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“For Your Pleasure”: o final de um primeiro ciclo

Texto: NUNO GALOPIM

Editado em março de 1973, o segundo álbum de estúdio dos Roxy Music assinalou a despedida de Brian Eno. O disco faz com o anterior um dos pares mais estimulantes do pop/rock criado nos anos 70.

Os dois primeiros álbuns dos Roxy Music constituem um dos pares mais imaginativos entre os discos que o mapa pop/rock viu nascer na primeira metade da década de 70, num daqueles raros momentos em que a pulsão experimental do trabalho de um grupo de músicos soube conciliar esse desejo de desafio com uma capacidade de comunicação que não fechou as canções entre um nicho de melómanos mais atentos. Pelo contrário, o disco sublinhou o estatuto conquistado no ano anterior, fazendo da banda um fenómeno de aclamação e grande entusiasmo em várias frentes, para vários públicos. Editado em março de 1973, menos de um ano volvido sobre o álbum de estreia, For Your Pleasure representaria contudo a derradeira expressão da presença de Brian Eno nos Roxy Music, concentrando ele os seus esforços numa carreira a solo que tinha já dado primeiros passos em janeiro desse mesmo ano, ao lançar o álbum de estreia em nome próprio Here Come The Warm Jets.

As tensões entre Bryan Ferry e Brian Eno parecem de facto mais visíveis em For Your Pleasure do que no álbum de estreia. E se em Beauty Queen, que mais tarde Eno diria que foram um tema praticamente apenas criado por Ferry, ao vocalista cabia o apontar de caminhos de formas mais definidas e claras (que teria gradual expressão nos álbuns seguintes dos Roxy Music até alcançar a sua dimensão maior nos dois últimos, lançados já nos anos 80) em temas de linhas menos nítidas como The Bogus Man (em evidente flirt com soluções que então ganhavam forma no emergente krautrock alemão) ou aquele que deu título ao disco, a demanda textural que o teclista queria perseguir tornava-se mais evidente.

Há contudo momentos em que tanto a pulsão art rock como a busca de formas pop coabitam em diálogo como se escuta em Strictly Confidential ou Editions of You, este último, juntamente com o irresistível Do The Strand (uma reflexão sobre o universo da dança), definindo um par de canções que se tornaram mesmo clássicos de referência da obra dos Roxy Music.

For Your Pleasure marcou o seu tempo e assegurou um novo seguro passo na obra do grupo. Embora assinale o final do primeiro dos três ciclos de vida da obra do grupo, não carrega o peso de uma obra de síntese nem fecha os feitos conquistados com um ponto final. Há um antes, assim como um depois, sentindo-se (mesmo já sem Brian Eno) ecos de continuidade no posterior Stranded.

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