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Os Heaven 17 em dez canções

Seleção e textos: NUNO GALOPIM

Um nome de referência entre a primeira geração da pop eletrónica britânica, os Heaven 17 nasceram de uma cisão nos Human League e trilharam um caminho juntando elementos funk, R&B e ideais de esquerda.

Numa altura em que estamos em contagem decrescente para a edição de uma caixa que, em meados de junho, vai juntar os cinco primeiros álbuns dos Heaven 17 – Penthouse and Pavement (1981), The Luxury Gap (1983), How Men Are (1984), Pleasure One (1986) & Teddy Bear, Duke & Psycho (1988) – vamos recordar aqui algumas das suas canções.

O grupo nasceu em Sheffield em 1980, juntando a voz de Grenn Gregory ao trabalho de Ian Craig Marsh e Martyn Ware, que então abandonavam os Human League. Juntos tomaram a pop e as eletrónicas como ponto de partida, juntando um gosto pelo R&B, o funk e ideais políticos à esquerda que materializaram em algumas das suas canções.

“(We Don’t Need This) Fascist Groove” (1981)
O single de estreia dos Heaven 17 deixava claro não apenas um manifesto estético que sublinhava os pontos de discórdia que haviam conduzido à crise interna (e consequente separação) nos Human League como revelava desde logo uma clara vontade do trio em levar as suas visões políticas (à esquerda) para as suas canções. A canção traduz uma crítica que tanto tem uma leitura política sensu strictu como define uma observação estética contra as ditaduras do gosto.

“I’m Your Money” (1981)
Poucas semanas após a estreia com o single (We Don’t Need This) Fascist Groove Thang, que levantou na época mais celeuma pelo conteúdo político da canção do que pela sua filiação estética, os Heaven 17 escolhiam como segundo single I’m Your Money. Ao contrário do single de estreia, este passou completamente ao lado das tabelas de vendas e acabaria fora do alinhamento do álbum Penthouse and Pavement. Seria contudo integrado em Heaven 17, um álbum editado pouco depois para apresentar o grupo nos EUA.

“Penthouse and Pavement” (1981)
Depois de uma série de três singles, a chegada do álbum de estreia dos Heaven 17 confirmava o grupo como uma força maior entre a primeira geração de bandas britânicas que tomavam as eletrónicas por ferramenta de trabalho, revelando o alinhamento horizontes vários. Era contudo na afirmação de uma relação com o R&B e o funk que assinalavam a sua afirmação de diferença face a muitos dos contemporâneos, nomeadamente os Human League, dos quais parte do trio tinha saído. E ao escolher o tema-título do álbum como primeiro single a lançar após a edição do LP, essa marca ganhava mais visibilidade ainda.

“Play To Win” (1981)
Depois de um single de estreia cuja clara manifestação de um posicionamento político gerou incómodos em inícios de 1981, os Heaven 17 escolheram este tema como o aperitivo para a chegada do seu álbum de estreia, Penthouse and Pavement, que editaram em setembro de 1981. Pop eletrónica angulosa, animada por uma pulsação funk, Play To Win é um dos temas mais marcantes da obra deste trio.

“Let Me Go” (1982)
Depois de concluído o ciclo de vida do álbum de estreia, do qual foram extraídos inúmeros singles, os Heaven 17 apresentaram com Let Me Go um cartão de visita para o que seria um segundo álbum que chegaria apenas uns meses mais tarde, já em 1983. A canção aprofunda uma relação com as eletrónicas, explorando-as sobretudo enquanto cenografia rítmica, com um registo contemporâneo de experiências electro que então se desenvolviam nos EUA. Foi um dos poucos singles do grupo com edição em 45 rotações entre nós.

“Temptation” (1983)
Se foi pelos feitos da visão de diálogo entre a pop eletrónica e os trilhos da música negra que os Heaven 17 ficaram na história da música popular dos anos 80 (e com o álbum de estreia como referência maior), a verdade é que foi com o segundo álbum que conheceram o seu momento de maior popularidade, vincado sobretudo pelo impacte deste que foi o segundo single dele extraído. A canção, que fala claramente de desejo (tentação) sexual, contou com a importante contribuição de Carol Kanyon, uma vocalista de sessões em estúdio que acompanharia os Heaven 17 até finais dos anos 80. A canção foi acompanhada por um teledisco realizado por Steve Barron que procurava linhas de inspiração no expressionismo alemão e acrescentava uma dimensão do foro religioso à interpretação possível da canção.

“We Live So Fast” (1983)
Depois de um cartão de visita lançado apenas nos mercados europeus com Let Me Go e do sucesso em escala considerável de Temptation, o passo seguinte na discografia dos Heaven 17 apontou a uma edição em single exclusiva nos EUA. Foi escolhido We Live So Fast, tema afastado do registo mais próximo das relações com o funk e o r&b, mas intenso na forma de trabalhar uma relação ritmada com a pop eletrónica e firme na exposição de mais uma observação crítica sobre os modos de vida do presente. Passou a leste das atenções!

“Crushed by the Wheels of Industry” (1983)
Sexto e derradeiro single retirado do alinhamento do álbum The Luxury Gap, Crushed by the Wheels of Industry foi editado já na reta final de 1983 e deu ais Heaven 17 o seu terceiro Top 20 no Reino Unido. O tema correspondia em tudo às linhas mestras esta primeira etapa da vida do trio, expressando por um lado ecos de uma consciência social e política e, por outro, assinalando mais um momento de ponte entre as emergentes electrónicas e as fontes de inspiração que o grupo foi procurar a descendências do r&b.

“This Is Mine” (1984)
O terceiro álbum dos Heaven 17, How Men Are (1984) seguiu trilhos já sugeridos pelo segundo, acentuando contudo um caráter mais tranquilo, refreando ainda a carga dançável e o mais claro protagonismo das eletrónicas do primeiro disco. O disco manteve o grupo atento às suas referências históricas encontradas entre heranças do rhythm’n’blues. E o trabalho com metais que se escuta neste, que foi o segundo (e mais bem sucedido) dos singles deste álbum.

“Contenders” (1986)
Longe de repetir os feitos estéticos (e a popularidade) dos dois primeiros álbuns e não traduzindo sequer o patamar já de alguma travagem de entusiasmos que ficara patente no terceiro How Men Are, de 1984, os Heaven 17 editam em 1987 Pleasure One, um quarto álbum que traduziu o seu derradeiro episódio de visibilidade nas tabelas de vendas. Houve ainda em 1988 o álbum Teddy Bear, Duke & Psycho, mas esse ainda com menor impacte. Os regressos nos anos 90 e depois da viragem do milénio juntaram novos discos, mas viveram mais do entusiasmo pela nostalgia dos primeiros álbuns do trio.

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