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A história dos Wham! em dez canções

Seleção e textos: NUNO GALOPIM

Na semana que assinala os 30 anos sobre o fim do grupo, recordamos canções que fizeram essa etapa na história da obra de George Michael… Sim, e também de Andrew Ridgley…

Na semana que assinala a passagem de 30 anos sobre o concerto para uma plateia de 72 mil em Wembley que assinalou o ponto final na carreira dos Wham!, revisitamos dez canções que fizeram a primeira etapa discográfica na vida de George Michael.

Durante cinco anos, em dupla com o guitarrista Andrew Ridgley, George Michael teve nos Wham! o primeiro espaço de exploração como autor e também vocalista. Ficaram cedo bem claras as suas inclinações para acolher heranças de espaços nascidos no r&b e suas descendências. Mas, como fica evidente entre estas canções, os Wham! estavam limitados a uma existência teenager… Para ir mais longe era preciso mesmo partir para outros desafios. E assim seria, depois de 1986 .

“Young Guns (Go For It)” (1982)
Foi em clima white funk que os Wham! deram o primeiro passo com esta canção que representou a sua estreia em 1982, através do catálogo da Innervision Records. A canção teve um ligeiro impacte no mercado britânico mas, ao levar inesperadamente o grupo ao programa Top of The Pops, em substituição de um outro grupo originalmente convidado, o impacte da sua exibição televisiva elevou o single de um discreto número 48 ao número 24, com 30 mil unidades vendidas numa só semana. Sim, 30 mil unidades não chegavam mesmo assim para entrar no Top 20… Outros tempos…

“Wham Rap (Enjoy what you do)” (1983)
O segundo single dos Wham! traduziu uma das primeiras expressões de interesse de uma banda pop pelo emergente espaço do hip hop, que começava a obter primeiros êxitos mas era ainda então um terreno distante das atenções mainstream. Tal como o tinham feito os Blondie em Rapture ou Adam and The Ants em Ant Rap, os Wham! fazem aqui uma assimilação depurada de ideias escutadas entre pioneiros do hip hop, mostrando o resultado final um tema na verdade mais próximo de uma matriz pop com tempero white funk. Mesmo assim marcava-se uma posição.

“Bad Boys” (1983)
Editado algumas semanas antes da chegada de Fantastic!, o álbum de estreia dos Wham!, Bad Boys apresentava uma canção esteticamente na linha dos encontros entre uma sensibilidade pop e os apetites de afinidade funk já antes escutados nas canções anteriores. Mas de novo trazia um olhar sobre o fosso entre gerações que fazia desta canção mais do que uma mera celebração hedonista de rebeldia e juventude. A letra escuta até os pontos de vista dos pais e filhos, sendo contudo claro que, composta por o George Michael com 19 anos, o seu ponto de vista não seria o dos adultos como aqui são retratados.

“Club Tropicana” (1983)
O quarto e derradeiro single extraído do alinhamento do álbum Fantastic levou a música e a temática das canções dos Wham! a outros destinos. O choque de gerações cede aqui lugar a uma sátira aos pacotes de férias que estavam então em voga, ideia que o teledisco (rodado num resort em Ibiza) sublinha. A música deixa também para trás a angulosidade white funk dos singles anteriores e revela uma identidade pop mais ligeira e solarenga. Foi um dos maiores êxitos desse ano.

“Wake Me Up Before You Go Go” (1984)
Mais ligeiros, mais coloridos, mais… pop. De 1983 para 1984 os Wham! reinventam-se e, deixando para trás as temáticas mais focadas na rebeldia, no conflito de gerações e emprego, que serviram sob clima white funk, surgem animados por ecos da pop clássica dos sessentas numa canção leve e luminosa que os elevou ao estatuto de popularidade global que passaram a viver. O teledisco, rodado na Brixton Academy, ajudou a fixar uma nova imagem de teen idols para os dois músicos.

“Freedom” (1984)
Três meses após a edição de Wake Me Up Before You Go Go e chegando em tempo de assinalar o lançamento do álbum Make It Big, o single Freedom confirmava em pleno não apenas os novos caminhos na estética sofisticada mas com alma nostálgica evocativa dos anos 60 que definia os novos caminhos da música dos Wham! como cimentava um estatuto de celebridade mundial que deles fez, por aqueles tempos, a banda pop de maior impacte entre o público mais jovem. O single deu-lhes visibilidade reforçada durante o verão e ajudou a fazer do álbum um dos fenómenos de popularidade do ano. Três anos depois George Michael citaria a melodia Freedom na introdução do tema-título do seu álbum de estreia a solo.

“Last Christmas” (1984)
A canção que os Wham! gravaram tendo em conta o Natal de 1984 ficou na história como uma das mais populares do género. Cada vez mais longe do som white funk que havia dominado o álbum de estreia do grupo em 1983, os Wham! de 84 eram estrelas planetárias pop mainstream, jogando o jogo da melodia certa, do arranjo unânime, do apelo geral… Com êxitos como Wake Me Up Before You Go Go e Freedom somados ao longo do ano e o álbum Make It Big entre os mais populares do momento, prepararam um single especial para o mercado de Natal. Last Christmas é uma canção peganhenta, fácil, mas de tanto ouvida acabou no lote dos clássicos do seu tempo. Está longe de ser das melhores dos Wham! (antes pelo contrário), e tinha um teledisco de fugir. Mas tornou-se um clássico.

“Everything She Wants” (1984)
A reta final de 1984, o ano em que os Wham! se viram catapultados para um patamar de popularidade global, acolheu a edição de um single “double A side”. Numa das faces surgia Last Christmas que, dado a quadra que acolhia o lançamento, foi inicialmente a mais tocada nas rádios. Mas, passado o Natal, as atenções voltaram-se para o outro tema do single, uma canção mid tempo de alma inspirada em ecos do electro funk e que, numa versão diferente da apresentada no álbum, se fez um dos momentos mais inesquecíveis da obra dos Wham!, tanto que foi das poucas canções do duo que George Michael mais tarde apresentou em atuações a solo. O impacte da canção levou mesmo alguns mercados a reeditar o single trocando as faixas e usando nova capa, destacando este tema.

“I’m Your Man” (1985)
Após um silêncio de nove meses, os Wham! regressaram aos discos em setembro de 1985 com um single que vincava, depois de Freedom! e Wake Me Up Before You Go-Go, um ainda mais profundo mergulho em heranças da pop e soul dos anos 60. I’m Your Man deu-lhes novo êxito global, julgando-se então que seria o primeiro capítulo para um terceiro álbum de estúdio. Contudo, poucos meses depois, anunciariam a separação com um EP, uma antologia e um concerto de estádio. Rodado no mítico Marquee, o teledisco que acompanhou I’m Your Man mostrava então os dois músicos (sobretudo George Michael) com uma imagem consideravelmente diferente da que os tinha feito estrelas pop entre 1983 e 84. Era, afinal, mais um sinal de que uma carreira a solo vinha a caminho, apontada a um público mais adulto.

“The Edge Of Heaven” (1986)
Este adeus foi encenado e devidamente noticiado. Um EP com três temas novos e uma remistura de Wham Rap!, um best of que juntava todos os singles desde o primeiro. E um concerto para assinalar o derradeiro episódio de vida pública do duo, perante um estádio de Wembley à pinha. Se há uma canção que traduza o final da vida dos Wham! ela é assim a que deu título ao EP de despedida e que valeu ao grupo mais um momento de impacte global. Contando com a presença convidada de Elton John ao piano, The Edge Of Heaven é uma canção que conclui o espaço de exploração de heranças do R&B dos sessentas em terreno pop dos oitentas, sob a mesma capacidade de viver entre o presente e a nostalgia que antes tinham já projetado em canções como Wake Me Up Before You Go Go, Freedom e I’m Your Man. A canção Where Did Your Love Go, outra das inéditas deste último EP, seria editada em alguns territórios no formato de single sem, contudo, repetir o impacte de The Edge Of Heaven… Poucos meses depois George Michael tinha em I Knew You Were Waiting (dueto com Aretha Franklin) e em I Want Your Sex (já a solo), passos seguros de uma carreira em nome próprio. Andrew Ridgley editaria um álbum a solo em 1990, antes de se afastar da música.

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