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“Batman”: Cenas de festa e assombrações, ao serviço de Tim Burton

Texto: NUNO GALOPIM

Editado em 1989, o álbum com as canções que Prince compôs e gravou para o filme homónimo de Tim Burton dividiu opiniões mas deu-lhe o maior êxito global desde “Purple Rain”.

Com o álbum Lovessexy editado e a digressão que o acompanhou a correr estradas, Prince começou a projetar uma nova ideia. E, tal como alguns anos antes, tinha um filme na linha do horizonte. Mas para conseguir financiamento para Grafitti Bridge (que na verdade estabeleceria uma ponte evidente com Purple Rain), havia contas a acertar. E era preciso voltar a ter um disco com capacidade para responder às necessidades. Nesse momento, e também através da Warner, o realizador Tim Burton realizava uma primeira nova abordagem (após uma primeira, nos anos 60) aos universos de Batman no grande ecrã. E tinha usado os temas 1999 e Baby I’m a Star para algumas das primeiras sequências filmadas. Gostou tanto do efeito que lançou o desafio: poderia Prince compor alguma música para o filme?

Antigo admirador de Batman nos seus dias de infância, Prince rumou aos estúdios Pinewood onde a rodagem decorria. Gostou dos cenários que viu. E, mais ainda, de algumas cenas já montadas que então lhe foram mostradas… Aceitou o desafio. Na verdade Tim Burton tinha a intenção de não fazer de Prince o único músico convidado a trabalhar no filme. Mas, entusiasmado, Prince apresentou em pouco tempo um álbum inteiro de novas canções. Onze ao todo, duas acabando contudo fora do alinhamento final, rumando 200 Balloons ao lado B do primeiro single deste disco, ficando outra – Rave N2 The Joy Fantastic – adiada para outra ocasião…

O filme não faria na verdade uso muito evidente de muitas das canções, destacando apenas Partyman (na sequência da entrada do Joker no museu) e Trust (numa parada pelas ruas de Gotham), ouvindo-se ainda The Arms of Orion nos créditos finais. Composta por Danny Elfman, habitual colaborador de Burton, a música orquestral composta e gravada para o filme teria uma presença bem mais evidente. Mas, editadas num álbum ao qual chamou Batman, as nove canções de Prince resultariam no seu disco com melhores resultados comerciais desde Purple Rain.

As nove canções traduziam ecos evidentes de um sentido de versatilidade que cruzara os álbuns editados ao longo dos anos 80, mostrando uma vez mais, em vários temas, sinais de um gosto pelo estabelecimento de pontes, uma vez mais com a cultura rock’n’roll e a forma da canção pop na mira, sem que isso contudo significasse um recuo na vontade em explorar uma vez mais as heranças primordiais do funk e do R&B como o fizera em Lovessexy.

O álbum gerou dois singles de impacte global. E se Partyman definia mais um encontro entre uma matriz funk e o viço elétrico das guitarras de escola rock, já Batdance, que foi o single de apresentação, mostrava uma peça de extensão invulgarmente longa, pensada em várias partes, como que traduzindo, embora com a figura de Batman na berlinda, uma síntese de muitas das experiências e conquistas realizadas ao longo da década cujo final se aproximava. Editada como terceiro single, a balada The Arms of Orion vincou uma vez mais a atenção de Prince com a face mais íntima e suave da sua música.

Batman dividiu opiniões na altura. Mas convenhamos que soube fechar em forma uma década invulgarmente feita de discos invulgarmente acima da média e sem tiros ao lado (criativamente falando) pelo meio. Os noventas, que estavam a chegar, seriam palco de experiências bem diferentes.

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