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A Batalha das Formigas

Texto: DIOGO SENO

Thomas Szabo e Hélène Giraud apresentam em “Minúsculos” uma odisseia passada numa natureza a perder de vista, pois a perspectiva é sempre a do ponto de vista dos pequenos insectos que são aqui os protagonistas.

Uma joaninha recém nascida separa-se da sua família, é perseguida por cruéis moscas, fica sem uma asa e perde-se na floresta, indo parar a um piquenique abandonado horas antes por dois gigantes humanos. Lá cruza-se com as formigas que vão ser a sua nova família e a vão levar numa grande aventura. As delícias deste mini-épico todo passado numa natureza a perder de vista, pois a perspectiva é sempre a da “miniatura” do ponto de vista dos adoráveis pequenos insectos que protagonizam esta odisseia, são algumas.

Se a narrativa é claramente demarcada para as crianças mais pequenas, com o seu arco simples e o desadorno das suas personagens, os realizadores povoaram o seu filme de alguns apontamentos invulgares e apreciáveis. Quer isto dizer que, fazendo um filme para os mais pequenos, não os subestimaram. Este território do “mundo miniatura” é privilegiado do cinema infantil, incluindo animação, e havendo já diversos filmes de animação digital com protagonistas insectos (Uma Vida de Insecto da Pixar ou A História de uma Abelha, da Dreamworks, por exemplo), Minúsculos traz no entanto a frescura da técnica.

Os protagonistas são digitais, mas o mundo que eles habitam é o real, numa mistura curiosa e dinâmica entre a animação digital e a imagem real. E para aproximar-se do público-alvo, o traço dos bonecos quer-se simples, cartoonesco (antes de ser longa-metragem, este universo foi uma série de televisão bastante popular em França). Sem diálogos, o filme dá no entanto voz aos seus protagonistas, ao atribuir-lhes a capacidade de se entenderem com a emissão de uns sons soprados, como se todos eles tivessem um instrumento de sopro poderoso no lugar de cordas vocais. É também interessante ver como os realizadores com atenção e ternura tentaram reproduzir o “trânsito” da natureza. É que mesmo sendo pequenos, a joaninha e as suas companheiras formigas empreendem uma viagem por terra, água e ar, encontrando outros insectos e animais que a povoam, na tentativa de regressar a casa com um abastecimento gigante de cubos de açúcar. Com as inimigas formigas vermelhas no seu encalce, a viagem complica-se, num género de filme de perseguição, onde os perigos são capazes de deixar os espectadores mais pequenos sobressaltados. Apesar da criatividade dos autores em criar situações de comédia física com este elenco carismático, o filme acaba no entanto por se tornar cansativo na duração. Um confronto épico, ao género do cerco a Minas Tirith em O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei, conclui esta odisseia com algum fôlego mas com pouca originalidade.

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