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Berlim volta a ser cenário de uma história com espiões

Texto: NUNO GALOPIM

A quinta temporada de “Homeland” toma Berlim como sede para uma narrativa atenta à ameaça terrorista, mas que devolve também à cidade em tempos dividida por um muro uma empolgante trama de espionagem.

Não é fácil manter vibrante uma série durante temporadas a fio e resistir ao truque fácil de fazer das personagens protagonistas e da sua relação entre si os peões de um enredo que resvale para a o clima da telenovela… Depois de uma primeira etapa (definida pelas duas primeiras épocas, estreadas entre 2011 e 2012) na qual um arco narrativo comum resolvia a história de um jiadista infiltrado entre a mais alta hierarquia política norte-americana, a série Homeland (que entre nós passa como Segurança Nacional) encontrou numa lógica de contínua mudança dos focos geográficos – e portanto geopolíticos – das temporadas seguintes, a matéria prima para, com um conjunto de personagens fixas, figuras específicas para cada uma das novas tramas e uma capacidade em criar percursos narrativos pontuais dentro de um arco maior, um dos segredos do seu sucesso. O outro está no mundo real, num tempo de medo generalizado e de focos de conflito espalhados por zonas diferentes do globo mas que, na era global, têm afinal uma ressonância comum que faz com que o acontece longe possa ter consequências bem mais perto…

Foi à terceira época que Homeland partiu para além do movimentos pendulares entre os EUA e as zonas de guerra no médio oriente em que a narrativa fora lançada nos dois primeiros anos de produção. Nesse terceiro ano a Venezuela e o Irão alargavam a geografia na qual a ação ganhava um âmbito maior e os motivos de interesse se podiam assim renovar… Foi talvez a menos vitaminada das cinco épocas de produção, mas não só arrumou de vez o arco original (abrindo espaço a outras possibilidades narrativas), como abriu esse precedente “de lugar” que, entretanto, ganhou expressão nas duas épocas seguintes, sabendo-se já que a sexta, que chegará em 2017, nos levará até Marrocos.

Com sede em Islamabad (no Paquistão), a quarta época ousava agir ficcionalmente sobre o mapa político real, criando um conflito no qual, sob apoio oficial (mas inicialmente velado) do estado, alguns líderes talibã entretanto detidos regressavam à liberdade e a um possível plano de reconquista do poder no Afeganistão. Tudo isto com uma trama mais próxima das narrativas de espionagem do que qualquer das épocas anteriores, e sequências de ação igualmente mais evidentes.

O mapa geopolítico que essa quarta época colocava em cena, sugerindo eventual continuidade na quinta, foi contudo literalmente ignorado nesse conjunto de 12 episódios que a Netflix lançou há poucos dias. Passaram dois anos… Carrie (Claire Danes, que aqui continua a construir uma personagem fortíssima) abandonou a “agência” e é agora chefe de segurança de uma ONG de um milionário alemão filantropo, que apoia causas humanitárias e tem na sua sede um jornal online do qual, na verdade, não vemos nunca senão uma discreta salinha com umas mesas e… uma jornalista americana.

A trama, que tem sede em Berlim, envolve por um lado o cenário de ameaça terrorista sob o qual a Europa vive no presente. Mas evolui sobretudo em jogos de segredos e traições envolvendo agentes dos serviços secretos americanos, alemães, russos e israelitas. E é curioso vermos a cidade em tempos dividida pelo muro e que foi cenário de tantos filmes de espionagem, a acolher a época de Homeland em que, mais do que nunca, os espiões (que são afinal a matéria prima humana primordial da série) agem mais de acordo com os paradigmas clássicos a que a profissão os associa.

O arranque é interessante. Mas a evolução da ação torna-se trepidante, revelando a construção de episódios uma capacidade não apenas em manter viva a alma da série, mas também em levar o espectador a pedir o episódio seguinte… Mesmo que o relógio indique que a hora de dormir já passou há muito…

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