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Dez clássicos do “space disco”

Seleção e textos: NUNO GALOPIM

Em finais dos anos 70, do flirt então vivido entre as possibilidades instrumentais levantadas pelos novos sintetizadores, o disco sound e sonhos temáticos futuristas nascia uma música de dança com sabor sci-fi.

Com as suas primeiras expressões há cerca de 40 anos, o space disco na verdade não foi um caso arrumado na história da música de dança. E basta ver os exemplos recentes da obra de um Lindstrom, o interesse maior pelo legado de Patrick Cowley, o surgimento de novas antologias e opções na banda sonora de vários filmes (entre eles Uma Nova Amiga, de François Ozon), para reparar como continua a cativar atenções. Vamos aqui lembrar alguns dos seus pioneiros.

Automat, “Droid” (1978)
Um dos mais significativos projetos em álbum no universo do space disco de primeira geração, Automat é na verdade uma aventura a duas vozes, juntando o trabalho dos italianos Romano Musumarra e Claudio Gizz. Ideia do primeiro, o disco foi produzido em 1977 ainda sob o impacte das primeiras visões sci-fi que Star Wars lançou na música e teve da Harvest (etiqueta da EMI) uma opinião favorável, quando tudo parecia indicar que a edição de um álbum instrumental do género seria muito arriscada. Curiosamente um dos primeiros a escutar o disco, ainda antes de editado, foi Jean Michel Jarre.

Rockets, “Space Rock” (1977)
Bem antes da moda sci-fi que invadiu várias frentes da invenção musical depois do impacte de Star Wars, os Rockets já por aí andavam com os seus fatos, maquilhagem e pose à robot… Surgiram em França em 1972 e passaram por vários nomes até que, como Rockets, lançaram um álbum que encetou um percurso mais estável. É contudo ao segundo disco, On The Road Again, que chegam aos terrenos do space disco, criando com o clássico Space Rock uma ponte entre as guitarras, o disco sound e os cenários sci-fi que fizeram escola. Heranças entre os Daft Punk não são difíceis de identificar.

Droids, “(Do You Have) The Force” (1977)
Droids foi o projeto de um só álbum criado pelo francês Fabrice Cuitad, que era na altura um jovem label manager ao serviço da editora Barclay. Fabrice teve a ideia depois de ver Star Wars no cinema, e explorou o conceito de forma a criar o álbum a que daria o título Star Peace, e que lançaria em 1978. Antes do álbum, e ainda em 1977, (Do You Have) The Force, um primeiro single transformava desde logo a ideia em música. Desse mesmo álbum seria depois extraído Be Happy, um segundo single, que não teria o mesmo impacte.

Cerrone, “Supernature” (1977)
O ítalo-francês Marco Cerrone (baterista, compositor e produtor) tinha já uma considerável obra gravada em disco quando, em 1977, lançou um terceiro álbum que o lançaria definitivamente como um nome de referência nos universos em volta do disco entre finais dos setentas e inícios dos oitentas. Com o título Supernature (e subtítulo Cerrone III), o álbum abria com o tema que lhe dava título que lhe valeu o maior êxito. Com letra assinada por Lene Lovich, a canção falava de mutantes em cenário de ficção-científica, colocando em cena elementos que ajudaram a definir o space disco. A canção conheceu várias remisturas e novas versões uma delas, em 1989, pelos Erasure.

Giorgio Moroder “From Here To Eternity” (1977)
Depois de encontrado um tom para abordar os ecos do emergente fenómeno disco em singles gravados juntamente com Donna Dummer, o produtor de origem alemã Giorgio Moroder apresentou, em 1977, a sua visão eletrónica para os novos sonhos de festa noturna em clima futurista. Tema título do álbum que então lançava, From Here To Eternity chegou a single e ajudou a definir os contornos formais e estéticos pelos quais então se afirmava o space disco.

Space, “Magic Fly” (1977)
Entre os pioneiros franceses da música eletrónica contam-se vários casos de militância no espaço que acabaria conhecido como space disco. Comandados pela visão de Didier Marouani, os Space surgiram em Marselha em 1977 e mantiveram uma primeira (e mais consequente) etapa de trabalho até 1980, regressando mais tarde já sob clima nostálgico, mas sem o mesmo impacte. Magic Fly, o álbum de estria, lançado em 1977, revelou no seu tema-título, que teve impacte á escala global, um dos episódios de referência do space disco.

Amanda Lear, “Follow Me” (1978)
Uma das figuras mais “misteriosas” a surgir no momento em que o disco sound emergiu dos nichos onde nascera e se fez fenómeno de dimensão global, Amanda Lear gerou na altura mais debates sobre a sua identidade (de género) do que propriamente sobre a sua música. Vale pois a pena regressar às suas contribuições para a emergência do space disco com temas como, por exemplo, o clássico Follow Me, single que fez do sei segundo álbum (Sweeet Revenge) um caso sério de vendas e que, tanto no som como na encenação (e basta ver o vídeo) estava em sintonia com estes sonhos de futuro festivo e dançante.

Jean Michel Jarre “Equinoxe IV” (1978)
Um dos mais importantes pioneiros da aventura eletrónica em território pop, o francês Jean Michel Jarre teve no seu álbum Oxygène (1976) um episódio marcante e profundamente influente, que alertou atenções para as novas movimentações eletrónicas made in France. Dois anos depois, e com evidente travo sci-fi, o álbum Equinoxe tinha num dos segmentos todo um conjunto de elementos partilhados com uma nova música eletrónica e dançável criada sob este quadro temático. Não era um tema disco, mas refletia claramente as marcas dessas heranças bem próximas.

Dee D. Jackson “Automatic Lover” (1978)
Cantora inglesa, começou por trabalhar na indústria cinematográfica (na Alemanha, em inícios da década de 70) antes de se aventurar nos discos. Estrou-se em 1977 com o single Man of a Man que passou a leste das atenções. Teve melhor sorte o sucessor Automatic Lover, uma das primeiras manifestações britânicas de temas e sonoridades sci-fi em terreno disco. O single teve um impacte significativo não apenas na Europa mas também em territórios da América do Sul e abriu terreno a uma carreira que, em 1978, gerava um primeiro álbum.

“I Wanna Be Your Lover”, La Bionda (1980)
Muitas vezes ignorados na hora de se contar a história do space disco, talvez porque foram (de facto) sobretudo pioneiros do italo disco, os La Bionda assinaram contudo um “clássico” do género, com teledisco sci-fi a rigor quando, em 1980, editaram I Wanna be Your Lover, que representou um dos seus derradeiros êxitos de dimensão global. Formados pelos irmãos italianos Carmelo e Michelangelo La Bionda, tinham carreira feita ao longo de toda a década de 70, com passagem até por uma pop acústica antes de se mudarem para Munique e se renderem ao disco sound, terreno onde assinaram alguns êxitos em finais da década.

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