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Lisboa à noite

Texto: DANIEL BARRADAS

Discretamente, como quase tudo o que diz respeito aos Durutti Collumn, é finalmente reeditado em vinil, CD e também em suporte digital o álbum “Amigos em Portugal”.

Corria em Portugal o ano de 1983 e, se o cantor António Variações fazia com a sua música uma ponte entre Braga e Nova Iorque, a editora Fundação Atlântica escavava um túnel entre Lisboa e Manchester.

Embora acabasse por ter curta duração por questões económicas, o projecto da Fundação Atlântica, ligado à EMI-Valentim de Carvalho e dirigido, entre outros, por Pedro Ayres de Magalhães e Miguel Esteves Cardoso, acabou por estar na génese de muito do que aconteceu na música portuguesa da década de 80, e por ela passaram nomes como os Sétima Legião, Xutos e Pontapés, Delfins e Anamar. Mas entre os seus projectos notáveis encontra-se também a pequena e rara pérola que é o álbum Amigos em Portugal dos Durutti Collumn, a banda do músico inglês Vini Reilly (que tem contado com um miríade de colaboradores ao longo do tempo) que ganharia fama no catálogo da editora Factory, a mesma dos Joy division, New Order e, mais tarde, Happy Mondays.

A convite de Miguel Esteves Cardoso, Reilly deslocou-se a Portugal para gravar um single nos estúdios da Valentim de Carvalho mas, aproveitando o tempo de estúdio, acabou por gravar muito mais e desse material a Fundação extraiu o que acabou por ser o álbum Amigos em Portugal. Embora fossem na altura uma espécie de “work in progress” (algum do material viria posteriormente a ser retrabalhado para o álbum de 84, Without Mercy) as melodias de Amigos em Portugal formam um todo bastante interessante, revelando um Reilly inspirado pelo sua visita a Lisboa, atento à guitarra portuguesa e a trabalhar também ao piano, instrumento que viria a preterir mais tarde na sua carreira para favorecer a guitarra.

Amigos em Portugal acabaria por ficar como objecto meio mítico, meio esquecido, no percurso dos Durutti Colllumn. Os seus mais reconhecidos trabalhos para a editora Factory só chegariam em 86/87 (destaque para o excelente The guitar and other machines) e com o encerramento da Fundação Atlântica, a distribuição do álbum ficou basicamente limitada a Portugal e ao Japão (onde houve uma edição em 1984). Só em 2005 chegou uma primeira edição em CD pela própria banda e agora chega-nos finalmente uma remasterização para vinil e a sua disponibilização nas plataformas de streaming.

Com uma nova capa (pior do que a original), Amigos em Portugal merece agora ser descoberto ou re-descoberto e refira-se que também LC, o álbum de 1981, foi reeditado em vinil em Março. É que os próprios Durutti Collumn bem mereçem ser conhecidos por toda uma nova geração que ouve The XX, ou até Andrew Bird, mas não lhes reconhece a genealogia do som.

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