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Os dez melhores singles dos Divine Comedy

Seleção e textos: NUNO GALOPIM

Em tempo de assinalar o regresso em grande forma do grupo, aqui ficam, um a um, os dez melhores singles que fazem a história da discografia dos Divine Comedy.

E agora que chega Foreverland, aquele que é o melhor álbum dos Divine Comedy desde o “fim de século”, porque não um percurso através dos seus dez melhores singles?

É bem verdade que muitas das melhores canções dos Divine Comedy nunca chegaram a single. E basta citar exemplos como Your Daddy’s Car do álbum Liberation (1993), A Seafood’s Song, The Summerhouse ou Tonight We Fly de Promenade (1994, disco que nem sequer teve singles, como de resto acontecera com o anterior), Songs of Love de Casanova (1996), In Pursuit of Happiness de A Short Album About Love (1997) ou ainda Sweden de Fin de Siècle (1998) para quase termos aqui um “best of” do grupo sem ter sequer de convocar os singles.

Mas é entre os temas que foram escolhidos para ser os cartões de visita dos álbuns que vamos fazer este Top 10… Aqui vai…

1 “National Express” (1998)
Editado no final do verão de 1998 o álbum Fin de Siècle completou um tríptico de exercícios de uma escrita pop sinfonista, eloquente que projetaram em Neil Hannon tanto as heranças da grandiosidade orquestral dos discos de Scott Walker editara em finais dos anos 60 como reafirmaram a sua faceta satírica e bem humorada que começara a cativar atenções em Liberation e, entretanto, havia ganho lugar cativo na escrita das canções dos Divine Comedy. O álbum teve como cartão de visita o single Generation Sex, escolhendo depois como segundo reforço na campanha de promoção o mais imponente e classicista The Certainty of Chance. Ao terceiro single, este National Express, regressavam ao patamar do aperitivo e de algumas das melhores criações de Casanova, numa canção pop com viço, luz e brilho que traduz um retrato do mundo britânico de então que chegou a valer a Neil Hannon a acusação de ser classista. Coisas de que, ao contrário do vocalista dos Divine Comedy, não tem lá muito sentido de humor. E basta ver o teledisco para saber que esse é ingrediente que, aqui, nunca falta…



2. “The Pop Singer’s Fear of the Pollen Count” (1993)

Depois de um primeiro álbum praticamente ignorado, foi com Liberation, em 1993, que Neil Hannon chamou atenções para a visão pop que estava a criar sob o nome Divine Comedy. O álbum mostrava na verdade um olhar panorâmico sobre diversas heranças e formas, mas vincava desde logo um sentido de humor inteligente, um conhecimento das linguagens em questão e uma voz com qualidades (de afinação e de teatralidade) evidentes. O álbum não gerou quaisquer singles na época. Mas quando, depois do sucesso alcançado em meados dos anos 90 e na sequência de Fin de Siècle, chegou a hora de lançar um ‘best of’, uma das canções de Liberation foi chamada para uma segunda vida. E eis que, finalmente, seis anos depois de originalmente gravado, The Pop Singer’s Fear of the Pollen Count deu aos Divine Comedy um single que se juntou à lista dos seus êxitos de Top 20 (embora numa versão diferente, regravada).


3. “Becoming More Like Alfie” (1996)

Depois de álbuns de orçamento menor (mas capazes de sugerir potencialidades maiores), coube a Casanova o desafio de dar a Neil Hannon e aos Divine Comedy a oportunidade para levar as suas visões a outros patamares. O single de avanço, Something For the Weekend, mostrava outra ambição na composição e, sobretudo, nos arranjos. E insistia em expressões de bom humor que, na verdade, não eram de todo já surpresa para quem acompanhara os últimos discos da banda. O single valeu-lhe uma primeira presença no Top 20 britânico e serviu perfeitamente os objetivos de apresentar o álbum. Mais gourmet ainda seria o single seguinte, Becoming More Like Alfie, onde se jogava também com atmosferas pop retro que cimentavam o gosto pelo baralhar de referências temporais na música dos Divine Comedy.

4. “Love What You Do” (2001)
Depois de um conjunto de três álbuns editados entre 1996 e 1998, através dos quais Neil Hannon explorou a faceta mais eloquente e sinfonista da pop dos Divine Comedy – definindo afinal o que hoje reconhecemos como a mais consequente expressão de identidade da banda – na viragem do milénio optou por uma demanda de algo completamente diferente. Com Nigel Godrich (então já reconhecido pelo trabalho com os Radiohead) na produção e convocando uma maior participação da banda na moldagem das canções, assim nasceu Regeneration, um disco de alma mais rock, que se ajustou que nem uma luva a um tempo de extensão do calendário do grupo aos palcos dos festivais de verão. O álbum gerou três singles, dos quais este foi o primeiro.

5. “Everybody Kows That I Love You” (1997)
Consequência natural dos efeitos que Casanova projetou não só sobre o público, o mercado discográfico e o próprio Neil Hannon, o seu sucessor refletiu um aprofundar das linhas de trabalho ali lançadas. Assim nasceu A Short Album About Love, disco de alinhamento curto mas que, em alguns formatos, incluía faixas extra, entre as quais versões de temas de Stephin Merritt e de Burt Bacharah, o que sublinhava um corpo de referências que aos poucos ia ganhando forma desta maneira. Everybody Knows That I Love foi o único single extraído do álbum e deu aos Divine Comedy um dos mais sólidos êxitos da sua obra. O single surgiu no mercado na forma de três CD singles, cada qual juntando como extras canções gravadas num concerto gravado ao vivo com uma orquestra. Tornaram-se, assim, em conjunto, o único “álbum” live dos Divine Comedy até hoje.

6. “The Frog Princess” (1996)
Depois de três álbuns criados com orçamento discreto e com visibilidade não muito maior (embora despertando aos poucos as atenções sobre Neil Hannon), coube a Casanova ser a primeira produção mais desafogada, muito graças ao sucesso recente de um disco de Edwin Collins lançado pela mesma editora. O álbum foi o primeiro disco de Hannon a conhecer maior exposição internacional – correspondendo até a uma primeira visita a Lisboa – e assinalou então o início de uma atenção mais regular da sua discografia para com o formato do single, para cada um dos quais tendo sido criado um teledisco. Depois de Something For The Weekend e Becoming More Like Alfie este foi o terceiro e último single extraído de Casanova. A canção reflete uma grandiosidade sinfonista que cruza o disco e evoca os primeiros álbuns a solo de Scott Walker.

7. “The Certainty of Chance” (1998)
Depois de Generation Sex e National Express, a escolha para um terceiro single a extrair do alinhamento do aclamado Fin de Siècle não apontou a Sweden (que se tornara num dos momentos altos dos concertos que acompanharam o lançamento do disco) mas sim a uma canção talvez menos imediata, mas não menos imponente. Com um arranjo orquestral imponente, sugerindo uma atmosfera grandiosa, embora algo sombria, capaz de evocar heranças dos discos que Scott Walker editou em finais dos anos 60, The Certainty of Chance está longe de ser uma escolha óbvia para single. Mas era, na verdade, uma das canções mais assombrosas desse álbum que fez história em 1998.

8. “Come Home Billy Bird” (2004)
Três anos depois de uma experiência mais próxima das linguagens elétricas do rock – que em grande parte tiveram reflexo numa presença mais assídua dos Divine Comedy na estrada e, inclusivamente, no circuito de festivais de verão – Neil Hannon resolveu recentrar os destinos da música na essência mais clássica do que o grupo havia definido na reta final dos anos 90. Produzido pelo próprio Neil Hannon e misturado por Nigel Godrich, o álbum Absent Friends apostava sobretudo nesse reencontro, sem contudo repetir um alinhamento do calibre de discos anteriores. O single de avanço, no qual participou a DJ e apresentadora de televisão Laurene Laverne, é um dos pontos altos do alinhamento. E chegou acompanhado por mais um teledisco temático (seguindo as sugestões da letra da canção).

9. “How Can You Leave Me On My Own” (2016)
Se Catherine The Great, o single que assinalou há algumas semanas o final de um hiato de seis anos na carreira discográfica dos Divine Comedy, pouco mais parecia do que um (competente) exercício de escrita de Neil Hannon em quase piloto-automático, já o segundo single extraído de Foreverland revela outra inspiração. A canção traduz a essência de uma alma barroca e eloquente de uma música que não perdeu também o seu viço pop nem o sentido de humor “clássico” que há muito cruza a obra do grupo. O teledisco explora iconografia “napoleónica”, seguindo a mesma linha “histórica” do anterior. Mas, tal como a canção, também aqui em melhor…

10. “At The Indie Disco” (2010)
Uma paródia às noites nas pistas de dança “indie”, nas noites de quinta-feira, onde não faltam os Pixies, Cure, Stone Roses e a festa acaba sempre ao som de Blue Monday dos New Order (estou a citar a letra de Neil Hannon, ok?) fez de At The Indie Disco, single extraído do álbum que os Divine Comedy editaram em 2010 um dos raros momentos verdadeiramente memoráveis de Bang Goes The Knighthood, disco ao qual se sucedeu o maior hiato discográfico na história do grupo. O disco, produzido pelo próprio Neil Hannon, teve ainda um segundo single com o tema I Like.

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