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A arte dos reencontros

Texto: NUNO GALOPIM

O ano trouxe mais dois discos para os admiradores de Brad Melhdau. Um deles dá-nos a sua primeira edição com o seu trio desde 2012. O outro assinala uma parceria com Joshua Redman, um companheiro de palcos e de discos desde os anos 90.

O ano de 2016 não foi coisa de dieta para Brad Mehldau. O pianista, um dos mais versáteis e inspirados do jazz contemporâneo, lançou dois álbuns através da Nonesuch. Um em duo, o outro em trio, ambos juntando novos títulos imperdíveis a uma discografia exemplar na forma de estabelecer diálogos com outras formas e outras músicas e, por isso, de referência numa etapa da história da música em que a arte do diálogo é, cada vez mais, fértil porta para novos cruzamentos e descobertas.

Um dos álbuns, Blues and Ballads, devolve-o ao trabalho em trio, com a formação com que tem gravado desde Day Is Done, ao lado do baterista Jeff Ballard (que assumiu este lugar após uma década de trabalho do catalão Jorge Rossy junto de Mehldau) e do contrabaixista Larry Grenadier, um dos mais antigos colaboradores do pianista, que o acompanha desde antes mesmo da ligação à Nonesuch (em meados dos anos 90) e que esteve assim presente nos célebres primeiros volumes da série The Art of the Trio, que marcaram a história do jazz nos noventas. Neste reencontro com o trio, com o qual não editava discos desde 2012, este conjunto de gravações (registadas entre 2012 e 2014), o trio de Mehldau mostra uma vez mais uma capacidade em encontrar unidade perante matéria prima musical de origens bem diversas, conciliando num alinhamento comum nomes ligados ao jazz (Charlie Parker), aos blues (Buddy Johnson), ao teatro musical americano (Cole Porter ou Jack Starchey, deste último recuperando These Foolinsh Tings) ou, uma vez mais, o universo pop/rock, com os fab four, ora através da memória dos Beatles em And I Love Her, ou em My Valentine, uma criação recente de Paul McCartney.

Igualmente recomendável é Nearness, disco que traduz outro reencontro. Depois de ter integrado o quarteto do saxofonista Joshua Redman em meados dos anos 90, de ter colaborado em alguns discos seus e até de o ter acolhido no soberbo Highway Rider (2009), Brad Mehldau reencontra o velho colaborador num alinhamento gravado ao vivo que traduz essa mesma capacidade em estabelecer diálogos através da improvisação, aqui revisitando Charlie Parker, Thelonious Monk, mas também originais como Always August (Mehldau) ou Mehlsancoly Mode (Redman), recuperando ainda Old West, que os dois tinham já gravado, numa versão bem mais curta, no álbum de 2009 acima referido.

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