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Banda sonora para uma aventura

Podia ser mais uma antologia. E como este nem é ano de efeméride “redonda” (em 2017, sim, assinalam-se os 60 anos sobre o seu início de carreira ou os 50 sobre Sgt. Peppers dos Beatles), nem há inéditos para fazer o cabaz já habitual em hora de ‘best of’ – na linha tomem lá mais do mesmo, com estas migalhas novas – o momento para apresentar um novo álbum de memórias reunidas ou marcava pela diferença ou então era mero episódio secundário, apenas com mais uma digressão por perto. Mas convenhamos que não é preciso editar uma compilação para levar canções de outros tempos para a estrada. E por isso mesmo Paul McCartney resolveu, em vez do óbvio, da lista clássica dos “êxitos” incontornáveis, juntar aqui escolhas puramente pessoais. E em Pure acaba por nos dar a mais sumarenta das quatro antologias que já editou em nome próprio.
O critério de seleção, mais do que histórico, representativo dos maiores êxitos ou das formas e géneros musicais visitados na obra pós-Beatles, foi afinal bem simples: criar uma seleção de temas que desse prazer escutar numa viagem de carro, num serão em casa ou numa festa entre amigos, como o próprio Paul McCartney explica no texto curto que encontramos no booklet.

A banda sonora para uma carreira que ele mesmo diz ser mais uma aventura do que “um trabalho” conduz-nos por vários caminhos, num percurso que recua a 1970, ao álbum de estreia McCartney e nos traz até às suas mais recentes gravações. É curioso verificar que – e falando da versão em CD duplo – há uma concentração maior de atenção em discos realmente marcantes como o foram Ram (editado em parceria com Linda McCartney, em 1971), Band on The Run (o clássico maior dos Wings, de 1973), Tug of War (um dos seus melhores discos a solo, editado em 1982) ou Chaos and Creation in the Backyard (álbum que em 2005 o levou a estúdio na companhia de Nigel Godrich, o produtor que habitualmente trabalha com os Radiohead). Há depois olhares sobre momentos que alargam o retrato em várias frentes, de um Mull of Kintyre (1977) que não deixa esquecer a memória de êxitos colossais ao mais desafiante Coming Up (1980), do muito atípico, mas bem desafiante McCartney II ou ao flirt com o disco de Silly Love Songs (1976). Isto sem esquecer algumas parcerias, como as que registou com Michael Jackson em Say Say Say ou com Stevie Wonder em Ebony and Ivory.

É claro que, para viagens de carro mais longas, serões mais extensos em casa ou festas mais demoradas entre amigos, há uma versão DeLuxe com um alinhamento que se alarga a quatro discos e que, entre outros, não esquece o incrível Temporary Secretary… Cada um agora escolha a sua forma de, entre estas canções, recordar o percurso de McCartney depois do fim dos fab four… E notar que nele temos mesmo um dos maiores autores da música popular dos últimos 60 anos.

Paul McCartney
“Pure”
Concord / Universal
★★★★★

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