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Um conto dos irmãos Grimm num palco de ópera

Texto: NUNO GALOPIM

Uma gravação de arquivo captada em finais dos anos 70 devolve a disco a ópera de 1943 “Die Kluge”, uma das mais importantes obras de teatro musical do compositor alemão Carl Orff.

A música para teatro representou um dos espaços de maior protagonismo na obra do compositor alemão Carl Orff (1895-1982). Sistematicamente reduzido nos escaparates das lojas discos a uma multidão de gravações de Carmina Burana, cantata cénica estreada em 1937, Carl Orff é nome que na verdade aí não esgota a visão de uma linguagem claramente pessoal e bem demarcada.

O vigor do ritmo sustenta a estrutura de muita da sua música, as vozes aceitando essa geometria arrumada, as cores das orquestrações não seguindo os padrões da grande orquestra, escutando preferencialmente metais e percussões…

Carmina Burana, verdadeira referência maior da música do século XX – usada desde a publicidade ao cinema, do Saló, ou os 120 Dias de Sodoma de Pasolini ao Excalibur de John Borman – pode representar o paradigma de uma ideia encontrada. Mas partilha necessariamente com Catulli Carmina (1943) e a ópera Der Mond (1939) um trio de referências maiores de uma obra cujos horizontes abrangem ainda uma multidão de peças curtas criadas para programas de ensino musical e (numa primeira etapa da sua carreira) um interesse peculiar pela revisitação de obras de um passado mais remoto (com Monteverdi como importante pólo).

Ocasionalmente surgem em disco registos de outras obras suas. E este ano acolheu há poucas semanas a edição em CD – também disponível em plataformas de streaming – da ópera Die Kluge, num registo histórico captado na segunda metade dos anos 70 contando com a presença da Orquestra Sinfónica da Rádio de Leipzig, sob direção de Herbert Kegel.

Em finais dos anos 30 Carl Orff iniciou o trabalho numa ópera que completasse um díptico com Der Mond. Estrada em 1943, Die Kluge recupera uma vez mais ecos de tradições narrativas germânicas, representando artisticamente um importante passo na definição das linguagens do compositor que, tendo entretanto encontrado uma voz em Carmina Burana, aqui estruturava uma ideia de escrita para o palco que seria determinante em etapas seguintes da sua obra.

Die Kluge tem libreto assinado pelo próprio Carl Orff, a partir de uma ideia num conto dos irmãos Grimm que surge em algumas traduções portuguesas como A Camponesinha Sagaz ou A Filha Inteligente do Camponês.

Esta gravação de “Die Kluge”, de Carl Orff, está disponível numa edição em 2CD pela Berlin Classics.

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