Últimas notícias

Lisboa quer, Caetano canta e o intimismo renasce

Texto: GONÇALO COTA

O concerto de Caetano Veloso marcou o regresso do cantor a um registo mais intimista, depois de ter estado em Lisboa e no Porto em Abril passado com o amigo Gilberto Gil.

Caetano Veloso é um velho conhecido dos palcos portugueses. Nas noites de 6 e 7 de Setembro, apresentou-se a um Coliseu dos Recreios cheio, ao lado da voz doce de Teresa Cristina, sensação da Música Popular Brasileira, do dedilhar perfeito de Carlinhos 7 Cordas.

Os leques estão a postos, a luz cai, o pano levanta-se. Caetano Veloso sobe ao palco para nos desejar uma boa noite e apresentar, com ternura, Teresa Cristina. Um “Fora Temer” ecoa por todos os cantos do Coliseu, vindo de vozes e lugares diferentes. Apesar da gélida situação política no Brasil, os assobios, palmas e a voz calma quase tímida de Caetano aquecem-nos antes do inicio do concerto.

Portugal ainda não conhecia a voz da Teresa Cristina, mas pela desenvoltura e doçura que mostrou em palco parecia que eram velhos amigos. Ao som dos sambas de Cartola, a artista com uma longa carreira nos palcos brasileiros fez-nos rir com os seus dramas amorosos em Tive Sim e abanar a anca em Corre e Olhe o Céu. A saudade, que diz sentir por Portugal, mesmo antes de ir embora, fez também parte do repertório – depois de dedicar uma música à mãe de Cazuza, presente na sala. Teresa Cristina abandonou, emocionada, a sala ao som de uma ovação longa.

Um velho amigo espera Caetano no palco: o violão. O palco imenso enche-se com a sua pequena e calma figura e do público emergem aplausos e assobios. Mesmo antes de terminarem, já se ouve O Índio na sua já conhecida voz. Por entre sussurros das letras, lá pela terceira música, Caetano fazia o já esperado comentário sobre Michel Temer, presidente do Brasil, fazendo a comparação entre um dos últimos discursos do político e o próximo samba que canta, Luz do Sol.

Em Caetano couberam todas as línguas: o português do fado, com uma interpretação de Amália, Libertação; o inglês, com a interpretação de Love for Sale de Cole Porter; em espanhol e no português do samba – ao dar de beber, num intimismo peculiar, as melhores músicas do movimento “tropicalista” e suas heranças, como O Leãozinho ou A Luz de Tieta. Se os corações não estavam suficientemente frágeis, Sozinho rouba-nos a frio mais um pedaço e acalenta as vozes, que, em coro, acompanham a voz do brasileiro.

No final, o Coliseu levanta-se para agradecer e despedir-se. Mas não, não nos vamos já embora. Teresa Cristina volta ao palco, com Carlinhos 7 Cordas, para cantarem um conjunto de quatro canções. A inconfundível voz de Caetano une-se à belíssima voz de Teresa Cristina e despedem-se assim, duas horas depois, com Tigresa, Desde que o Samba é Samba e Odara, em jeito de mimo.

Caetano Veloso e Teresa Cristina cantaram e encantaram, porque “cantando eu mando a tristeza embora”. Mas nós queremos que voltem.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: