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“Prince”: o disco que juntou peças para jogar mais adiante

Texto: NUNO GALOPIM

Depois de “For You”, o segundo álbum de Prince a ser reeditado em vinil corresponde ao seu sucessor. Lançado em 1979, “Prince” deu-lhe um primeiro êxito e semeou ideias que pouco depois dariam resultados.

Uma das primeiras conquistas de Prince, logo no primeiro acordo com a Warner Records, foi o assegurar de total liberdade criativa. E, para o melhor e o pior, pagou com os sucessos e erros uma capacidade de controlar o destino da sua música que, pouco depois, lhe valeria a capacidade para vestir a pele de ideias, imagens e sons como nunca antes havíamos escutado.

O princípio de tudo, porém, não foi fácil. E se For You (o álbum de estreia, em 1978), mostrou as suas capacidades na escrita, composição, interpretação (todos os instrumentos foram tocados por si) e produção, na verdade revelou também uma falta de domínio sobre a forma de pensar o tempo em estúdio. O disco levou quatro meses a gravar e sorveu grande parte do orçamento que a editora. Na hora de gravar um segundo disco, havia por isso algo a repensar.

As canções que, em 1979, se materializaram no alinhamento de um segundo álbum (ao qual chamou, simplesmente, Prince), começaram a surgir numa altura em que Prince começava a juntar uma banda para poder levar a sua música a palco e num tempo em que começava igualmente a ensaiar a ideia de escrever para outros. Prince regressou a estúdio em agenda por si definida e, num mês, saía com as bobinas com as canções novas debaixo do braço.

Tal como For You este é ainda um álbum claramente definido em clima R&B, com o disco e o funk a dialogar em alguns instantes pensados para a pista de dança, conquistando de resto, com temas como I Wanna Be Your Lover e Sexy Dancer, primeiros momentos de sucesso entre as tabelas atentas à música de dança.

Além de I Wanna Be Your Lover, que na altura chamou atenções pelo domínio do falsete e gerou o primeiro single de êxito para Prince (atingindo o número 11 nos EUA), a outra pérola maior do alinhamento surge em I Feel For You, canção que poucos anos depois seria um êxito de dimensão mundial na voz de Chakka Khan. A face mais dançável do disco teve ainda outros “casos” com Why You Wanna Treat Me So Bad?, canção que vincou uma relação do funk com as emergentes electrónicas, e Sexy Dancer, que chegou ao número 2 na tabela de R&B norte-americana.

Num extremo oposto, as baladas (que ocupam outra parte expressiva do alinhamento) seguem um caminho se evolução na continuidade face ao que se escutava já em For You, se bem que sob um programa temático que começava, aos poucos a tatear caminhos que a obra seguinte levaria bem mais longe.

Outra das peças centrais do álbum é Bambi, uma nova incursão pelas periferias do rock, com forte presença elétrica das guitarras, aqui também lançando pistas para colher mais adiante.

Prince mostrou-se em tronco nú na capa, no verso surgindo sem roupa, sobre um cavalo branco alado. O nome, na capa, era impresso a roxo. Aos poucos os dados começavam a somar algo que o tempo trataria de levar a outros patamares.

“Prince”, de Prince, acaba de ter reedição em suporte de vinil, pela Warner Brothers.

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