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Dez versões de canções de David Bowie

Seleção e textos: NUNO GALOPIM

Dez abordagens a canções de David Bowie por outras vozes e, por vezes, seguindo por caminhos completamente diferentes.

Depois de escutar Michael Stipe a recriar (maravilhosamente) o clássico The Man Who Sold The World no programa de Jimmy Fallon na NBC, numa atuação promocional para os concertos de tributo que tiveram lugar em Nova Iorque na semana passada, entre o Carnegie Hall e o Radio City Music Hall, resolvi andar entre memórias de versões que, ao longo dos anos, foram criadas a partir de originais de David Bowie. E aqui ficam dez delas.

Blondie
“Heroes” (1980)

A 1 de dezembro de 1980, com o Hammersmith Odeon, em Londres, a assinalar mais uma noite de glória em palco para os Blondie, o alinhamento incluía uma versão de Heroes, de David Bowie, com a presença em cena do guitarrista Robert Fripp, o mesmo que dera à canção de Bowie, na sua versão original, aquele som único de guitarra (que fez história). O tema, nesta gravação ao vivo, surgiria num máxi-single lançado dois anos depois em alguns territórios europeus juntando no lado B uma versão em francês de Sunday Girl e o clássico In the Flesh. Esta versão está ainda incluída entre os temas extra de uma das reedições em CD do álbum Eat To The Beat… Nico, Janelle Monáe ou os TV on The Radio são alguns dos nomes que assinaram outras versões. Ainda este fim de semana, em Coachella, os LCD Soundsystem apresentaram uma versão do mesmo tema.

Duran Duran
“Fame” (1981)

A canção foi um caso marcante na discografia de David Bowie. Surgiu já na reta final da gravação de Young Americans, o álbum que abriu na sua música uma nova frente de trabalho, incorporando ecos das escolas rhythm’n’blues para criar uma visão “soul” plástica à la Bowie, aqui com a colaboração de John Lennon. Admiradores reconhecidos da obra de Bowie, os Duran Duran assinaram já várias versões de canções suas (neste momento estão até a levar aos alinhamentos da presente digressão uma leitura nova de Space Oddity). Fame foi contudo a primeira versão de Bowie que levaram a disco. Surgiu (apenas) no lado B do máxi single de Careless Memories. A versão segue as sugestões do tema original, mas junta à secção rítmica e à guitarra as discretas camadas de sintetizadores que ali assinalam a marca de identidade do som dos Duran Duran nessa altura.

Bauhaus
“Ziggy Stardust” (1982)

Com a banda a viver um momento de definitiva afirmação após os bons resultados (na opinião e nas vendas) do álbum The Sky’s Gone Out, os Bauhaus, que antes tinham já editado como single uma versão de Telegram Sam dos T-Rex, voltaram a gravar canções dos outros para editar a 45 rotações. E voltaram ao universo do glam rock, mas desta vez com uma leitura intensa do clássico Ziggy Stardust de David Bowie que não só deu aos Bauhaus o seu melhor resultado de sempre na tabela de singles, como com este tema os colocaram na rota das atenções dos DJs de alma mais “alternativa”. A versão foi editada num single com uma versão de Third Uncle de Brian Eno no lado B.

Nirvana
“The Man Who Sold The World” (1993)

Em Novembro de 1993, nos Sony Studios em Nova Iorque, os Nirvana apresentavam-se sob os holofotes e em frente às câmaras da MTV para protagonizar aquele que talvez seja o mais mítico de todos os seus “Unplugged”. Além de um desfile entre as suas canções apresentaram várias versões, uma delas de uma canção então algo esquecida de David Bowie, de quem Kurt Cobain era admirador. Foram em 1970, o tema-título do seu terceiro álbum de originais e teve nesta assombrosa leitura acústica na voz de Kurt Cobain o passaporte para (merecidamente) se transformar num clássico maior de David Bowie. Esta gravação seria editada em 1994 no álbum MTV Unplugged in New York.

Neil Hannon e Yann Tiersen
“Life on Mars” (1998)

Em dezembro de 1998, a abrir mais uma edição dos Transmusicales de Rennes, o músico francês apresentava uma atuação recheada de convidados vocais, que foi gravada para transmissão na rádio. Editado depois em disco, em 1999, sob o título The Black Sessions, o registo dessa atuação juntava a Yann Tiersen as contribuições de nomes como os de Dominique A, Françoiz Breut ou Neil Hannon, dos Divine Comedy, este último tendo cantado dois temas, um deles uma versão (com quarteto de cordas) de Life on Mars?, canção que David Bowie incluiu em 1971 no alinhamento do seu quarto álbum, Hunky Dory. A canção, que o tempo transformaria num dos maiores clássicos da obra de Bowie, conheceu ao longo dos anos interpretações tão variadas, em versões assinadas por Barbra Streisand, Anni-Frid Lynstad (dos Abba, numa leitura em sueco) ou, entre as homenagens recentes, Lorde.

M Ward
“Let’s Dance” (2003)
Em 1983 foi com esta canção que David Bowie deu um salto para um patamar de popularidade global que transcendia a dimensão do sucesso que até então havia conhecido. A canção, definida sob uma matriz herdeira de ecos de tradições do R&B (retomando assim linhas em tempos experimentadas nos tempos de Young Americans), fez-se um dos clássicos maiores da pop dos anos 80 e ainda hoje é irresistível numa pista de dança. Em 2003 M Ward apresentou uma leitura lenta, melancólica, desprovida da sua pulsação rítimica original, num dos temas do álbum Transfiguration of Vincent. Mais tarde, com os atores Ralph Carrigan and Iwa Boman, o realizador Dan Anders Carrigan criou um pequeno filme com base nesta versão.

Peter Murphy
“Space Oddity” (2009)
Será tudo menos surpresa encarar Peter Murphy como grande admirador e um dos mais evidentes herdeiros de David Bowie. E se pela música passam muitas evidências dessas afinidades, nas características do timbre da voz de Murphy há também muito de familiaridade que os aproxima. Com os Bauhaus criou em tempos uma notável versão de Ziggy Stardust. Em 2009, para apresentar através da net aos seus seguidores mais próximos, Peter Murphy registou uma série de versões, recriando temas como Hurt dos Nine Inch Nails, Instant Karma de John Lennon ou Transmission dos Joy Division. Entre o lote de versões surgia também esta leitura, muito atmosférica, de Space Oddity.

“Where Are We Now?” (2013)
Momus

Em 2015, entre os três discos do álbum Turpsycore, Momus apresentava um disco integralmente feito de versões de canções de David Bowie. Esão ali leituras para canções de tempos, destinos estéticos e patamares de popularidade tão diferentes como Life On Mars, Be My Wife, Absolute Beginers, Ashes to Ashes ou os mais recentes Love Is Lost e Where We Now?. Esta última, que corresponde à canção com a qual Bowie interrompeu um silêncio de dez ano, surgiu logo em 2013, a quente, ainda sob o impacte dessa viagem feita de nostalgias à Berlim dos anos 70.

Beck
“Sound and Vision” (2013)

O original data de 1977 e foi então o single de apresentação do álbum Low, que assinalava a primeira de três experiências de trabalho conjunto entre David Bowie e Brian Eno, com a produção a cargo de Tony Visconti. Em 2013 Beck, sob realização de Chris Milk, foi protagonista de um vídeo interativo “imersivo” (como agora se diz), com câmaras a captar a performance a 360 graus. A versão é uma reinvenção orquestral e coral da canção de Bowie e representa uma das mais inventivas abordagens ao Bowie songbook (se assim lhe podemos chamar).

“Golden Years” (2014)
James Murphy
No intervalo em que os LCD Soundsystem estiveram desativados, James Murphy trabalhou em vários outros projetos e um deles foi a gravação da banda sonora para o filme While We’re Young, de Noah Baumbach. Entre peças de sua autoria, a música incluía uma leitura instrumental e radicalmente diferente de uma canção que David Bowie apresentara em 1976 no álbum Station To Station. Nunca este Golden Years soara de forma tão inesperada…

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