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Queer Lisboa 20 apresentou a sua programação completa

"Absolutley Fabulous - The Movie"

Em 2016, o Queer Lisboa celebra a sua 20.ª edição com a exibição de um total de 114 filmes de 27 países, divididos as salas do Cinema São Jorge e da Cinemateca Portuguesa, que acolhe a retrospetiva dedicada a Derek Jarman.

Um dos grandes destaques da programação é estreia nacional de Absolutely Fabulous: The Movie, que será exibido em exclusivo no Festival, em duas sessões, uma na noite de abertura, dia 16, a segunda no dia seguinte. Na noite de abertura terá ainda lugar no Cinema São Jorge o espetáculo teatral 50. Orlando, ouve, escrito e dirigido por André Murraças, sobre o tiroteio que teve lugar na discoteca Pulse (na Florida, EUA) e que contará com a presença de vários atores e personalidades em palco, numa homenagem às vítimas do massacre. Entre os nomes confirmados estão Anabela Brígida, Cucha Carvalheiro, Inês Maria Meneses, Manuel Moreira, Rui Maria Pêgo, Vera Kalantrupmann, Victor D’Andrade.

Central na programação deste ano é a retrospetiva dedicada a Derek Jarman e ao cinema marginal britânico das décadas de 70 e 80. Ao todo serão exibidas oito longas-metragens, 15 curtas filmadas em Super 8, muitas delas recentemente redescobertas restauradas, como é o caso de Electric Fairy, o primeiro filme do cineasta, que data de 1971, ou Orange Juice, um documentário sobre a banda escocesa e que terá a sua estreia mundial no festival. A estes filmes são associados outros de realizadores seus contemporâneos e colaboradores, como John Maybury, Cerith Wyn Evans ou John Scarlett-Davis, que estará presente no Festival. Foram ainda convidados para esta retrospetiva o ator Keith Collins (ex-companheiro do realizador), o produtor James Mackay e William Fowler (do BFI – British Film Institute).


“Grandma”, de Paul Weitz

Este ano assinala-se o regresso da secção Panorama, na qual serão exibidos, em estreia nacional, Grandma, de Paul Weitz protagonizado por Lily Tomlin, Goat, um dos mais recentes filmes produzidos por James Franco, realizado por Andrew Neel e protagonizado pelo também cantor Nick Jonas ou La Belle Saison, de Catherine Corsini sobre duas mulheres que se apaixonam em Paris no epicentro do movimento feminista parisiense dos anos 1970. A dupla brasileira Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, de quem o Queer Lisboa exibiu no ano passado a primeira longa-metragem, Beira-Mar, voltam a estar representados no festival com O Ninho, projeto originalmente concebido como uma minissérie televisiva e que será apresentado como longa-metragem em Lisboa.

Temas como o isolamento na América profunda – AWOL (EUA), de Deb Shoval – , a liberdade sexual num contexto opressor – Barash (Israel), de Michal Vinik –, as famílias homoparentais – Rara (Argentina, Chile), de Pepa San Martín – os conflitos entre tradição e desejo pessoal – Spa Night (EUA), de Andrew Ahn –, a temática do VIH/Sida e da Profilaxia Pós-Exposição – Théo et Hugo dans la même bateau (França), de Olivier Ducastel e Jacques Martineau –, ou o despertar da sexualidade no meio indígena brasileiro – Antes o Tempo Não Acabava (Brasil, Alemanha), de Sérgio Andrade e Fábio Baldo – são abordados nalguns dos filmes que integram a Competição de Longas-Metragens. Sérgio Andrade estará no festival a apresentar o seu filme, bem como Händl Klaus, realizador que venceu o Teddy Award, na Berlinale, com Kater (Áustria), que também faz parte desta Competição.


“Tchindas”, de Marc Serena

A Competição de Documentários inclui Waiting for B. (Brasil), de Paulo César Toledo e Abigail Spindel, filme sobre um grupo de fãs de Beyoncé que espera durante semanas à porta do Estádio do Morumbi, em São Paulo, pelo concerto da cantora. O espanhol Marc Serena que, com Pablo García Pérez de Lara, traça em Tchindas (Espanha, Cabo Verde) um retrato da vivência queer em Cabo Verde, estará no festival a apresentar o seu documentário. A competição aborda ainda temáticas como a patologização da homossexualidade na Europa dos nossos dias – Bolesno (Croácia), de Hrvoje Mabić –, a luta pelos direitos civis numa comunidade rural de Myanmar – Irrawaddy Mon Amour (Itália), de Valeria Testagrossa, Nicola Grignani e Andrea Zambelli –, o processo de transição de género de um jovem músico norte-americano – Real Boy (EUA), de Shaleece Haas –, ou uma original abordagem à saída do armário – Coming Out (EUA), de Alden Peters.

O segundo ano da Competição Queer Art traz a Lisboa o artista e cineasta Vincent Dieutre, que apresentará em estreia mundial o filme Trilogie de nos vies défaites (França, Holanda, Bélgica), um retrato de três gerações que é também uma reflexão sobre os tempos modernos e os seus novos mecanismos virtuais de relação. André Antônio, realizador de A Seita (Brasil), um filme focado num universo distópico que tem como cenário a cidade de Recife, também estará presente no Queer Lisboa. Nesta secção surgem ainda títulos como Jason & Shirley (EUA), filme em que o realizador Stephen Winter recria os bastidores de Portrait of Jason (1967), documentário pioneiro ao aliar as temáticas da discriminação racial e da identidade sexual, da oscarizada Shirley Clarke; Las Lindas (Argentina), primeira longa de Melisa Liebenthal, que é também uma reflexão sobre a puberdade feminina; MA (EUA), estreia na longa-metragem da coreógrafa Celia Rowlson-Hall que cruza dança contemporânea, reflexão feminista sobre o corpo e a sexualidade, cinema de género e alegorias bíblicas; Strange Love (Índia), docuficção da premiada artista visual de Bombaim, Natasha Mendonca, centrada em duas personagens cujas vidas em transição – de género, classe, posição social – se cruzam sob o pano de fundo de uma megalópole também em constante transição; ou Where Horses Go to Die (França), de Antony Hickling.

As secções competitivas de curtas-metragens (uma delas destinadas a filmes de escolas de cinema) têm a respetiva programação já disponível no site oficial do festival.

Fora das secções competitivas realizar-se-á uma Sessão Especial do documentário Yes, We Fuck!, de Antonio Centeno e Raúl de la Morena, sobre como é vivida a sexualidade por parte de pessoas com diversidade funcional.

A atriz Susanne Sachsse, o Diretor do Sicilia Queer filmfest Andrea Inzerillo e o professor e crítico Rodrigo Gerace (na competição de longas-metragens); a Diretora do Doclisboa Cíntia Gil, o produtor da RTP Rui Filipe Oliveira e a jornalista britânica Sophie Monks Kaufman (na competição de documentários); a realizadora Aya Koretzky, o Diretor Artístico do festival In & Out, de Nice, Benoît Arnulf e o Diretor do Festival Córtex, de Sintra, José Chaíça (na competição de curtas-metragens); o realizador André Marques, o ator João Arrais e a distribuidora Margarida Moz (na competição de filmes de escola europeus); e o produtor James Mackay, o professor Rogério Taveira e o realizador Roy Dib (na competição Queer Art), compõem o júri da presente edição.

Também este ano o cinema será colocado em diálogo com outras expressões artísticas. Foi lançado um desafio a vários artistas – António da Silva, Carlos Jgm, Rui Palma, Sara Rafael, Vanda Noronha e Vítor Serrano – para tirarem uma fotografia que ilustre o espírito transgressor de 20 anos de Festival. As imagens estarão em exposição no Cinema São Jorge e deram origem a uma coleção limitada de postais. O Queer Lisboa, numa parceria com a galeria Oficina Irmãos Marques, organiza a exposição A Natureza da Margem, onde uma série de artistas exploram as relações entre sexualidade e natureza. O brasileiro Tales Frey, residente no Porto, foi também convidado para realizar duas performances, uma no próprio São Jorge e outra no The Late Birds Lisbon.

Para esta edição especial foi dada à atriz alemã Susanne Sachsse uma “Carte Blanche”, sendo exibidos neste âmbito The Raspberry Reich (Alemanha, Canadá), de Bruce LaBruce, que a própria protagoniza, e Salomè (Itália), do italiano Carmelo Bene, uma adaptação livre da peça homónima de Oscar Wilde. A atriz vai ainda dar uma masterclass, intitulada De Brecht a Bruce LaBruce e de volta. Pronta para a minha próxima autoexposição. O professor e crítico Rodrigo Gerace vai também dar a masterclass, Cinema Explícito – Obscenidades Cinematográficas, sobre o obsceno e o sexo explícito na história do cinema e o seu sentido político, tendo como base o seu livro Cinema Explícito – Representações Cinematográficas do Sexo, que será lançado em Portugal por essa altura.


“I Want to Break Free”, dos Queen

A música volta com a secção Queer Pop, com dois programas centrados em Freddie Mercury e Annie Lennox, focando o modo como ambos esbateram fronteiras entre as identidades masculina e feminina. E integra ainda o programa Left To Our Own Devices, composto por alguns dos mais emblemáticos telediscos realizados por Derek Jarman.

A secção Hard Nights terá em destaque o realizador António da Silva e alguns dos seus filmes mais recentes, três deles realizados no Brasil: Brazil Carnival, Brazil Jungle e Brazil Solos – e outro no Algarve, Ecosexual.

O Queer Lisboa 20 terminará dia 24 com a estreia nacional de Looking: The Movie (EUA), de Andrew Haigh (de quem o festival também estreou Weekend e que teve há meses nas salas portuguesas o seu sucessor, 45 Anos). O filme conclui a história que nasceu como uma série televisiva da HBO que foi um grande fenómeno de popularidade.

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