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15 anos de “Exciter”: virar a página e sarar feridas

Texto: NUNO CARDOSO

Vinte anos depois da estreia, os Depeche Mode mostraram um lado mais delicado, íntimo e experimental com “Exciter”, que agora celebra 15 anos. Um virar de página em forma de disco que nasceu de um bloqueio criativo.

Renascer com uma sonoridade nova. Um virar de página. Um sarar de feridas. Vinte anos depois de se estrearem talvez tenham sido necessárias as saídas de dois membros – primeiro a de Vince Clarke e depois a de Alan Wilder, esta mais recente – e a batalha contra a dependência de drogas que quase vitimou o vocalista Dave Gahan e que criou tensão no seio da banda, para que os Depeche Mode precisassem de parar, respirar fundo e reinventar-se.

Depois de duas décadas de digressões mundiais e êxitos à escala global como Personal Jesus, Strangelove, Behind the Wheel, Walking in My Shoes, Just Can’t Get Enough ou Enjoy the Silence, os Depeche Mode lançaram Exciter, o seu décimo álbum de estúdio, no qual apostaram numa atitude mais experimental e numa abordagem mais intimista e delicada quando comparada com o catálogo anterior.

Um álbum que, curiosamente, nasceu de um bloqueio criativo de Martin Gore, o principal compositor do grupo e que já durava há alguns meses, apesar dos quatro anos que separam Exciter do seu antecessor Ultra. Era o típico síndroma de um músico aborrecido por um processo de criação de temas que pode tornar-se monótono com o passar do tempo, como contam os Depeche Mode no documentário que mostra os bastidores da gravação de Exciter.

Com a ajuda de dois produtores e amigos, Gareth Jones e Paul Freegard na pré-produção, e principalmente com a visão de Mark Bell na produção (convidado pela banda depois de conhecido o trabalho realizado em dupla com Björk em Homogenic), a inspiração voltou e os Depeche Mode criaram, ao longo de sete meses, o disco de 13 temas que assinalava por essa altura o seu 15.º aniversário.

Exciter é um disco que pode ser entendido assente em contrastes. As batidas eletrónicas quase minimalistas (sem entrarem, contudo, nos terrenos do aborrecido ou do previsível), quase que como a pedir licença para entrar em bicos de pés, apoiadas nas guitarras e na orquestração (afastando-se de grande parte da eletrónica feita na altura), entra em paradoxo com as letras honestas e straight to the point que aqui funcionam como um arco e flecha direto ao coração, e à razão.

Outro dualismo interessante em Exciter reside numa exploração bipolar do amor nas suas letras, falando quer da libertação que permite, ou do aprisionamento que lhe está inerente. Talvez uma referência ao passado – recente – de Gahan com as drogas, as quais tinha deixado há apenas cinco anos.

Dream On foi o cartão de visita do álbum que agora celebra uma década e meia. Um tema que os Depeche Mode descrevem como uma “perfeita introdução” a Exciter – apresenta um lado mais íntimo e delicado da banda, e por isso diferente do que já tinham feito na sua carreira. A este seguiram-se o mais radio-friendly e agressivo I Feel Loved (que Martin Gore propositadamente escondeu da Reprise Records e Mute Records nas fases inicias de pós-produção por não querer que este fosse o primeiro single) e os mais intimistas Freelove e Goodnight Lovers.

Dream On:

I Feel Loved:

Freelove:

Goodnight Lovers:

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