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“Narcos”: como sobreviver sem Pablo Escobar

Texto: NUNO CARDOSO

Ancorada por um jogo de xadrez entre as autoridades e o mundo do narcotráfico ainda mais competitivo e dinâmico do que na primeira temporada, a segunda leva de episódios não desilude. E surpreende. A dúvida que resta: como sobreviverá a série sem o cabeça-de-cartaz?

Os criadores e produtores frisaram-no recentemente. Narcos é uma série sobre o mundo do narcotráfico na Colômbia e não sobre Pablo Escobar, ainda que aquele que chegou a ser o sétimo homem mais rico do mundo, na década de 80, seja o cabeça-de-cartaz de uma história que gira em seu redor ao longo das duas primeiras temporadas – a mais recente chegou há uma semana ao Netflix com dez novos episódios.

Numa primeira leitura, tratando-se de uma personagem tão central, uma espécie de espinha dorsal da trama, e ainda por cima com o brasileiro Wagner Moura a desempenhar o papel do célebre narcotraficante de uma forma ainda mais eficiente do que na primeira temporada – a sua pronúncia, por exemplo, alvo de algumas críticas há um ano, está bem melhor agora – é difícil de imaginar de que forma Narcos vai manter a já aclamada qualidade na terceira e quarta temporadas que a plataforma de streaming já confirmou, com a já anunciada morte de Pablo Escobar na atual leva de episódios.

Ainda mais difícil se poderá prever um cenário de evolução para a série de drama, crime e política quando falamos de um antagonista estruturado de forma perfeita e equilibrada – sanguinário o suficiente para atingir níveis de impiedoso vilão mas com um lado humano e sensível, principalmente pela sua ligação e amor à família, ou até pela generosidade para com o povo de Medellín, a cidade que reinou durante anos com o seu cartel.

Na teoria, nunca é fácil para uma série perder um dos seus protagonistas. Na prática, as audiências têm mostrado – talvez com poucas exceções, como a de David Duchovny em Ficheiros Secretos – que a fidelização do público não costuma ser abalada por isso. Casos como os de Jessica Lange em American Horror Story, de Patrick Dempsey em Anatomia de Grey ou de Charlie Sheen em Dois Homens e Meio provam isso mesmo.

Quem já viu a segunda temporada de Narcos percebe porque razão a série tem pernas para andar sem ser à boleia de Pablo Escobar. Porquê?

Primeiro: a máquina por trás da trama do Netflix está mais do que oleada, com uma segunda leva de episódios ainda melhor do que a primeira, por incrível que pareça, e certamente mais interessante. A força avassaladora e a influência de Escobar e do seu império mas também a sua dolorosa queda tornam esta nova temporada num jogo de xadrez com as autoridades mais competitivo e ritmado do que em 2015. E com esta evolução na dinâmica narrativa, só se podem antecipar coisas boas para 2017.

Segundo: há muito terreno fértil para plantar novas e interessantes ramificações na história. Os agentes da DEA Murphy e Peña (Boyd Holbrook e Pedro Pascal) têm espaço para evoluir e sair do terreno dos “bonzinhos”, como já antevimos, com o segundo, nesta temporada. A atriz Paulina Gaitán, que interpreta Tata Escobar, a mulher de Pablo, mostra este ano ter profundidade e entrega para ser “promovida” na próxima temporada. Há até quem ache que será o filho mais velho de Pablo a procurar vingança no próximo ano, se a terceira temporada se passar alguns anos depois da morte do narcotraficante. Ou até um provável foco nos Los Pepes, a união formada para derrubar Escobar e que rapidamente mostrou as suas ruturas e fragilidades. São teorias. O terreno por explorar é grande, tanto quanto a imaginação.

Com uma segunda temporada deste calibre – que contém, de resto, talvez a melhor cena da série ao nível emocional, entre Escobar e o seu pai, a meio do 9.º episódio – é possível antecipar que o processo de luto será mais fácil de digerir. Afinal, Narcos já nos habituou a ser sinónimo de qualidade, surpresa e complexidade, onde ninguém pertence a 100% ao lado dos “bons” ou dos “maus”. Mas quem disser que não vai ter saudades de Pablo Escobar, e da magnífica prestação de Wagner Moura, provavelmente estará a mentir.

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