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“Rave Un2 the Joy Fantastic”: em busca de um renascimento

Texto: NUNO GALOPIM

Depois do triplo “Emancipation” e de dois discos com material de arquivo, Prince chegou ao final dos anos 90 com o seu melhor álbum em vários anos. Um disco que recuperava o gosto pela pop e pelo rock, com convidados como Sheryl Crow, Chuck D ou Gwen Stefani.

Poucas semanas depois de ter sido editado o álbum The Vault – Old Firends 4 Sale, que encerrava as obrigações contratuais com a Warner com um lote de gravações de arquivo que mostravam em comum um interesse na exploração de caminhos jazzy a partir dos espaços mais habituais na música de Prince, um novo disco cativava as atenções com outro fulgor. E, mesmo não tendo repetido patamares de sucesso de outrora, representou a mais acessível e interessante coleção de canções que Prince apresentava num disco desde os inícios da década de 90.

O projeto, ao qual chamou Rave Un2 The Joy Fantastic tinha uma história antiga, e chegara a tomar algum do tempo de Prince tanto em finais dos anos 80 como na autora dos 90, crendo-se que tenha servido até de berço a algumas ideias que depois migraram para álbuns como Lovessexy (1988) e Grafitti Bridge (1990).

Tal como acontecera com Emancipation – por oposição portanto aos entretanto lançados Crystal Ball (1998) e The Vault (1999) – este disco nascia de um conjunto de canções criadas com a intenção de, em conjunto, definir o corpo de um álbum. Mais do que em muitos dos seus discos recentes, havia aqui uma clara vontade em retomar pontes com as formas da canção pop/rock, assim como, e como se escuta logo no tema título, notam-se sinais de reencontro com um labor com eletrónicas, que auxiliam sobretudo o discurso rítmico. Ao mesmo tempo, através do leque de convidados que convocou – Gwen Stefani, Chuck D, Ani di Franco Maceo Pareker ou Sheryl Crow (de quem apresenta uma versão bem pop de Everyday is a Winding Road) – sublinhava uma vontade em vincar esse gosto em dialogar com outros, alargando as possibilidades musicais em jogo.

Como único single extraído do alinhamento deste álbum foi escolhido The Greatest Romance Ever Sold, o mais sólido dos singles lançados por Prince desde The Most Beautiful Girl in The World.

Ao contrário de The Vault, este disco não foi editado sob o nome de Prince. Deu assim mais um episódio ao “caso” dos nomes (uma dos tiros ao lado mais lesivos da obra de Prince nos anos 90). Este seria contudo o derradeiro álbum que apresentaria com a designação o{-> (habitualmente verbalizada como “love symbol”).

O disco nasceu no quadro de um acordo one-off assinado com a Arista Records, encetando um novo modelo de distribuição que levou Prince a trabalhar com várias grandes editoras daí em diante, não se comprometendo nunca com contratos de duração maior. E em busca de um renascimento, o disco deu-lhe um dos seus melhores episódios dos noventas… Fechando a década com o seu melhor disco em vários anos.

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