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11 perguntas a… Filipe Santos Costa

Jornalista do “Expresso” e um dos autores do livro “O Independente – A Máquina de Triturar Políticos”, fala hoje aqui sobre os seus discos, livros, filmes e séries de televisão.

1 O primeiro disco comprado
O Cosi Fan Tutte, de Mozart, na gravação dirigida pelo John Eliot Gardiner. Juro! Foi no final de 1993, mal o CD saiu, uma caixa tripla, linda, com uma imagem da produção que passou pelo São Carlos e que eu fui ver depois de ter poupado dinheiro durante meses (à custa de almoçar e jantar na cantina da faculdade…). Mas esta resposta carece de uma explicação, porque até parece mal eu não ter comprado nenhum disco antes de 1993. Eu não comprava porque os meus pais tinham uma loja de discos – não era tanto uma questão de em casa de ferreiro, espeto de pau, mas sobretudo uma questão de não ter necessidade: ouvia na loja toda a música que queria (e a que não queria) e gravava para cassetes tudo o que me interessava. A compra do CD do “Cosi” foi um grito de Ipiranga: já ganhava uns trocos a colaborar com o Público e decidi que podia começar a torrar dinheiro em discos. E continuei a fazê-lo até aparecer o Spotify.

2 O filme mais marcante visto na infância
Esta é fácil: E.T. (e não chorei).

3 Um livro que tenha mudado a vida.
“Mudado a vida”, julgo que nenhum. Mas se fizermos um downgrade para “livros que me marcaram muito”, que me fizeram olhar para o mundo de outra maneira, ou aos quais volto às vezes, saem três de rajada: Da Democracia na América, do Tocqueville, The Road, do McCarthy, e Conversa na Catedral, do Vargas Llosa.

4 Uma série a não perder.
Só uma? Ok, quatro: das contemporâneas, The Walking Dead e Guerra de Tronos; das clássicas, Sim, Senhor Ministro e Monty Python’s Flying Circus.

5 O mais recente filme visto no cinema.
A Assassina, do Hou Hsiao-Hsien.

6 A canção que mais vezes foi escutada.
Não faço a mínima ideia. Isto vai por levas: há dias, ou semanas, em que oiço uma música em repeat até a conseguir largar. À sexta-feira, quando estou a escrever para o fecho de edição do Expresso, ponho os phones e oiço a mesma música o dia todo (por exemplo, nas últimas semanas fiz isso com o I Feel Better dos Hot Chip, com o Roma Fade, do Andrew Bird, com o A Hazy Shade os Winter, de Simon and Garfunkel) – manias destas tornam difícil a contabilidade sobre a mais ouvida. Nos anos 80 ouvia as mesmas dos Wham! sem parar, e da Madonna, e depois dos Smiths, e do Lloyd Cole, e nos 90s foi a mesma coisa com a ária das Variações de Goldberg [Bach], e com alguns andamentos das Suites para Violoncelo, só para citar algumas fases de monomania musical…

7 O livro a ser lido neste momento.
Moby Dick. A sério. Nunca li e decidi resolver isso (a decisão foi antes de receber este inquérito). Mas para provar que não me estou a armar, confesso que imediatamente antes li um Daniel Silva, que é um dos meus guilty pleasures literários.

8 O músico preferido.
Na pop, têm de ser os Smiths. Mas se só pudesse ouvir um músico até ao fim da vida, seria J.S.Bach, de caras.

9 O autor com mais livros lidos.
Português, o Eça (é um cliché, mas um cliché em bom). Do resto do mundo, Mário Vargas Llosa (mas o Philip Roth está quase a ultrapassá-lo).

10 O mais recente concerto assistido.
É uma vergonha confessar isto, mas não tenho a certeza. O que significa que já foi há bastante tempo. Desconfio que terá sido o dos Blur no verão passado no Atlântico.

11 A notícia quer mais gostaste de (re)descobrir no Independente foi…
(Vou começar a resposta com o início mais irritante que pode existir:) Boa pergunta! Foi um prazer incrível voltar a ler O Independente – aquilo era mesmo bom. A começar pelos textos do MEC e do Portas, claro, e os do Vasco também (mas esses são bastante iguais aos que ele escreve hoje, por isso o efeito não foi o mesmo…). Há uma entrevista extraordinária do MEC e do PP ao Cunhal, e outra, também deles, ao Taveira que é de antologia desde a primeira à última linha. E a Helena Sanches Osório escreveu um texto memorável com as mulheres de alguns ministros, na qual Maria Antónia Cadilhe conta a incrível e triste história da sua vida e brilha a enorme altitude. Mas a pergunta era sobre notícias, não era? Ok: talvez as que mais gostei de reler tenham sido sobre o monte do Braga de Macedo. A notícia saiu quando ele era ministro das Finanças, mas referia-se a um período em que se tinha aventurado na agricultura, com um monte no Alentejo. O problema é que Braga de Macedo tinha arranjado maneira de receber subsídios europeus como jovem agricultor, apesar de já não ter idade para isso e nunca ter sido realmente agricultor. No fim, o ministro teve de pagar uma bagatela qualquer e foi como se nunca tivesse havido marosca. Mas não se perdeu tudo – foi sobre esse caso a minha manchete favorita de sempre do Indy: “Herdade para ter juízo”.

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