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Ir para longe (para tentar ficar perto)

Texto: NUNO GALOPIM

Integrou o Queer Lisboa 15 e foi daquelas pérolas ignoradas pelo circuito de salas, tal como está ausente em muitos mercados do DVD. Chama-se “Miss Kicki”, foi em 2009 a primeira longa-metragem do sueco Hakon Liu.

Miss Kicki é uma história de (des)encontros com cenário entre a Suécia e Taiwan. Kicki (interpretada por Pernilla August) regressa à Suécia onde reencontra o filho que não vê há anos, a sua mãe tendo garantido a sua educação. E é a pedido desta (e com orçamento assim prometido) que “convida” Viktor a uma viagem. O destino? Taiwan onde, na verdade, a meta mora no encontro real com um homem com quem mantém um romance virtual na Internet… Mãe e filho dão por si num hotel barato fora do centro das luzes e lojas. O romance esperado acaba por revelar o inesperado. E o encontro de Viktor com Didi, um jovem da cidade que anda pelas ruas com motos que pede “emprestadas” (sem que o dono o saiba, entenda-se), acabará por abrir outros horizontes a uma viagem que nada deve ao abc habitual de umas férias de mãe e filho em modo de turismo…

Apesar do jogo de semelhanças e diferenças que facilmente podemos estabelecer – pelas relações entre ocidente e oriente – com Soundless Windchime, de Kit Hung (um dos mais belos filmes a correr o circuito dos festivais de cinema quer na década dos zeros), Miss Kicki acaba por dispensar a caução das comparações.

Realizado por Hakon Liu (de quem o Queer Lisboa já apresentou a curta-metragem Lucky Blue), Miss Kicki vive da força do trio de personagens centrais (Kicki, Viktor e Didi), de uma história que concilia de forma exemplar o que pode haver de estranho e familiar num cenário distante e estabelece pontes entre o ocidente e oriente e de uma absolutamente notável direcção de fotografia.”

Hakon Liu trabalha de forma notável as sugestões de solidão e desencontro, mesmo quando as personagens habitam um mesmo espaço. Usa a cidade como um espaço que acentua essa solidão. E quase lembra ecos das possíveis lições de um Viagem a Tóquio de Ozu na sequência em que vemos mãe, filho e Didi a experimentar um requintado hotel que, mesmo em amena paisagem, não abafa os conflitos interiores que unem e dividem os três.

“Miss Kicki” tem uma edição em DVD no Reino Unido, com legendas em inglês.

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