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O disco que transformou Grace Jones

Texto: NUNO GALOPIM

Depois de “Nightclubbing” o álbum de 1980 “Warm Leatherette” continua o processo de revisitação da obra de Grace Jones numa edição com extras e contextualização assegurada.

Os três primeiros álbuns de Grace Jones, que correspondem à sua discografia nos anos 70, são mais uma curiosidade (e um eventual motivo de interesse) para os seus admiradores do que um episódio de importância maior na história da música. Se excetuarmos a leitura (magnífica) de La Vie en Rose, os seus três álbuns disco são peças discretas entre o extenso volume de edições do género por aqueles dias. Foi com a chegada dos oitentas e a decisão de mudar de levar a sua música a mudar de rumo e de geografia que Grace Jones (e a visão do editor Chris Blackwell) encontraram um caminho. E antes de alcançada a obra-prima – na forma do soberbo Nightclubbing, de 1981 – coube ao disco que estreou a nova etapa um papel de definir, com sucesso, os novos argumentos e azimutes… E assim, em 1980, o mundo ficou a saber que a história pop da nova década que ali começava não se contaria sem a presença de Grace Jones.

Os estúdios Compass Point, nas Bahamas, foram o destino para sessões que convocaram novos parceiros de trabalho, entre os quais a dupla Sly & Robbie, Alex Sadkin ou Wally Badarou, com eles seguindo ingredientes reggae, dub e new wave e um conjunto de canções que, de autores bem diferentes e proveniências distintas, encontram em Grace Jones a maior denominador comum, em conjunto criando um álbum que deixava claras as novas potencialidades em jogo e sugeria que valia a pena ficarmos atentos às cenas dos próximos capítulos.

Com o tema histórico dos The Normal, Warm Leatherette como tÍtulo, o álbum inclui versões de canções como Love Is The Drug (Roxy Music), Private Life (Pretenders), The Hunter Gets Captured By The Game (Smokey Robinson) ou Breakdown (de Tom Petty & The Heartbreakers, mas para a qual Tom Petty escreveu um verso extra) e um original inédito, A Rolling Stone, coescrito pela própria Grace Jones. Na versão original do álbum, por razões de tempo que o formato de vinil impunha, muitos dos temas foram incluídos nas suas versões curtas. A nova reedição junta as misturas longas dos máxis, assim como as leituras dub que muitos deles conheceram na época.

Além da música o disco teve também um peso determinante na reinvenção da imagem já que representou o primeiro a usar uma fotografia tirada por Jean Paul Goode, que o tempo reconheceria como o mais importante parceiro de Grace Jones na construção do look que explorava as qualidades andróginas e todas as ambiguidades do seu corpo.

Warm Leatherette, editado em 1980, foi o primeiro de uma série de três discos – os outros são Nightclubbing (1981) e Living My Life (1982) – que fazem o corpo central da obra de Grace Jones, que antecede a experiência (também magnífica) com Trevor Horn em Slave to The Rhythm (1985).

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