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A experiência afro-brasileira na Cinemateca e na Casa Independente

"Inside the Mind of Favela Funk"

A Experiência Afro-Brasileira na Tela é uma mostra de cinema que vai decorrer entre os dias 10 e 15 de dezembro na Cinemateca Portuguesa e na Casa Independente, com um programa que inclui ainda uma instalação, a realização de debates e a presença de convidados internacionais. O ciclo sugere “um olhar e leitura à trajetória específica de representação e representatividade da comunidade afro-brasileira no cinema do Brasil”, revela a organização.

O primeiro filme do ciclo será o documentário Abolição (1988), de Zózimo Bulbul, realizado numa altura em que se assinalou o centenário da abolição da escravatura no Brasil e que “reflete sobre o papel de afro-brasileiras e afro-brasileiros na história, cultura e quotidiano” do país.

A Negação do Brasil (2000), de Joel Zito Araújo, que “reflete sobre a importância da representação de negras e negros na telenovela brasileira para a construção de identidades” é um dos destaques deste ciclo e será exibido juntamente com o documentário curto Cinema de Preto (2004), de Ana Danddara.


“A Negação do Brasil”, de Joel Zito Araújo

Um dos focos da mostra “é o trabalho de jovens cineastas que nos oferecem com os seus filmes leituras críticas às identidades étnicas e raciais no contexto cultural e social brasileiro”, pelo que estão representados na programação coletivos como o Movimento Tela Preta, Mulheres de Pedra ou a Surto & Deslumbramento.

A Cinemateca Portuguesa apresentará o programa de curtas Novas Vozes Femininas no Cinema Afro-Brasileiro, que destaca trabalhos de realizadoras que têm subvertido noções de raça, sexualidade e género, como é o caso de Viviane Ferreira, uma advogada com trabalho focado no direito público e cultural que estará em Lisboa para apresentar duas das suas curtas-metragens.

Na Casa Independente será apresentado a 11 de dezembro um programa dedicado à vertente espiritual da cultura afro-brasileira e ao “papel fundamental que religiões como o Candomblé e a Umbanda tiveram na construção de identidades e de um espaço de liberdade para as comunidades afro-brasileiras, particularmente no acolhimento das sexualidades não heteronormativas, tendo desempenhado um papel de relevo na prevenção e luta contra o VIH-Sida e na criação de novos modelos de família”, como o mostra também o filme Odô Yá! Life With Aids, de Tânia Cypriano, a ser exibido na Cinemateca Portugesa. O documentário É Minha Cara (2011), do norte-americano Thomas Allen Harris, reflete também sobre a espiritualidade na cultura afro-brasileira “através de uma viagem pelas suas raízes familiares na Bahia e em África”.

A ideia geográfica e mental da periferia, e a forma como atua na construção de identidades é refletida nos filmes Branco Sai, Preto Fica (2014), de Adirley Queirós, Inside the Mind of Favela Funk (2016), de Elise Roodenburg e Fleur Beemster, e Morro dos Prazeres (2012), de Maria Ramos.


“Barravento”, de Glauber Rocha

O movimento Cinema Novo brasileiro está também presente na mostra de cinema organizada pelo Queer Lisboa, com a exibição na noite de abertura do ciclo da primeira longa-metragem de Glauber Rocha, Barravento (1962), protagonizada por Antonio Pitanga e “que se centra na história de um homem que luta pela libertação da sua comunidade de antigos escravos, onde sexualidade e espiritualidade são explorados enquanto confronto de forças nem sempre opostas, numa magnífica luta simbólica que acaba por atravessar todo o programa”. No encerramento será exibido A Rainha Diaba (1974), de Antônio Carlos Fontoura, filme que recupera a figura mítica que nos anos 1940 ficou conhecida como “Madame Satã”, um negro, boémio, homossexual, aqui interpretado por Milton Gonçalves.

Na Casa Independente terá lugar o debate Sexualidades Queer, Identidade e Género no Candomblé e na Umbanda, com a presença das investigadoras Clara Saraiva (Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa e CRIA – Centro em Rede de Investigação em Antropologia) e Karla Bessa (professora da Universidade Estadual de Campinas, São Paulo) e de dois representantes destas religiões. Seguir-se-á ainda um DJ set de Mário Valente.

O segundo debate deste ciclo terá lugar na Sala Luís de Pina da Cinemateca Portuguesa, a dia 14 de dezembro, sob o mote Leituras Queer do Cinema Afro-Brasileiro, contando com Viviane Ferreira e Karla Bessa.

Durante o ciclo a instalação vídeo A Mina dos Vagalumes (2015), que ficará exposta na Sala dos Cupidos da Cinemateca Portuguesa. Esta instalação de Raphaël Grisey, que estará presente, “foca-se nas lutas territoriais e ambientais dos quilombos, espaços de refúgio e resistência das comunidades afro-brasileiras durante a escravatura e com expressão ainda nos dias de hoje”.

Este ciclo é uma parceria entre a EGEAC – Galerias Municipais/AFRICA.CONT e a Associação Cultural Janela Indiscreta, responsável pelos festivais de cinema Queer Lisboa e Queer Porto.

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