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Mais terror em competição no MotelX

Texto: DIOGO SENO

O Festival de Cinema de Terror de Lisboa abre hoje a reentré cinematográfica com uma programação alargada a mais uma secção competitiva. Decorre até dia 11 no Cinema São Jorge.

“Don’t Breathe”, de Fede Alvarez

O MotelX é já um ritual, marcando a reentré cinematográfica com sustos para os amantes do cinema de género. Não fosse já um evento na cidade, o festival poderia este ano beneficiar da aparente maré de entusiasmo que o cinema terror tem gerado nos anos mais recentes.

Por coincidência, o filme que abre oficialmente o MotelX, logo à noite no Cinema São Jorge, Don’t Breathe, é um dos novos títulos a juntar-se a esse entusiasmo. O filme de Fede Alvarez está a ser um sucesso peculiar de bilheteira no seu mercado natal. Num Verão pautado por gigantescos fracassos de bilheteira e a má recepção crítica de quase todos os filmes dos grandes estúdios com honra de estreia estival, este modesto filme de terror que estreia comercialmente nas nossas salas também esta semana, fez figura de excepção na recepção crítica e de público nos EUA.

Mais uma vez, o festival promete fornecer um panorama da produção recente do cinema de género e proporcionar viagens no tempo em revisitações a obras consagradas e outras caídas no esquecimento.

Falando de obras que não caíram no esquecimento, o italiano Ruggero Deodato, realizador de um dos maiores filmes de culto do género, o controverso Holocausto Canibal, vai ser o convidado especial desta edição, onde o referido filme e outro do mesmo ano The House on the Edge of the Park, serão exibidos.

Outros convidados do festival são Mick Garris, que fará uma conversa com o público na companhia de Deodato, e que estará presente na projecção do seu Critters 2 ou a escritora e programadora canadiana Shelagh Rowan-Legg, que dará uma masterclass e apresentará a sessão especial de Trás el Cristal, a primeira obra de Agustí Villaronga, agora restaurada.


“Trás el Cristal”, de Agustí Villaronga

Um dos grandes eventos do festival será a homenagem ao realizador polaco Walerian Borowczyk, Make me Scream Again, feita em parceria com o colectivo White Noise, e que será composta por projecções de dois filmes destacados do realizador, em cópias restauradas, La Bête e Docteur Jekyll et les femmes. Daniel Bird, especialista na obra de Borowczyk, apresentará estas sessões e explorará mais a fundo a obra deste polémico realizador na masterclass “One Man Band: Walerian Borowczyk”.

Dando a redescobrir o passado do cinema de género português, na secção “Quarto Perdido”, o MotelX projectará Tiaga e A Princesinha das Rosas, dois episódios da série televisiva Contos Fantásticos, assinados por Noémia Delgado, realizadora que fez parte do Cinema Novo, desaparecida este ano. A outra sessão que completa esta secção é a de O Segredo das Pedras Vivas de António de Macedo. Esta obra revisita a minissérie de 1992, O Altar dos Holocaustos, que passou na RTP, que desde o início o realizador pretendeu ver como filme. A antestreia mundial da obra como António de Macedo a idealizou acontece nesta edição do MotelX, que já exibiu outros filmes da obra do realizador português.

A secção dedicada aos documentários sobre o género de terror acolhe este ano dois documentários que já vêm com a aclamação de outros festivais. Tickled debruça-se sobre um desporto de competição bizarro que consiste em aguentar cócegas, tornando-se na procura de uma realidade bem mais complexa que a da simples competição desportiva. De Palma é a entrevista sem restrições de Noah Baumbach e Jake Paltrow ao movie brat mais frequentemente esquecido: Brian De Palma.

Na maior secção do festival, que apresenta um panorama da produção recente do género, destacam-se os mais recentes filmes de Kyoshi Kurosawa (Creepy), de Olivier Assayas (o prémio de melhor realização em Cannes deste ano, Personal Shopper), de Rob Zombie (31) e de Na Hong-jin (The Wailing).


“Personal Shopper”, de Olivier Assayas

Para comemorar este ano a sua primeira década, o MotelX alargou a sua programação a mais uma secção competitiva de longas-metragens. Com foco apenas na produção europeia, esta mostra de sete longas-metragens, verá destacada uma com o prémio Méliès d’Argent atribuído pelo júri composto por Mick Garris, Ruggero Deodato e Fernando Ribeiro (vocalista dos Moonspell).

A sessão de encerramento do festival, que terá ainda uma secção para aterrorizar os mais novos, “Lobo Mau”, bem como uma série de eventos paralelos, decorrerá no próximo domingo, 11 de Setembro, com The Devil’s Candy a segunda longa-metragem de Sean Byrne (The Loved Ones).

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