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Os dez melhores singles dos Human League

Seleção e textos: NUNO GALOPIM

Em tempo de recordar a obra dos Human League, ficam aqui, em contagem decrescente, dez singles que ajudam a contar a história de uma banda pioneira da pop eletrónica que conta com quase 40 anos de vida.

Uma nova antologia conta-nos a história dos Human League desde a sua formação em 1977 até ao presente já que, apesar de alguns hiatos (uns mais extensos do que outros), a banda na verdade nunca deixou de estar ativa.

Trata-se de um retrato de uma obra que ajudou a definir passos determinantes na história do relacionamento da canção pop com a música eletrónica. Do pioneirismo dos primeiros singles ao sucesso global alcançado na alvorada dos anos 80 com o álbum Dare!, mais os episódios seguintes, uns mais interessantes, outros nem por isso, esta é a história que aqui vamos recordar através de dez singles que vale a pena voltar a ouvir.

1. “Don’t You Want Me” (1981)
Se os três primeiros singles lançados como aperitivo para a chegada de Dare! tinham aguçado os apetites, cada qual conquistando um cada vez mais alargado volume de admiradores para os Human League, o álbum em si confirmou as expectativas entretanto lançadas e afirmou-se não só como um dos títulos de referência da música pop em 1981 como ajudou a cimentar o estatuto de aclamação e popularidade que a banda entretanto tinha trilhado. Coube então ao quarto single extraído do álbum cumprir o clássico papel da cereja sobre o bolo. Canção de linhas clássicas – a mais clássica do alinhamento de Dare!Don’t You Want Me resultou num êxito retumbante, fazendo-se inclusivamente o single a ocupar o número um na semana do Natal no Reino Unido (território onde vendeu mais de um milhão e meio de cópias). Do outro lado do Atlântico, a canção atingiria também o primeiro lugar (já em 1982), representando o primeiro dos dois singles dos Human League que atingiram o topo da tabela americana (o segundo seria Human, em 1986). O teledisco traduzia a aposta que a editora fazia, tendo Steve Barron (o realizador) contado com um orçamento substancialmente mais vistoso do que o usado em Open Your Heart.

2. “Being Boiled” (1978)
Não se ouvia nada assim por aqueles lados, por aqueles dias. Havia pistas escutadas entre bandas alemãs. Mas os demais pioneiros ingleses ainda não tinham entrado em cena, só depois chegando primeiras gravações dos Orchestral Manouevers in the Dark aos Soft Cell e outros mais. Os Cabaret Voltaire teriam a sua estreia daí a poucas semanas. E Gary Numan estava ainda a bordo dos Tubeway Army, numa etapa em que ainda tateavam possíveis rotas com ponto de partida nos acontecimentos do pós-punk… Ao editarem um single como Being Boiled os Human League rasgavam o silêncio e propunham algo completamente diferente: uma canção feita sem os ingredientes habituais da cultura pop. Trazia um sentido de modernidade, de futuro anunciado, mas não deixava de sugerir um tom de ameaça (sobretudo ao establishment pop/rock instituído). O single de estreia, que conheceria depois nova versão dois anos depois, pode ter sido então como um estranho em terra estranha. Mas abriu primeiras portas a uma nova etapa na história da canção. A génese da pop eletrónica passa por aqui.

3. “Open Your Heart” (1981)
Em setembro de 1981, já com a edição do álbum Dare! na linha do horizonte, surgia um terceiro single criado pelos Human League após a divisão da banda original em dois grupos (o outro sendo os Heaven 17 que, entretanto, tinham já apresentado os seus primeiros discos). Ao contrário dos anteriores Sound of The Crowd e Love Action, este novo tema nascera já durante as sessões de gravação e representava exatamente o som que o álbum revelaria pouco depois. O single foi acolhido com entusiasmo e deu aos Human League o seu episódio de maior exposição até então, servindo claramente o desejado efeito de aperitivo do álbum que assim apresentou não apenas no som mas no próprio domínio da imagem. Este foi então o primeiro tema dos Human League a nascer de raiz com um teledisco (os restantes surgiram todos depois das respetivas edições originais). As imagens sugeriam já uma ideia de imagem que o grafismo do álbum depois reforçaria e que fixaria a identidade visual dos Human League. Em 1981, entre nós, por ter passado tantas vezes na RTP, o teledisco fez deste um dos maiores êxitos dos Human League por estes lados.

4. “(Keep Feeling) Fascination” (1983)
A dimensão inesperada do sucesso global que os apanhou de surpresa em 1981 com o impacte do álbum Dare! em várias geografias teve os seus custos nos anos seguintes. Uma certa desorientação tomou conta dos destinos dos Human League que, depois de quatro anos de intenso trabalho e sucessivas edições, não apresentaram senão um single novo em 1982 (Mirror Man), repetindo o cenário em 1983 com um outro single, acabando por juntá-los, mais os respetivos lados B, uma memória de 1981 e remisturas, para editar o mini-LP Fascination nos EUA. (Keep Feeling) Fascination, que representou um segundo compasso de espera antes de, em 1984, ter sido editado o álbum Hysteria, ensaiou um modelo de evolução na continuidade face ao que tinham mostrado na sua visão pop eletrónica de 1981, mas que na verdade só teria continuidade em experiências nos anos 90. O resto dos anos 80 levariam o grupo por outros caminhos, nem sempre com os melhores resultados.

5. “Love Action (I Believe in Love)” (1981)
Poucos meses passados sobre a separação do núcleo original dos Human League e já com sinais do que seria o novo caminho do grupo entretanto manifestados em The Sound of The Crowd, eis que surge um single que manifestamente coloca a banda no centro das atenções de uma movimentação que então levava a pop feita com eletrónicas a um novo patamar de popularidade. Segundo cartão de visita de um álbum que chegaria mais tarde, Love Action vinca o jogo de cintura entre a canção pop e o entusiasmo pela música de dança que animava a alma mais luminosa pela qual os Human League definiam a nova etapa do seu caminho. O single deu-lhes um número três no Reino Unido e não deixava dúvidas: álbum que anunciava estava agora entre os mais aguardados do ano…

6. “Marianne” (1980)
Entre o álbum de estreia, Reproduction (1979), e o segundo LP, Travelogue (1980), os Human League apresentaram o EP Holliday 80. Apesar de lançado poucas semanas antes de um novo álbum de estúdio, na verdade Holliday 80 não lhe serviu de cartão de visita já que, do seu alinhamento, apenas uma nova versão de Being Boiled (que fora o single de estreia, em 1978) surgiria depois no novo disco, ficando Dancevision e o par de versões feito com Rock’n’Roll (de Gary Glitter) e Nightvision (de David Bowie e Iggy Pop) apenas neste EP, que apresentava como tema central Marianne, uma canção que acabou injustamente esquecida no historial da banda, não figurando habitualmente nos ‘best of’ (e o novo não rompe a tendência). É uma canção de formas angulosas, minimalista na cenografia, vincada numa batida insistentemente metronómica, e tanto reflete o presente dos Human Leage na virame da década como sugere caminhos que os Heaven 17 viram a talhar. E que merecia ter conhecido maior visibilidade.

7. “All I Ever Wanted” (2001)
Tal como sucedera em 1995, na ocasião da apresentação de um regresso após uma pausa, foi no terreno pop explorado logo após Dare! – ou seja, aos singles Mirror Man e Fascination – que os Human League resolveram encontrar o ponto de partida para um novo renascimento. Seis anos depois de Octopus, o álbum Secrets (que chegou em tempo de redescoberta das heranças de finais dos setentas e alvores dos oitentas em várias frentes, junto de nomes como uns Ladytron ou Fisherspooner) representou o mais sólido conjunto de novas criações desde o disco de 1981 que lhes dera fama global. Entre temas instrumentais e canções (de letras algo desinspiradas, é verdade), o alinhamento traduzia marcas de identidade evidentes, tal como bem o mostrou o single All I Ever Wanted, que não repetiu, contudo, o impacte de canções de outros tempos.

8. “Empire State Human” (1979)
Depois da estreia em 1978 com Being Boiled e, já em 1979, do EP instrumental The Dignity of Lavour e de I Don’t Depend on You, um novo single todavia editado sob a designação The Men (e com ideias de relacionamento com soluções vocais R&B no refrão que sugeriam já sinais do que seriam depois os Heaven 17), coube a Empire State Human o papel não só de apresentar o álbum de estreia (Reproduction), como de revelar uma primeira experiência pop mais luminosa. Claramente inspirada pela admiração que tinham por Giorgio Moroder, a canção passou a leste das atenções, tendo contudo conhecido melhor sorte numa reedição, poucos meses depois, já em 1980.

9. “Tell Me When” (1995)
Após um silêncio de cinco anos (o mais longo hiato até então para álbuns dos Human League) o regresso – e a bordo de uma nova editora (caso que seria contudo sol de pouca dura) – fez-se com Octopus, álbum que, mesmo distante do patamar dos discos editados entre 1978 e 1981, representou mesmo assim o mais coerente dos esforços do grupo após os episódios de alguma desorientação vividos na ressaca do sucesso global de Dare!. Tell Me When foi o single de apresentação, procurando encontrar continuidade em linhas outrora sugeridas por Mirror Man e Fascination, como que a procurar encontrar o sucessor do álbum de 1981 que nenhum dos outros discos entretanto lançados conseguira fazer. Este é, de resto, o single de maior sucesso global desde Human (1986) e deu-lhes a mais alta posição na tabela britânica desde 1983.

10. “The Sound of the Crowd” (1981)
Depois de uma crise interna, que dividiu a banda em duas (com parte dos músicos partindo para formar os Heaven 17), os “novos” Human League estreiam-se em disco com o single Boys and Girls. Dois meses depois, em abril de 1981, sinais mais evidentes das mudanças operadas na condução dos destinos da música revelam-se em The Sound of The Crowd, que era então (sem que ninguém ainda o imaginasse então) o single de avanço de um álbum que alcançaria uma projeção à escala global. O single deu ao grupo o seu primeiro “sucesso”, atingindo o número 12 na tabela dos singles mais vendidos no Reino Unido. Este foi o primeiro single dos Human League a revelar a presença das vozes de Joanne Catherall e de Susan Ann Sulley, que daí em diante ajudariam a moldar os contrastes nos jogos vocais com Phil Oakey.

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