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O regresso de um herói dos tempos da origem da revista Tintin

Texto: NUNO GALOPIM

A assinalar os 70 anos do aparecimento de Corentin nas páginas da revista “TinTin”, uma aventura baseada num texto em prosa de 1975 surge com desenhos de Christophe Simon.

Tal como as bandas pop/rock anunciam reuniões e regressos, também no universo da banda desenhada não têm faltado histórias de figuras que, ausentes durante longos hiatos, acabam por regressar às páginas dos livros. Personagem criada por Paul Couvelier para uma existência com primeiro destino na revista Tintin em finais dos anos 40 e, depois, segunda vida em álbuns que foram publicados entre 1950 e 1974, Corentin é um herói que, um pouco na linha de Alix, é um estranho que conquista o seu lugar entre aqueles que o acolhem e junto dos quais desenha uma nova vida. Se Alix era um jovem gaulês que conquistou o seu lugar de relevo no mundo romano, Corentin é um jovem órfão de ascendência bretã cujo destino o deixou no grande subcontinente indiano, que serviu de cenário às aventuras que, na sua expressão original, decorreram entre as que lemos em “Les Extraordinaires Aventures de Corentin” (que chegou a livro em 1950) e “Le Royaume des Eaux Noirs” (1974). Mais de 30 anos depois, e partindo de um velho argumento de Jean Van Hamme, Corentin regressou aos livros em 2016. Como se o tempo por ele não tivesse passado.

A partir de texto em prosa de Jean Van Hamme originalmente publicado em 1975, o desenhador Christophe Simon fez de “Les Trois Perles de Sa-Skya” uma homenagem à figura de Corentin e ao seu autor, nos 70 anos da publicação das primeiras pranchas. O argumento é de alma clássica, traduzindo a essência das demais aventuras da série e expressando ecos de uma visão ocidental sobre outras culturas que encontrou eco em muita criação de ficção de meados do século XX.
Além das características do desenho, as próprias marcas de identidade da figura de Corentin, do seu amigo Kim e do fiel tigre que o acompanha tecem afinidades para com o universo de Alix, pelo que não espanta que tenha sido um autor com importante trabalho no mundo de personagens de Jacques Martin a tomar este desafio em mãos.
Estamos perante uma narrativa que de alma vintage, até mesmo datada, mas que não destoa se o objetivo é o de homenagear uma figura com história antiga antes de, numa eventualidade, a projetar numa nova vida… Para já Les Trois Perles de Sa-Skya é uma janela no tempo que é contudo desenhada e aberta na atualidade. E junta, como apêndice, alguns desenhos que ajudam a mostrar como o novo autor procurou no seu traço encontrar um caminho seguro para o seu Corentin.

“Corentin – Les Trois Perles de Sa-Skya”, de Christophe Simon e Jean Van Hamme, é uma edição de 56 páginas, em capa cartonada, da Le Lombard.

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