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Sobre carris, à descoberta de (boas) histórias

Texto: NUNO GALOPIM

Através de “Inesquecíveis Viagens de Comboio” caminhamos pelo mundo, conhecendo, com bom humor e informalidade, os veículos sobre carris e as populações que ligam entre si.

É preciso ter imaginação para andar pelo mundo fora a captar imagens, figuras e histórias que permitam criar documentários que tragam o sabor da surpresa ou da descoberta. É verdade que o mundo é vasto, cheio de narrativas por contar. Mas é importante não deixar de visitar lugares e factos, nem que para reavivar a memória ou encontrar novos pontos de vista. E é isso o que faz Inesquecíveis Viagens de Comboio, série documental francesa – de título original Des Trains Pas Comme Les Autres – que usa um dispositivo antigo, o da viagem de comboio, para dar a conhecer não apenas os veículos e quem neles viaja, mas os lugares, a gentes e as vivências dos lugares a que podemos chegar pelos caminhos de ferro.

A série tem uma vida antiga, que remonta a 1987, somando então 36 episódios que foram produzidos e estreados de forma irregular até 2005. Em 2011 uma remodelação afinou o modelo de produção e exibição, gerando as novas temporadas (a sexta está a ser apresentada neste momento em França) que a RTP2 tem estado a exibir diariamente ao serão.

O novo modelo assenta em primeiro lugar nas capacidades de comunicação e empatia que o apresentador Philippe Gougler (um rosto familiar da France 3) consegue estabelecer entre aqueles que conhece no terreno mas também com o espectador. O ritmo de montagem, que resolve o problema (clássico) da tradução ao optar pelo uso do francês no apresentador e o da língua local no entrevistado (com legendas) assegura uma dinâmica de diálogo que garante um ritmo coloquial às conversas, mesmo quando travadas em idiomas que os interlocutores desconhecem de parte a parte. A montagem cria a ilusão da comunicação fluente. E a conversa avança, sobre carris…

Cada episódio escolhe um país, caminhando mais em linhas regionais do que nas suburbanas. E assim tanto encontramos uma comunidade de ascendência alemã que vive sem a tecnologia do presente algures perto da fronteira da Bolívia com o Brasil, como descobrimos uma fábrica de finíssimas folhas de ouro no coração do Myanmar… Por vezes são os próprios comboios os protagonistas. No episódio passado na África do Sul tanto caminhamos por um serviço de luxo que leva apenas cerca de 30 passageiros em todas as carruagens (a cada um cabendo um quarto como num hotel chique) como visitamos os pacientes que aguardam as consultas num comboio médico que anda por aldeias remotas para dar consultas de oftalmologia, estomatologia ou clínica geral.

Não é a primeira vez que vemos documentários sobre comboios. Nem sobre comunidades de zonas remotas do mundo. Mas por aqui a descoberta de boas histórias, sempre com um sorriso, é garantida.

“Inesquecíveis Viagens de Comboio” passa de segunda a sexta, por volta das 20.30, na RTP 2.

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2 Comments on Sobre carris, à descoberta de (boas) histórias

  1. Vi o da Argentina e fiquei maravilhada.

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  2. Toda noite reservo uma hora para viajar nessa série. Acho divertido, interessante e impossível não admirar a simpatia do apresentador Philippe Gougler e do povo que ele encontra. Muito bom!

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