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Dead or Alive (e Pete Burns) em dez canções

Seleção e textos: NUNO GALOPIM

Na hora de despedida de Pete Burns fica aqui uma seleção de dez canções que evocam vários episódios da obra em disco dos Dead or Alive. Vão surgir aqui, em episódios, um a um…

Com carreira iniciada em regime pós-punk em 1980, traduzindo então um flirt com as estéticas góticas, a carreira dos Dead or Alive manteve-se ativa até à morte de Pete Burns, o seu vocalista, apesar de nos últimos anos ter apenas acrescentado remisturas ou novas versões a uma discografia que na verdade só foi verdadeiramente sumarenta em meados dos anos 80.

Para evocar episódios significativos da história dos Dead or Alive aqui ficam dez canções que podem evocar momentos da sua obra editada em disco:

“You Spin Me Round (Like a Record)” (1984)
A primeira canção revelada do lote que faria, em 1985, o segundo álbum dos Dead or Alive, surgiu discretamente em single em finais de 1984, mas foi aos poucos conquistando atenções e, 17 semanas depois, chegava ao número um na tabela de singles do Reino Unido. Tal como o impacte da canção não fora imediato, também a sua génese fora lenta. Pete Burns recordou que a ideia nasceu ao cantarolar sobre I Wanted Your Love de Luther Vandross e See You ‘Round Like a Record de Little Nell, não tendo contudo a editora gostado daquilo que escutou, ao ponto de ter sido a banda a avançar com os custos de gravação, segundo descreveu na sua autobiografia. Numa entrevista na BBC recordou, depois, como foi também tensa a relação em estúdio com a equipa de produtores Stock, Aitken e Waterman que, ali, tinha a sua primeira colaboração com a banda, ensaiando um modelo com raiz no hi-nrg, tal e qual haviam feito pouco antes com Divine e Hazell Dean. A verdade é que ali nasceria um êxito de dimensões colossais, que marcou o ano de 1985 e ganhou vida em várias ocasiões posteriores, tendo merecido até nova edição, em versão remisturada, em 2003.

“The Stranger” (1982)
Fixando o nome como Dead or Alive na autora dos oitentas, a banda estreou-se em disco em pequenas etiquetas independentes, logo em 1980, com um primeiro single, I’m Falling, ao qual se seguiu Number Eleven (1981) e It’s Been Hours Now (1982). A música estava ainda dominada pela presença das guitarras e explorava atmosferas góticas que são ainda a marca central de The Stranger, o quarto single, editado em 1982, o primeiro a dar-lhes uma entrada no Top Indie britânico (no qual chegou ao número 7, cativando atenções que lhes deram um acordo com a Epic Records pouco depois). Vale a pena notar a presença das guitarras de Wayne Hussey (que formaria os The Mission depois de abandonar os Dead or Alive em 1985), que daqui levaria sementes para a etapa seguinte da sua vida como músico.

“Misty Circles” (1983)
Depois de quatro singles lançados por pequenas independentes e com visibilidade reduzida, a estreia dos Dead or Alive no catálogo da Epic Records revelou primeiros sinais de nova demanda para além dos terrenos pós-punk de travo gótico pelos quais a obra do grupo tinha caminhado até então. Sob produção de Zeus B Held, o tema Misty Circles – que servia assim de primeira amostra do que poderia vir a ser um álbum de estreia do grupo – acolhia ainda algumas relações com a presença das guitarras, mas entregava já o protagonismo dos acontecimentos a uma relação entre a voz pungente de Pete Burns e um fundo instrumental de evidente afinidade com o eletro (que então marcava a contemporaneidade na música de dança em Nova Iorque). Não foi um êxito imediato. Mas abriu novas possibilidades.

“What I Want” (1983)
Depois dos primeiros sinais de mudança sugeridos em Misty Circles, o segundo single editado pela Epic Records confirmava a aproximação dos Dead Or Alive aos espaços da música de dança, notando de forma ainda mais evidente um interesse pelo som hi-nrg que produtores como Bobby Orlando e outros seus contemporâneos então desenvolviam em Nova Iorque. What I Want, peça repetitiva, angulosa, não tinha ainda a luminosidade pop que lhes daria êxitos mais tarde. Mas é dos singles mais visionários e realmente incentivos da obra do grupo.

“I’d Do Anything” (1983)
Depois de um momento de transição assinalado em Misty Circles, o passo seguinte acentuou o progressivo investimento do grupo no focar de uma relação da canção com a música de dança. Ecos do eletro, então vibrante nas noites dançáveis de Nova Iorque e uma certa angulosidade funk definida pelo baixo e a percussão definem um tema que valoriza também o timbre da voz de Pete Burns. Abria-se aqui o caminho para o álbum de estreia Sophisticated Boom Boom. Este foi também o primeiro single dos Dead or Alive a ter um teledisco como ferramenta promocional.

“That’s The Way (I Like It)” (1984)
Apesar de algumas versões gravadas em discos tardios (revisitando nomes como os de Bowie ou Blondie), a obra dos Dead or Alive nos seus dias de glória fez-se essencialmente de originais. Houve contudo uma exceção e surgiu no alinhamento do álbum de estreia Sophisticated Boom Boom, tendo depois sido editada como single, acabando a dar aos Dead or Alive o seu primeiro êxito. Originalmente editada como single pelos KC & The Sunshine Band em 1975, este clássico do disco tem na versão dos Dead or Alive uma angulosidade mais marcada, vincando a modernidade electro que o álbum revelava.

“Lover Come Back To Me” (1985)
Depois do estrondoso sucesso global causado pelo single You Spin Me Round (Like a Record) coube ao seu sucessor o desafio duplo de tentar manter o perfil de popularidade recentemente conquistado e assinalar a chegada de um segundo álbum de originais para a banda (agora no centro das atenções). A escolha recaiu sobre Lover Come Back To Me, canção pop claramente dominada pelo apelo dançável de travo hi-nrg que o estilo de produção do trio Stock Aitken e Waterman havia imprimido ao single anterior e que dominaria o alinhamento de Youthquake, o álbum. Este foi na verdade o primeiro de vários temas nesta linha que o grupo apresentaria e, de todos, foi o mais bem sucedido após o êxito maior obtido poucos meses antes.

“In Too Deep” (1985)
O terceiro single extraído do alinhamento de Youthquake foi o primeiro sinal de que a fórmula encontrada em You Spin Me Round (Like A Record) começava a dar sinais de não ter resistência a muitas mais criações essencialmente dominadas pelo registo definido pela equipa de produção. Sem repetir sequer os patamares de Lover Come Back To Me, o single ajudou mesmo assim a manter viva a presença do grupo nas rádios e palcos nesse verão em ganharam dimensão maior. Haveria ainda um quarto single extraído do álbum, a escolha recaindo aí sobre My Heart Goes Bang.

“Something in my House” (1987)
O passo seguinte a Youthquake viu os Dead Or Alive a agir com alguma cautela, procurando manter em Mad, Bad, and Dangerous to Know os destinos que os tinham levado a alcançar um patamar de sucesso global. A cautela traduziu-se num disco claramente menos desafiante, dominado por uma repetição de modelos e sonoridades, características vincadas também pela fixação de uma certa “receita” que então era afinada pela equipa de produtores Stock, Aitken e Waterman, com a qual voltaram a trabalhar. A mais evidente fuga à norma que domina este disco surgiu nas imagens que acompanharam Something In My House, sugerindo o teledisco um reencontro com as tonalidades góticas que o grupo guardava entre as suas experiências de inícios dos anos 80. Esta era a melhor canção do álbum e a única que lhes deu aqui um êxito como single ao nível da visibilidade alcançada no ano anterior, ao som de Youthquake.

“Jack and Jill Party” (2004)
O álbum Mad, Bad and Dangerous To Know, de 1986, mostrou pouca vontade em mudar a equação de sucesso do anterior. Mas na verdade guardava alguns dos derradeiros momentos verdadeiramente interessantes da obra do grupo, tanto que nada realmente marcante aconteceria nos posteriores Nude (1989), Fan The Flame (1990), Nukleopatra (1995) ou Fragile (2000). Pete Burns transformou-se depois numa “celebridade” televisiva por via do espaço dos reality shows, mas manteve ativa a banda, apesar de o fazer essencialmente entre revisitações de velhas gravações ou novas remisturas. De verdadeiramente novo juntou à sua discografia dois singles em nome próprio. Um deles assinado em parceria com os Pet Shop Boys naquela que foi a sua melhor canção depois de You Spin Me Round (Like A Record).

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1 Comment on Dead or Alive (e Pete Burns) em dez canções

  1. Dead or Alive é muito foda, tua seleção das canções ficou ótima. Curti!

    vidaemserie.com

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