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Quando valia a pena ouvir os Simple Minds…

Com a agenda das novas em disco a conhecer intervalos cada vez mais extensos, muitas das reais novidades acabam por surgir no espaço das reedições. E depois de tantas operações de resgate de memória que houve já, do vinil para o CD, do CD para o CD remasterizado, sem esquecer o CD com extras e, mais recentemente, do regresso ao vinil, agora em prensagens de 180 gramas, resta aos músicos e editores programas sistemáticos de reativação de gravações de arquivo (como o tem feito Bob Dylan) a criação de olhares “integrais” sobre os discos que fazem a sua história. E, aqui, os Simple Minds têm já em cena dois episódios que mostram como se pode criar uma edição que sorva, ao tutano, a memória de um álbum. Assim foi com Sparkle In The Rain (de 1984), o disco que assinalou o início da etapa de popularidade global, reeditado em 2015 numa caixa com 4 CD e um DVD que recordavam toda a sua criação de fio a pavio. Agora é a vez de fazer o mesmo com New Gold Dream (81/82/83/84), o álbum de 1982 que fez a ponte fase a etapa em que a banda caminhava filiada em terreno new wave, tão assombrado como animado pela presença das emergentes eletrónivas, e a era que os levaria a habitar os estádios na segunda metade dos anos 80.

Síntese polida de algumas ideias lançadas nos cinco álbuns editados entre 1979 e 1981, New Gold Dream é um álbum que traduz o clima pop de ascendência pós-punk que então fazia escola no Reino Unido, revelando já uma clara expressão vocal demarcada de um vocalista (Jim Kerr) em pico de forma. Canções como Promissed You a Miracle ou Glittering Prize são aqui exemplos da celebração de uma face pop mais exuberante nos diálogos entre electrónicas e guitarras, sem porém repetirem o sentido de desafio e angulosidade de I Travel, tema que abria o alinhamento de Empires and Dance, disco de 1980 que representa um dos momentos maiores da obra do grupo. O tempo revelaria um desvio progressivo para terreno pop/rock mais classicista, parecendo o grupo render-se aos U2 para quem este New Gold Dream teria sido peça inspiradora de mudança na hora de criar The Unforgetable Fire.

Esta reedição explora o tempo de New Gold Dream em várias frentes, juntando em 5 CD e um DVD um olhar antológico que contempla, além do álbum, os lados B, versões máxi, maquetes e uma série de sessões gravadas na rádio (algumas recentemente descobertas). O volume de gravações é exaustivo, sendo claramente apontado ao admirador mais convicto. O álbum em si, merece ser (re)descoberto já que, juntamente com os títulos da etapa anterior da discografia dos Simple Minds, mostram uma banda bem mais interessante do que aquela que o triunfo global da pop amansada de Once Upon a Time (1985), Street Fighting Years (1989) e Real Life (1991) terá deixado na memória de muitos.

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