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A incursão dos Hidden Cameras por terrenos ‘country’

Texto: NUNO GALOPIM

Dois anos depois do mais tenso “Age”, no qual as eletrónicas ganhavam mais protagonismo, o projeto do canadiano Joel Gibb apresenta no novo “Home On Native Land” uma inesperada abordagem às sonoridades e às formas da música country.

Apesar da relativa invisibilidade a que tem sido votado nos últimos anos, o projeto de Joel Gibb The Hidden Cameras continua a ser dos mais criativos entre os nomes aos quais os azimutes das descobertas mediáticas apontavam quando, por alturas da estreia em álbum dos Arcade Fire, meio mundo (indie) apontou as escutas ao que acontecia no Canadá. É verdade que vão longe os dias em que a surpresa acontecia ao com da exuberância daquela pop de alma barroca de Mississauga Goddam (álbum de 2004 que se mantém como referência fulcral na obra dos The Hidden Cameras). Mas desde então Joel Gibb tem mantido ativa uma carreira que tem sabido cruzar algumas das temáticas habitualmente mais frequentes em terreno queercore com uma demanda musical aberta a outros horizontes. E se houve em discos como Awoo (2006) e Origin:Orphan (2009) um aprofundar das linhas pop exploradas em Mississauga Goddam, já em Age (2014) revelou-se uma incursão por terrenos musicais mais dominados pela presença das eletrónicas, sob um quadro cénico mais denso e tenso.

Agora, dois anos depois, eis que surge algo completamente diferente. Home on Native Land, que junta canções que Joel compôs há já algum tempo e que foi gravando ao longo dos últimos anos (na verdade atravessando etapas de criação de alguns dos seus últimos álbuns) traduz uma algo inesperada incursão por terrenos da música country num conjunto de canções que sublinham um reencontro com memórias canadianas.

Residente há já algum tempo em Berlim, Joel Gibb desenha aqui pontes com parte das suas heranças, num disco ao qual chama amigos para várias colaborações, entre eles surgindo aqui nomes como os de Rufus Wainwight, Neil Tennant, Ron Sexmith, Feist ou Mary Margaret O’Hara. Se as formas são clássicas, as palavras mantém firmes as temáticas habituais nas canções dos Hidden Cameras, o que o aproxima assim de um universo queer dentro da música country do qual têm emergido alguns nomes nos últimos anos.

Resta saber se este é um episódio isolado na obra dos The Hidden Cameras, se a porta de entrada numa etapa da sua obra que vinque mais ainda esta relação entre marcas de identidade pessoal e toda uma carga de heranças culturais. É que, mesmo sendo interessante a abordagem, é em momentos de folia e bom humor, como em Log Driver’s Waltz, ou em baladas mais elegantes, e mais orquestradas, como The Great Reward, que o melhor da escrita de Joel Gibb sobressai…

The Hidden Cameras
“Home On Native Land”
Outside Music
★★★

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