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Quando o poder muda de mãos pela força

Texto: NUNO GALOPIM

Uma edição especial da revista “Le Point” recorda golpes de estado, revoluções e complots da história num panorama que cruza séculos mas que não recorda um único caso português.

Chegou no momento certo, tendo aparecido nos escaparates pouco depois dos acontecimentos recentes na Turquia e já com o processo de destituição da presidente brasileira em curso (que de resto é tema de um dos artigos). Mas num balanço de factos, que recuam aos tempos da antiga Grécia e da república romana, cruzando séculos de história, a edição especial da Le Point sobre complots e golpes de estado é um olhar panorâmico sobre episódios em que o poder mudou de mãos ao longo dos séculos. Um olhar que, geograficamente, não passa contudo para cá da nossa fronteira já que ignora todas e quaisquer situações made in Portugal que poderiam figurar neste quadro de narrativas, seja o momento em que o filho mais novo de D. João IV afastou do poder o irmão, D. Afonso VI ou qualquer das revoluções que fizeram mudar o regime entre nós no século XX, respetivamente em 1910, 1926 e 1974.

Apesar do luso-silêncio, esta revista (que deixa outras mais revoluções fora das suas páginas) coloca-nos perante uma interessante série de artigos que recordam motivos e protagonistas desses episódios em que o poder foi tomado de assalto, umas vezes de forma mais violenta do que em outras. Do passado mais remoto recordam-se as ações de regresso à ordem anterior que se seguiram à morte de Akenatón (faraó que mudou a religião oficial e impôs o primeiro culto monoteísta), o caminho que levou a Grécia a encontrar o modelo da democracia ou os mecanismos que permitiram mudanças de poder antes da instauração do império em Roma.

Os textos, geralmente de uma a quatro páginas, encaminham-nos depois pelos séculos fora, passando pelas memórias de violência religiosa na França de finais do século XVI – que custaria a vida aos reis Henrique III e Henrique IV – a queda do Terror que encerrou um capítulo na história da revolução francesa ou o golpe que elevou o presidente eleito Luís Napoleão a imperador, como Napoleão III.

O século XX está ainda mais documentado, desde factos que mudaram o curso da história na Rússia de 1971, Itália de 1922 e Espanha de 1936 às que levaram Fidel Castro ao poder em Cuba em finais dos anos 50 e Pinochet no Chile, em 1973.

Há ainda uma série de artigos sobre golpes falhados, cabendo aí referências tanto aquele que Hitler encabeçou em Munique em 1922 ou o que fez tremer por horas a (ainda) jovem democracia espanhola em 1981.

O “caso” Dilma Roussef é analisado num artigo que encontramos na sequência final da revista na qual são abordados os casos mais recentes e que termina com um apanhado de teorias da conspiração associadas a vários momentos da história.

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