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O homem contra a máquina (versão western)

TEXTO: NUNO CARDOSO

A nova grande aposta da HBO é uma inteligente análise sobre a relação entre a natureza humana e a inteligência artificial num mundo distópico. Anthony Hopkins e Evan Rachel Wood são os cabeças-de-cartaz.

“É a nova A Guerra dos Tronos”, lia-se em quase todas as notícias e críticas que anteciparam a estreia de Westworld. Talvez um tique histérico que muitas vezes os media na forma de anunciar, o mais rápido possível, a next best thing da indústria televisiva… Muitos meios referiram inclusivamente uma “propositada” semelhança entre os nomes Westworld e Westeros, um dos continentes de A Guerra dos Tronos, para chamar atenções.

Felizmente, as qualidades da uma cenografia e um argumento acima da média que nos mostrou o primeiro episódio desta nova grande aposta da HBO – arrancou nos EUA no domingo, e em simultâneo em Portugal no TV Séries – antevê um caso sério de sucesso. Com um orçamento de 90 milhões de euros para a primeira temporada, valor semelhante ao de A Guerra dos Tronos, a HBO não está para brincadeiras e parece ter encontrado a sua resposta e resolução para dois problemas. O primeiro: o vazio que o já anunciado fim da série inspirada na obra de George R. R. Martin, em 2018, vai deixar na sua grelha e junto do público. O segundo: a recuperação do terreno que lhe foi roubado, nos últimos dois anos, pelas plataformas de streaming.

Baseado no filme homónimo de 1973, escrito e realizado por Michael Crichton (o mesmo de Parque Jurássico), Westworld é uma série com condimentos de drama e de ficção científica em torno de um parque temático futurista, com o mesmo nome, que tudo faz lembrar o Velho Oeste norte-americano. É um mundo habitado por andróides sem memórias, os chamados anfitriões, programados para satisfazer e estarem à mercê dos desejos e ambições dos visitantes, que pagam – e bem – para uma visita ao parque onde habita, por exemplo, a robô Dolores (a protagonista Evan Rachel Wood, que, ainda sendo jovem, é a mais antiga hóspede de Westworld).

O resultado é um jogo de tabuleiro desequilibrado do lado de um dos jogadores, sem limites nem regras, exceto as estabelecidas e programadas de antemão por Dr. Ford (a personagem que marca o regresso de Anthony Hopkins ao pequeno ecrã), o diretor e cérebro por detrás desta experiência científica, e da sua restante equipa, onde se incluem os atores Sidse Babett Knudsen (a protagonista de Borgen) e Jeffrey Wright. São eles quem dita as regras do jogo e quem constrói a sua narrativa, evitando que a mesma entre num argumento caótico e não planeado.

Westworld é uma ode à essência da natureza humana, a quem somos e ao que queremos e fazemos num mundo distópico onde se pode explorar o nosso lado mais preverso sem que haja consequências. É, também, uma inteligente análise à relação entre o homem e a máquina. E num parque que começa a mostrar as suas primeiras falhas, ao fim de 30 anos, qual deles vai controlar o outro? Será o homem vítima da sua própria máquina? Não é por acaso que “Estes prazeres violentos têm fins violentos” é uma das frases que se ouve no final do primeiro episódio.

Na teoria, a nova série da HBO tinha tudo para se tornar num cliché. É baseada num filme de culto dos anos 70 – e todos já nos desiludimos com uma ou mais destas adaptações e “remakes” que, cada vez mais, chegam ao pequeno ecrã – e mostra alguns dos elementos que faziam parte do ADN de séries como Sob Suspeita, tanto pela história como pelo criador e produtor que as une, Jonathan Nolan e J. J. Abrams, ou Wayward Pines.

Mas na prática, quando todos os ingredientes se juntam para temperar este Westworld, o efeito diferenciador está lá. Começando logo pelo excelente genérico, que até pisca o olho ao teledisco All Is Full Of Love, de Björk. Não existe nenhuma série como esta no atual panorama televisivo. E na TV, como em qualquer outra área de atividade, esse mesmo factor pode ser meio caminho andado para um percurso de sucesso.

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