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Amnistia como resolução de conflitos

Texto: FRANCISCO GONÇALVES SILVA

Após um período de dúvidas sobre a continuidade dos Crystal Castles, “Amnesty (I)” apresenta uma primeira tentativa de um regresso, agora com Edith Frances enquanto vocalista.

Outubro de 2014 foi um ponto final para um período na carreira dos Crystal Castles. Alice Glass, reputada pelas suas actuações ao vivo, anunciou o fim da sua passagem pela banda, alegando diferenças criativas e uma relação abusiva e tóxica com Kath. Fazendo disso argumento para abandonar o projecto, o futuro era incerto.

Inesperadamente, em Abril de 2015, a resposta ao depoimento de Glass chegou. Frail, o primeiro single (ainda em versão demo) era lançado como um prelúdio de um novo capítulo. Pouco depois Deicide, que entretanto evoluiu para Their Kindness Is Charade confirmava que afinal não havia um fim e Edith Frances tinha em mãos uma tarefa difícil: provar que não seria apenas “outra” vocalista.

Amnesty (I), o quarto álbum da banda canadiana chega depois de quatro anos de silêncio e complicações, mas traz inovações e uma reaproximação ao som que os elevou ao patamar de banda de culto. Juntando pouco mais de meia hora de música nova, este registo concilia o melhor que já fizeram numa década com uma tentativa falhada de inovação.

São canções como Char que realçam a fragilidade e a vulnerabilidade de Edith no meio de um álbum com uma mensagem extremamente política que os canadianos sempre sublinharam em todos os seus álbuns. São momentos como Fleece, Enth (que é genuinamente a melhor canção do conjunto) ou Concrete, que mostram a garra e a violência da mensagem deste novo álbum e, depois, salvam e compensam as tentativas pouco marcantes, como Chloroform ou Sadist.

Se a primeira parte do álbum se foca num lado cru e contestatário, no final entramos num declínio, em direcção a uma vertente mais pop. Kept, que contém citações a duas canções de Beach House, ou Ornament são exemplos de faixas que, apesar de agradáveis, nada acrescentam ao repertório de uma das bandas mais intrigantes da primeira década dos 2000.

Se estávamos à espera da bonança depois de uma tempestade de conflito, a conclusão é ambígua. Amnesty (I) dá-nos margem para pensar e refletir nesta nova versão 2.0 dos Crystal Castles. Edith Frances mostra ser uma presença coesa tanto na composição como na sua prestação ao vivo, mas terá sempre que conviver com o legado deixado por Alice Glass. No entanto, o novo álbum não veio em vão, mesmo apenas como forma dar a conhecer as capacidades de Frances ao lado de Ethan Kath. Além de evidenciar o panorama violento da actual sociedade em vivemos.

Crystal Castles
“Amnesty (I)”
Casablanca Records
★★★

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