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O melhor dos Yello em dez canções

Seleção e textos: NUNO GALOPIM

Com um novo álbum de estúdio acabado de editar, os suíços Yello têm aqui uma montra de dez canções através das quais podemos contar uma história que remonta a finais dos anos 70 e deles faz pioneiros da pop eletrónica.

Quando se fala dos pioneiros da pop eletrónica há que juntar aos primeiros experimentadores alemães os ecos imediatos que geraram no Reino Unido (através de primeiras bandas como os Human League ou Orchestral Manouvevers in the Dark) ou no Japão (sobretudo por via da Yellow Magic Orchestra). Contudo, a história da geração pop eletrónica surgida ainda antes da viragem para os anos 80 contou com outros pioneiros em diversos outros polos, sobretudo na Europa continental. E aí há que juntar nomes como os belgas Telex aos suíços Yello…

É destes únicos que aqui apresentamos um panorama em dez canções, que não só sublinham uma identidade fortemente demarcada deste duo, como nota que são um nome ainda ativo (e com uma história feita sem grandes momentos de pausa).

1988. “Blazing Saddles”
O álbum Flag, de 1988, representa o último capítulo verdadeiramente entusiasmante da discografia dos Yello. Daí em diante ora tentariam jogar no seguro, mantendo-se dentro da sua região demarcada de ideias (como aconteceria em Baby, de 1991) ora ousariam diálogos com novas formas e sons, mas sem nunca atingir os patamares de excelência de outrora. Com tempero tex mex este Blazzing Saddles foi o quarto (e último) single deste álbum e, por isso, o capítulo final deste ciclo de acontecimentos marcantes.

1979. “Bostich”
O single de estreia dos Yello é uma peça única na história dos primórdios da pop eletrónica. A canção traduz desde logo sinais de personalidade na composição e na produção e ainda um estilo de abordagem vocal que o tempo aprofundaria com a progressiva migração para os graves do canto de Dieter Meier. Aqui é também já evidente um interesse em cruzar a forma da canção com um discurso rítmico atento às necessidades da pista de dança. A canção teve um teledisco por ocasião de uma reedição em 1984.

1981. “Pinball Cha Cha”
Contemporâneos dos pioneiros da primeira geração pop eletrónica, os Yello chegaram aos anos 80 sob uma agenda muito pessoal e claramente distinta da que então ganhava sobretudo forma entre novos projetos entretanto nascidos no Reino Unido. O gosto e curiosidade por outras geografias e outras músicas manifestou-se com nitidez no álbum Claro Que Si, no qual a cultura latino-americana se revelou um dos destinos visitados de forma mais intrigante, sendo esta canção um belo exemplo dessa ousadia pop com valente dose de bom humor.

1983. “I Love You”
Na alvorada dos anos 80 os Yello estavam na linha da frente da invenção de uma forma de pensar relacionamentos entre a canção pop e a música de dança, com as eletrónicas como matéria prima e ferramenta de trabalho. Este foi o single de apresentação do seu terceiro álbum You Gotta Say Yes to Another Excess. Anguloso e experimental, intrigante e invulgar, mas nem por isso menos sedutor.

1983. “Lost Again”
O terceiro álbum dos Yello, You Gotta Say Yes to Another Excess, seria o derradeiro criado pelo trio original. O disco reflete claramente o caminho de progressiva sofisticação na produção de uma pop eletrónica tão ritmicamente desafiante como exigente nas demais sonoridades. Aqui desenha-se a ideia de um crooning desencantado para a era digital.

1985. “Oh Yeah”
Integrado no alinhamento do álbum Stella (1985) e lançado então em single, embora com impacte reduzido, Oh Yeah conheceu segunda vida quando, dois anos depois, surge na banda sonora do filme de John Hughes O Rei dos Gazeteiros. A canção teve então nova versão, com letra acrescentada, e um teledisco que lhe deu maior visibilidade, fazendo dela a canção mais reconhecida da obra do grupo.

1986. “Goldrush”
Depois de terem fixado uma linguagem pop muito particular no álbum de 1985 Stella (que representa talvez o disco de referência da discografia da banda), os Yello abordaram o passo seguinte numa lógica de continuidade. Goldrush foi um dos singles extraídos do alinhamento de One Second, em tempo de maior visibilidade para a dupla, uma importante peça na construção da sua galeria de momentos “best of” com reconhecimento popular. A canção explora um sentido de exotismo ao jeito das memórias dos filmes de selva da Hollywood dos anos 40. O teledisco é outra clara expressão de uma identidade que marcou a imagem dos Yello em meados dos anos 80.

1987. “The Rhythm Divine”
Dieter Meier e Boris Blank abordaram Shirley Bassey para uma possível colaboração. Tinham uma canção já composta, criada expressamente a pensar na sua voz, e com letra assinada por Billy McKenzie, dos Associates (que não só fez os coros na versão gravada dos Yello como, depois, registou também uma leitura sua desta canção, como protagonista). O dueto traduziu uma importante ponte entre gerações, surgindo na mesma altura de uma parceria entre os Pet Shop Boys e Dusty Springfield.

1988. “The Race”
A euforia com que o comprador de discos e o ouvinte de rádio acompanhou a explosão de acontecimentos na club scene entre 1987 e 88 fez com que, de um dia para o outro, inúmeros singles até aí essencialmente destinados à pista de dança, começassem a ter expressão com outra dimensão nas tabelas de vendas e nas emissões de FM… E a reboque a euforia elegeu outros temas que, com afinidades rítmicas (ou festivas), estivessem por perto. Foi o que aconteceu a The Race, canção dos Yello que, subitamente, se viu transformada num êxito no Reino Unido em 1988.

1988. “Tied Up”
O interesse pelo “exótico” manifestou-se muito cedo na obra dos Yello, com frequentes expressões de músicas de geografias exteriores às das culturas ocidentais a cruzarem-se nas suas composições. Uma ideia de África, mais próxima do imaginário hollywoodesco dos anos 50 do que das emergentes visões da world music passou por vários momentos da sua obra, como em Desire, Jungle Bill ou neste Tied Up, um dos singles do álbum Flag.

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