pode ver-se a imponente porta do Mercado de Mileto. A Porta de Ishtar (uma das portas da cidade de Babilónia, data do século VI a.C.) e os frisos em tijolos vidrados que compunham a via processional à sua frente são outra das razões para visitar o museu.

Pergamonmuseum
Bodestrasse, 1 – 3

Gemäldegalerie
São vários os museus que encontramos no Kulturforum, espaço perto da hoje muito movimentada Potsdamer Platz, onde mora ainda a Philharmonie e uma grande biblioteca. Um dos espaços do núcleo que ali encontramos é a Gemäldgalerie, um museu essencialmente dedicado à pintura europeia dos séculos XIII a XVIII. A coleção começou a ser montada em inícios do século XIX e foi, desde então, escolhida por especialistas que procuraram representar ali as principais escolas de pintura europeias. Entre a vasta coleção está ali o célebre Provérbios Holandeses, de Bruegel (na imagem), que muitos poderão conhecer da capa do primeiro álbum dos Fleet Foxes.

Mattaikirschplatz, 4-6
Metro: Potsdamer Platz (várias linhas de U-bahn e S-bahn)

1 Comment on Dez museus para visitar em Berlim (7. Neues Museum)

  1. Mesmo a calhar! É a minha próxima viagem 🙂

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