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Está na hora para um outro olhar sobre os tempos de Napoleão III

Texto: NUNO GALOPIM

A assinalar os 30 anos do Museu de Orsay, a exposição “Spectaulaire Seconde Empire” propõe um reencontro com memórias da história e da cultura que marcaram a França na segunda metade do século XIX.

Foi o primeiro presidente francês eleito por sufrágio universal, em 1848, após a queda de Luís Filipe, o último rei de França. Em 1852, e após um golpe de estado em dezembro do ano anterior, Louis Napoleon manteve-se no poder, todavia como imperador. Sobrinho de Napoleão Bonaparte, comandou os destinos da França como Napoleão III até 1870, ano em que foi derrotado pelos exércitos de Bismark, tendo a Assembleia Nacional proclamado a sua deposição e a III República poucos dias depois. O período de 18 anos do reinado de Napoleão III, que é designado como Segundo Império, é agora matéria prima para a exposição que está patente desde finais de setembro no Museu de Orsay, em Paris, assinalando assim os 30 anos deste equipamento que, em 1986, abriu portas numa antiga gare ferroviária de 1900 mas que surgira de um edifício que albergara instituições oficiais ao longo do século XIX. Ou seja, fora um espaço da administração pública durante o Segundo Império.


“Fête oficielle au Palais des Tuileries pendant l’Exposition Universelle de 1867”, Henri Baron (1868)

Com admiradores e detratores – e não é assim com todos os regimes? – a França de Napoleão III foi um período de contrastes. De agitação, de ostentação (os célebres bailes e soirées imperiais davam que falar), mas também de grandes avanços em várias áreas, tendo de certa forma correspondido a um tempo de construção das bases de uma França moderna. Do repensar do urbanismo na cidade (a cargo do barão Hausmann) a uma renovação dos espaços dedicados às artes e à cultura em geral, o Segundo Império teve ainda como importantes sedes de afirmação de poder os próprios espaços de residência do imperador, que retomou inclusivamente lugares com toda uma herança histórica, desde os apartamentos numa ala das Tulherias a Fontainebleau (que tem vindo inclusivamente a restaurar as salas que correspondem a este período) ou Saint-Cloud (este destruído durante a guerra franco-alemã de 1870).


“Le Cercle de la Rue Royale”, James Tissot (1868)


“La Visite de La Reine Victoire a Paris”, Eugène Lami (1855)


“Le Salon de La Princese Mathilde, rue de Courcelles”, Sébastien Charles Giraud (1859)

A exposição que agora está patente em Orsay evoca este período através de obras de pintura, escultura, artes decorativas, joalharia ou mesmo da emergente fotografia, permitem agora novos olhares e pontos de vista sobre um período que, já distante do que foi o discurso cético que se seguiu à queda do imperador, justifica uma outra abordagem. Os grandes feitos da época nas áreas da pintura ou da tecnologia (celebrados então nas grandes exposições universais) são assim parte de uma história que se evoca em Orsay até 15 de janeiro de 2017.

Como complemento à exposição está já disponível o catálogo, produzido pelo museu, sobre o qual podem saber mais aqui.

O nº 243 da revista ‘Dossier de L’Art’ é integralmente dedicado a esta exposição e ao período a que se refere. A revista ‘Beaux Arts’ também dedica uma edição a esta exposição.

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