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Fumo branco no momento certo

Texto: NUNO CARDOSO

Na nova série de Paolo Sorrentino, o medo e a dúvida instalam-se quando um homem polémico chega a um cargo de grande poder. Não, não se trata de Donald Trump. É Jude Law na pele de um potencialmente perigoso Papa.

O que reserva o futuro quando o poder é entregue nas mãos de uma figura polémica, com ideias bem definidas e contrastantes com as do seu antecessor, e que muitos consideram chocantes e ofensivas a vários níveis? Sem adivinhar o resultado das eleições presidenciais norte-americanas, The Young Pope estreou-se num timing certo.

Dois dias antes de, na vida real, Donald Trump ter sido eleito o novo presidente dos EUA, um novo Papa chegava, na ficção, ao Vaticano. É o mais jovem de sempre e o primeiro norte-americano a fazê-lo. Megalomaníaco, sem escrúpulos, polémico, pecador, arrogante, irreverente, imprevisível e perigoso, está pronto para quebrar os velhos hábitos e tradições da Igreja. Fuma dentro dos espaços do Vaticano, recusa-se a mostrar a cara à população e choca a opinião pública assim que inicia o seu pontificado com um discurso inaugural que é tudo menos convencional.

“Sou uma contradição. Como Maria, Virgem e mãe. Como o Homem, bom e mau. Sou Deus”, ouve-se no trailer da nova série dramática com produção italiana, espanhola, francesa, britânica e norte-americana e cuja primeira temporada, de 10 episódios, se estreou em Portugal há duas semanas, no TVSéries. Jude Law dá vida ao controverso líder religioso no mundo da ficção televisiva, numa altura em que a dúvida e o medo impera na cabeça de muitos quanto às ações do novo líder da Casa Branca, na vida real.

Ainda que de forma diferente, a todos os níveis, o ambiente que se vive na atualidade política ajuda a prender a atenção, de forma mais eficaz, a esta série – que bateu recordes de audiência em Itália, o que já levou à confirmação de uma segunda temporada – que chega mais tarde aos EUA, no próximo ano, pela HBO.

Com uma imagem cuidada e um orçamento acima da média (qualquer coisa como 41 milhões de euros), a série tem autoria e realização de Paolo Sorrentino, italiano de 47 anos e vencedor do Óscar para Melhor Filme Estrangeiro em 2013 com A Grande Beleza, que, depois de dois telefilmes, aposta de forma firme na televisão, estando agora à frente desta série.

A Jude Law, eficaz no complexo papel deste protagonista, que em nada fica a dever a um Frank Underwood (House of Cards) religioso, junta-se Diane Keaton, a freira que o criou, quando foi abandonado pelos pais, em criança, e que se junta a ele no Vaticano como seu braço-direito.

E se uma série tecnicamente competente já ajuda a despertar o interesse do público, adiciona-se ainda outro elemento: o mistério em torno do que se passa nos bastidores do Vaticano, algo que não está a ser atualmente explorado na ficção televisiva: as traições, as vinganças, as chantagens, a sede de poder. Junta-se a isto as paisagens de cidades como Roma e Veneza e uma banda sonora eclética – com temas de Ed Sheeran, Bob Dylan ou Jimi Hendrix – e está servida a ementa.

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