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Uma revolução no formato das séries juvenis

TEXTO: NUNO CARDOSO

Tornou-se a série norueguesa mais vista de sempre e é um fenómeno digital. “Skam”, muito mais do que uma trama juvenil, tem inovado na forma como distribui conteúdos e agarra o interesse do público-alvo. Os EUA querem agora imitar a lição aprendida.

Uma série juvenil protagonizada por um grupo de estudantes do ensino secundário e que tem como ingredientes-base temas como a sexualidade, o bullying, o estatuto social na escola, o amor, a amizade, a traição, a insegurança, o racismo ou a xenofobia. Quantas séries destas já não foram feitas em televisão? Talvez até demais.

Na verdade, Skam (“Vergonha”) tinha tudo para se tornar num aborrecido cliché. Mas muito pelo contrário, o formato norueguês está a dar que falar pelo mundo fora pela forma pouco convencional como tem chegado ao seu público-alvo, adolescentes e jovens adultos.

A trama criada por Julie Andem no final do ano passado, e que conta já com três temporadas, é exibida na Noruega no canal NRK uma vez por semana. Mas ao longo desses sete dias, vão sendo colocados nas redes sociais da série pequenos vídeos que farão parte do próximo episódio à hora e dia em que acontecem na trama. Por exemplo, uma festa de estudantes marcada na história da série para sábado à noite numa discoteca é divulgada no Facebook nessa precisa altura.

Mas há outros elementos que a tornam numa série diferente. O elenco de Skam é o mesmo em todas as temporadas, mas o protagonista de cada uma delas muda (já rodou por Eva, interpretada por Lisa Teige, por Noora, a quem dá vida a atriz Josefine Frida Pettersen e é atualmente Isak, caracterizado pelo ator Tarjei Sandvik Moe), o que permite contar a história sempre com uma nova perspetiva e profundidade. A duração dos episódios, de resto, também não é estanque e pode variar dos 15 aos 50 minutos por capítulo.

Ainda, várias personagens têm perfis criados nas redes sociais, que são alimentados frequentemente, e é frequente que a série crie no Facebook páginas de eventos com acontecimentos que vão acontecer na trama, onde um fã pode até escolher o botão de “vou”, “não vou” ou “talvez”.

O resultado de tudo isto? Skam, atualmente na terceira temporada, é um sucesso fora do comum nos países da Escandinávia, de tal forma que uma reportagem da revista Dazed and Confused, publicada recentemente, referia que os jovens destes territórios andam a faltar à escola e a passar mais tempo em casa para verem a série.

O “palavra puxa palavra” resultou e o sucesso de Skam passou as fronteiras da Escandinávia. Apesar de ser transmitida na TV em muito poucos países para além dos escandinavos – Portugal está, para já, de fora -, os cibernautas já trataram de fazer o “upload” dos episódios das três temporadas, em sites como o Reddit e o YouTube, e criar legendas em inglês para que o resto do mundo pudesse acompanhar o “fenómeno que está a mudar a forma de fazer televisão”, como definiu a revista Variety.

Este fim-de-semana, alguns meios de comunicação dão conta dos planos para uma adaptação norte-americana da série. Não é de estranhar. Ao ter uma audiência de cerca de um milhão de pessoas por episódio na Noruega – um país onde existem cinco milhões de habitantes – Skam já é a série mais vista de sempre naquele país. Se o êxito se vai repetir nos EUA, já é outra história.

Veja aqui os trailers das primeiras três temporadas:



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