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A saudável loucura de dois pioneiros da pop eletrónica

Texto: NUNO GALOPIM

Pioneiros da pop eletrónica, os veteranos Yello resolveram regressar à essência do som dançável e elegante com o qual definiram a sua identidade em discos que lançaram em meados dos anos 80. “Toy” é o seu melhor disco em muitos anos.

Tal como os Soft Cell, Heaven 17, Depeche Mode ou os belgas Telex, os suíços Yello tiveram um papel na definição de uma geração inaugural da pop eletrónica que, na fronteira entre os anos 70 e a alvorada dos 80, lançou bases para muito do que a história da música pop nos contou depois. Apesar de uma ou outra pausa mais alongada, nunca deixaram de ser um projeto ativo. Eram inicialmente um trio, juntando as visões engenhosas de Boris Blank e de Carlos Perón à contribuição vocal de Dieter Meier, um milionário que aqui encontrou o destino principal da sua atenção. Reduzidos a um duo com a saída de Perón em 1983, os Yello afinaram então uma identidade sonora muito peculiar, que fixaram entre os álbuns Stella (1985) e One Second (1987). Percussões insistentes, ferramentas eletrónicas, ocasionais piscadelas de olho a angulosidades funk e um constante diálogo entre formas pop, heranças de várias músicas de dança e um gosto por uma certa elegância cinematográfica, num vaivém entre uma visão estética aprumada e um nonsense vincado nas palavras e interpretação, definiram então uma personalidade com direito a região demarcada que fez deles, e até hoje, uma das forças maiores da pop nascida em solo suíço.

Depois de Zebra (1994), que expressava já uma certa exaustão dos modelos experimentados nos discos dos últimos dez anos, a obra dos Yello tornou-se mais espaçada no ritmo de edições, por vezes mostrando discos como Pocket Universe (1997) e The Eye (2003) uma vontade de atualizar o som pela assimilação de novas ferramentas, discursos rítmicos e soluções instrumentais, nem sempre gerando os melhores resultados. Em Touch Yello, em 2009, optaram por ensaiar reencontros com as marcas fundamentais da identidade sonora definida em meados dos anos 80. Sete anos depois, o novo Toy mantém essa ideia no âmago de um alinhamento que reúne aqui aquelas que são algumas das melhores composições do grupo desde o final dos oitentas.

O que há de mais saboroso em Toy é a certeza de que há entre as novas canções uma consciência identitária que satisfaz em si a razão de ser, sem procurar máscaras ou postiços. Yello vintage no som. Poderemos dizer que se trata de coisa datada. De algum modo há aqui mais ganchos lançados a 1985 do que ao presente. Mas nem só de revoluções vive quem faz ou ouve música. E, aos 71 anos, não vamos esperar que Dieter Meier salte para a nossa frente de bandeira erguida. E em Boris Blank continua a ter o parceiro ideal na criação instrumental que, mesmo carregada de referências que não são novas, sabe pelo menos a verdade. E, volto a insistir, com algumas das canções mais cativantes da sua obra desde a alvorada dos noventas.

Yello
“Toy”
Unversal
★★★

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