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“Diamonds and Pearls”: talhado à dimensão de um sucesso global

Texto: NUNO GALOPIM

Lançado em 1991, o primeiro álbum gravado com a New Power Generation reaproximou Pinrce de raízes negras, abriu portas ao hip hop e deu-lhe três singles de grande sucesso.

O álbum e o filme apresentados em 1990 sob o título comum Graffitti Bridge foram mais espaço de reunião de todo um conjunto de heranças do universo de Prince nos oitentas do que, propriamente, uma porta que indiciasse os caminhos a seguir nos noventas. De resto, o insucesso do filme e uma série de contratempos no universo de bastidores em volta de Prince fizeram com que o passo seguinte levasse mais alguns meses a ver a luz do dia do que o inicialmente previsto. Seria o primeiro álbum de um novo acordo com a editora e, apesar de algumas opções menos certeiras nos últimos tempos e uma falta de êxitos como outrora, os avanços que o músico apresentou em sua defesa, a expressão de uma vontade em criar êxitos e o desejo em encarar o teledisco com outro cuidado e protagonismo, valeram-lhe um despertar de renovadas expectativas. E convenhamos que o álbum que se seguiu a esta ronda de negociações deixaria, no fim, todos satisfeitos.

Ao contrário do que acontecera nos últimos discos, o álbum no qual Prince começou a trabalhar após a Nude Tour (que foi das de que mais gostou) representou o seu momento de regresso ao estúdio com uma banda. Com um alinhamento que seria afinado num processo de meses, o grupo – que tomava por nome New Power Generation, uma expressão inicialmente usada numa das canções de Lovessexy – era consideravelmente diferente dos Revolution. Talvez menos dado ao inesperado da experiência que surpreende, mas decididamente sólido e capaz de suportar o cunho versátil da música em jogo que, apesar de aberta a vários horizontes, mostrava uma vontade em focar diversas escolas negras, do funk e dos universos da soul ao hip hop.

Diamonds and Pearls devolveu Prince a um maior patamar de sucesso, mas revelou um trabalho de polimento em estúdio com um cuidado perfecionista que era, mesmo assim, diferente do que brotava do espírito mais imaginativo que havia habitado os discos criados com os Revolution.

Álbum duplo na versão em vinil mas, tal como o anterior Grafitti Bridge, com o alinhamento concentrado em apenas um CD, Diamonds and Pearls teve nos singles de avanço Get Off e Cream duas propostas radicalmente distintas, mas ambas capazes de cativar o público de Prince. O primeiro respirava um viço funk e dava ao hip hop um protagonismo até ali inédito na obra de Prince. O segundo devolvia-o a um relacionamento gourmet com a forma da canção pop. Ambos tinham em comum telediscos de produção exigente, o mesmo sucedendo com a canção-tema do álbum, que seria o terceiro single internacional, fazendo de mais uma balada um sucesso global. Para alguns mercados pontuais foram ainda extraídos como single os temas Insatiable, Money Don’t Matter 2 Night e Thunder.

Os anos 90 arrancavam, um ano depois do momento de transição em Grafitti Brifge, com um álbum que reafirmava a dimensão planetária de Prince, mostrando que não seria um fenómeno a arquivar apenas nas memórias dos anos 80… Mas alguns dias difíceis, que ninguém então imaginara, vinham a caminho…

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