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Os dez melhores filmes de Steven Spielberg

Seleção e textos: NUNO GALOPIM

Neste 2016 que vai assinalar o 70º aniversário de Steven Spielberg, fica aqui, em contagem decrescente, um olhar ordenado sobre os seus dez melhores filmes como realizador.

1. “Encontros Imediatos de Terceiro Grau” (1977)
O ano de 1977 representa um ponto de viragem na história do cinema de ficção científica. Por um lado acolhe a estreia de A Guerra das Estrelas, de George Lucas. Por outro assinala também a chegada aos grandes ecrãs de Encontros Imediatos de Terceiro Grau, filme de Steven Spielberg que, depois de Tubarão (1975) o estabelece como uma das novas grandes forças do cinema norte-americano. O filme materializou o que era um projeto já com alguns anos do realizador, que queria experimentar o espaço da ficção científica e surge numa época em que, talvez como consequência de uma cultura gerada pelos filmes de série B (e menor) dos anos 50 e 60, o interesse pelos “ovnis” (objetos voadores não indentificados) gerava dúvidas generalizadas sobre se estaríamos ou não sós no universo. O próprio título refere um conceito levantado por “ovniologistas”: um encontro imediato é aquele em que existe, além do contacto visual com um alienígena, um momento de comunicação.

O filme começa por apresentar uma série de situações em locais bem distintos do globo. Todas elas resultam de fenómenos aparentemente estranhos, algo acabando por ligá-los… Uma equipa de cientistas recolhe e estuda os dados, levantando hipóteses. Mas Spielberg opta por seguir antes duas famílias, cada qual com uma história pessoal de relacionamento com fenómenos invulgares. Visitantes de um outro mundo? Cruzando informações e juntando pontas soltas os protagonistas acabam por seguir rumo a uma antiga chaminé vulcânica no Wyoming. Quem os espera?…

Visualmente deslumbrante – fruto de mais um trabalho de efeitos visuais de Douglas Trumbull, o mesmo que esteve com Kubrick em 2001: Odisseia no Espaço – e inteligentemente centrado na exploração das personagens (uma delas interpretada por François Truffaut) o filme junta ainda um elemento adicional determinante: a música. E não apenas pela banda sonora criada por John Williams, já que uma das formas de comunicação que permite a ligação entre os humanos e os alienígenas que nos visitam é mesmo a música.

2. “Os Salteadores da Arca Perdida” (1981)
Steven Spielberg era já um nome seguro no mapa do cinema de grande bilheteira quando, na alvorada dos anos 80, apresentou uma das suas mais inesquecíveis criações: o arqueólogo e aventureiro Indiana Jones. O projeto nasceu de uma história que tem George Lucas como um dos autores mas convenhamos que um dos trunfos mais certeiros foi o casting do protagonista, apontando a escolha a Harrison Ford (que tinha já alguma visibilidade global então como Han Solo em Star Wars). O filme (como o terceiro, anos depois), coloca a ação num tempo em que a Alemanha nazi surge como adversário das pesquisas e aventuras de Indiana Jones. Neste primeiro “capítulo”, apesar de várias outras geografias visitadas, o Egito tem um papel central no desenvolvinento central da ação. Com os ingredientes clássicos do cinema de aventuras, uma grande banda sonora de John Williams, o poder de storytelling de Spielberg e o sentido de humor com que Harrison Ford compôs a personagem, resultaram num fenómeno que lançou uma saga. Que, pelos vistos, continua ativa…

3. “E.T. – O Extraterrestre” (1982)
Desde que, em finais do século XIX, H.G. Wells fez da possível chegada à Terra de alienígenas uma fonte de novos medos (como os que temiam os invasores de outros tempos), a ficção científica visitou, vezes sem conta, cenários de invasores e invasões. Em E.T. – O Extraterrestre, Steven Spielberg partiu de memórias da sua própria infância e, dos dias em que, após a separação dos pais, encontrou alguma companhia e segurança junto de um amigo imaginário, criou esta história que leva um botânico chegado de um mundo distante a fazer um jovem amigo na Terra. O filme, que junta ingredientes de ficção científica e aventura (sem deixar de retratar uma família com pais separados) revelou-se um sucesso de dimensão planetária, criando um novo recorde de bilheteira que seria batido anos depois por Parque Jurássico (também de Spielberg).

4. “A.I. – Inteligência Artificial” (2001)
O projeto tinha começado a ser desenvolvido por Stanley Kubrick nos anos 70, tomando por base o conto Supertoys Last All Summer Long de Brian Aldiss, publicado em finais dos anos 60. Kubrick chegou a desenvolver ideias sobre um treatment de Ian Watson mas, achando que a tecnologia não lhe permitia ainda criar as imagens de que necessitava, deixou o filme na gaveta até que, em 1995, o entregou a Steven Spielberg. A produção só avançou após a morte de Kubrick, mantendo Spielberg um argumento bastante fiel ao que Kubrick estava a idealizar, fazendo deste seu filme uma referência no cinema de ficção científica, explorando as relações entre o homem e a máquina e, no fundo, o desejo de humanidade que pode brotar de uma inteligência artificial.

5. “A Lista de Schindler” (1993)
Um dos melhores filmes de ficção sobre o Holocausto, A Lista de Schindler nasceu contudo de uma narrativa enraizada em factos e figuras reais, recordando como um astuto e decidido industrial alemão conseguiu desviar uma pequena multidão de judeus polacos de um destino de morte em Auschwitz. Baseado num romance que evoca a figura de Oskar Schindler, Spielberg (que durante algum tempo ponderou se não deveria ser outro a fazer o filme) acabou a tomar o projeto nas mãos, fazendo grande parte da rodagem em volta de Cracóvia, onde estes factos ocorreram. Filmado a preto e branco, A Lista de Schindler acabaria por conceder ao realizador a consagração que há muito lhe falhava nas noites de entrega dos Óscares. Das 12 nomeações conquistou sete, entre os quais Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento Adaptado e Melhor Banda Sonora.

6. “Tubarão” (1975)
Um ano depois da estreia nos grandes ecrãs com Asfalto Quente (título português de Sugarland Express) e quatro após a promissora apresentação televisiva de Duel – Um Assassino Pelas Costas, o segundo filme de Steven Spielberg fez história por variadíssimas razões. Em primeiro lugar foi Tubarão o responsável pela criação do modelo de mercado a que se convencionou designar como blockbuster. Depois abriu uma vaga de filmes com tubarões e outros predadores (nenhum deles chegando sequer aos calcanhares deste). E, mais do que no filme de 1974, mostrou porque tinha o realizador encontrado em John Williams a voz musical dos seus filmes. Tubarão, baseado no romance homónimo de Peter Benchely, leva-nos a um resort de férias ficcional (mas colocado na região de New England) que assiste a uma série de ataques de um grande tubarão branco, em cuja perseguição parte o responsável pela segurança da ilha, um biólogo e um caçador de tubarões.

7. “O Resgate do Soldado Ryan” (1998)
O ano de 1998 assistiu à chega aos ecrãs de dois dos três melhores filmes de sempre sobre a Segunda Guerra Mundial. Eram eles A Barreira Invisível, de Terrence Malick (retratando, com a batalha de Guadalcanar por cenário “macro” um olhar pessoal por aqueles que combatiam no terreno) e O Resgate do Soldado Ryan, filme no qual Steven Spielberg assinou um marco histórico na representação cinematográfica do Dia D (aquela sequência de abertura, nas praias da Normandia, é de arrepiante realismo “imersivo”, como agora se diz). O terceiro dos títulos deste trio seria As Cartas de Iwo Jima, de Clint Eastwood. Por todos passava uma capacidade de estabelecer pontes entre os planos de conjunto que definia o contexto e o universo particular dos que a narrativa tomava por protagonistas, escutando os seus medos, anseios, sonhos ainda possíveis. O filme de Splielberg teria, de certa forma, uma descendência direta na série Bando f Brothers.

8. “Lincoln” (2012)
Este é um filme falado, que nos coloca nos bastidores da votação de uma emenda à constituição americana que deixou o presidente na história pelo facto de ter sido ele o rosto da abolição da escravatura nos EUA. Tem, por um lado, ressonâncias evidentes entre aquele e o nosso tempo, particularmente num momento em que um afro-americano ocupa agora a Casa Branca e uma figura como a de Donald Trump acaba de ser nomeada pelo mesmo partido que levou Abraham Lincoln à presidência. Por outro é mais um exemplo de uma atenção de Spielberg por figuras e factos reais que têm passado por alguns dos seus filmes mais recentes, como são também exemplo Munique (sobre um caso ocorrido durante as olimpíadas de 1972) ou o já aqui referido Ponte dos Espiões.

9. “O Império do Sol” (1987)
Baseado no romance semi-autobiográfico que J.G. Ballard publicou em 1984, e no qual evocava ecos de memórias vividas na China, na alvorada da década de 40. Com um ainda muito jovem Christian Bale como protagonista, o filme acompanha as dramáticas transformações do filho de uma família colonial inglesa abastada que, depois da tomada de Xangai pelos japoneses, se vê só, a principio a fazer o dia a dia entre a carcaça vazia do bairro onde residia e, depois, fechado num campo de prisioneiros japonês, longe da cidade. O filme repara então o modo como o jovem, que vive entre a comunidade inglesa do campo, observa os comportamentos tanto dos americanos ali detidos como dos japoneses seus carcereiros. A perda da inocência, que se faz aos poucos, não apaga contudo uma paixão sua pelos aviões, de um pas de deux entre o ator e um caça P-51 Mustang surgindo a mais icónica das cenas do filme.

10. “Ponte dos Espiões” (2015)
O filme recorda a teia de acontecimentos entre finais dos anos 50 e a alvorada dos 60, envolvendo um avião de espionagem norte-americano abatido sobre território soviético e cujos destroços foram mostrados à imprensa, e com o respetivo piloto levado a tribunal, sendo mais tarde proposta a sua troca com um espião russo. Steven Spielberg não se limita contudo a fazer uma enumeração de factos e sua arrumação no tempo e no espaço, não deixando contudo de procurar um sentido de realismo ao filmar algumas sequências in loco, tanto em Berlim como em Brooklyn. Com um sóbrio Tom Hanks no papel do advogado que foi encarregado de defender o espião russo (Mark Rylance) em tribunal e, depois, negociar a sua troca em Berlim, Spielberg explora as personagens e as suas relações, dando-nos uma clara impressão do clima de guerra fria e terror nuclear que se viva, não apenas no patamar oficial mas no plano da sociedade.

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