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O fotógrafo estava lá…

Texto: NUNO GALOPIM

O terceiro volume de histórias de banda desenhada acompanhadas por coleções de fotografia de grandes profissionais da Magnum é dedicado a Steve McCurry e tem os acontecimentos de 11 de setembro de 2001 como eixo central da narrativa (e das imagens).

Steve McCurry estava em Nova Iorque naquela manhã. E, como em tantas outras ocasiões na sua vida de fotojornalista, perante o alerta que a notícia lançou não pensou duas vezes. Pegou na câmara e tentou, com ela, captar o que acontecia. Antes de mais vale a pena lembrar que falamos de um veterano da fotografia, um profissional premiado, com uma ligação à Magnum, entre as suas fotos mais célebres, estando o rosto daquela jovem afegã que a National Geographic Magazine usou na capa da sua edição de junho de 1985.

E porque regressamos a Steve McCurry e a Nova Iorque? Porque, depois de um volume centrado nas fotos de Robert Capa tiradas em 1944 na praia de Omaha e de um segundo inspirado pelas que Henri Cartier-Bresson tirou na Alemanha em 1945, o terceiro volume da parceria entre a Aire Libre e a Magnum, para criar álbuns onde a fotografia dialoga com a banda desenhada, é precisamente McCurry, NY 11 Septembre 2001.



O livro segue as pistas dos anteriores. Ou seja, parte das fotografias como base de trabalho – e aqui vemos 80, oito das quais inéditas, não apenas as que foram tiradas em Manhattan naquele dia e no seguinte, entre as quais estão as primeiras imagens captadas no interior das torres desmoronadas, mas também outras que refletem a obra do fotógrafo noutros momentos e lugares – e junta uma narrativa em banda desenhada com texto de JD Morvan e desenhos de Jung Gi Kim.

Se aquele dia em Nova Iorque é a base da trama, convidando-nos a entender o quem move um fotojornalista para junto da notícia, mesmo quando todos fogem no sentido oposto, a narrativa leva-nos depois a visitar outras ocasiões e geografias, passando pela Eslovénia, Índia ou Afeganistão (onde novamente mergulhamos num terreno de bastidores da atividade jornalística).

Há frequentes paralelos traçados entre a ação central naquele dia de setembro em Nova Iorque e outras situações. Como quando se compara o ar escuro da nuvem de poeira resultante da derrocada das Torres Gémeas com o céu escuro dos poços em fogo no Kuweit durante a Primeira Guerra do Golfo. Ou quando, no final, estando em Paris em Novembro de 2015, o ataque ao Bataclan e outros locais da cidade se cruza com toda esta mesma história.

Como complemento o livro inclui ainda uma biografia do fotógrafo e um portfólio extra, com imagens maiores (a ocupar uma ou duas páginas), desta vez selecionadas sem a necessidade de acompanhar a narrativa apresentada.

“McCurry, NY 11 Septembre 2001”, de JD Morvan e Jung Gi Kim é uma edição de 136 páginas, em capa dura, da Aire Libre.

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