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Dez variações sobre o universo de ‘Star Wars’ (7)

Seleção e textos: NUNO GALOPIM

No momento em que estreia “Rogue One”, o primeiro dos ‘anthology films’ que vão expandir o universo de ‘Star Wars’ a outras dimensões, lançamos aqui dez olhares sobre este mundo de ficção que nasceu em 1977 com o filme “A Guerra das Estrelas” de George Lucas.

Na história da ficção-científica há um antes e um depois de Star Wars. Não pela dimensão colossal da produção, que já antes (e sobretudo com o 2001: Odisseia no Espaço de Kubrick). Mas pela forma como, desde o início, George Lucas pensou todas as implicações e extensões deste universo aos mais variados produtos e herdeiros, criando assim um novo modelo que desde então ganhou expressão noutros espaços e que garantiu ao universo Star Wars um estatuto não apenas de culto mas de impressionante fenómeno mainstream de dimensão global. O projeto inicial perevia desde logo a possibilidade de projeção de uma narrativa num arco de mais de um filme. Cruzavam-se aqui ecos de velhas narrativas de batalhas, uma dose de misticismo e lendas e uma acção que abarca vários planetas, povos, naves e estações espaciais numa visão em grande escala, definindo o paradigma de referência da space opera.

Quase 40 anos depois, este universo expandiu-se para além do filme que tudo começou e que chegou às salas de cinema em 1977. O “universo” Star Wars inclui já oito filmes de imagem real, um de animação, séries de animação, livros, jogos vídeo, discos e uma interminável lista de merchandising.

Vamos aqui destacar dez desses… mundos.


“A Guerra das Estrelas” (1977)

“O Império Contra-Ataca” (1981)

“O Regresso de Jedi” (1983)

A trilogia original
(1977-1983)

O universo Star Wars parte de uma trilogia original no cinema, que abre precisamente com A Guerra das Estrelas (George Lucas, 1977) e que teria continuidade direta nos posteriores O Império Contra-Ataca (Irvin Kershner, 1981) e O Regresso de Jedi (Richard Marquand, 1983). A Guerra das Estrelas (título local para Star Wars) leva-nos para uma história que ocorreu “há muito tempo, numa galáxia distante”. Apresenta-nos ingredientes clássicos na forma de um herói Luke Skywalker (Mark Hammil), o mentor Obi Wan Kebobi (Alec Guiness), o companheiro de luta Han Solo (Harrisson Ford), a princesa Leia (Carris Fischer) e o vilão Darth Vader (David Prowse, com voz de James Earl Jones). E junta os robots C3-P0 e R2D2, figuras que marcarão toda a vida da saga no grande ecrã. A história, em traços largos, revela uma conspiração rebelde contra uma tirania galática, podendo a descoberta dos planos de uma estação espacial gigantesca abrir espaço para um combate na mais clássico modelo David contra Golias.

Com música de John Williams e um trabalho cuidado na criação dos efeitos visuais, Star Wars gerou um fenómeno maior de bilheteira logo em 1977 e abriu espaço a uma focagem de interesse da indústria cinematográfica pelos terrenos da ficção-científica e, em particular, a space opera. A continuação em O Império Contra Ataca acrescentou o momento mais assombrado de todo este universo, num filme menos intenso na ação mas mais cheio de toda uma carga dramática que decorreu de um desejo em aprofundar a exploração da identidade das personagens. Já O Regresso de Jedi retoma a vertigem de ação do file original, apresentando entre os feitos da equipa de efeitos a sequência da perseguição nas florestas de Endor.


A série original


Dark Empire


A nova série ‘Star Wars’

“Star Wars” aos quadradinhos
(desde 1977)

Foi logo em 1977 que a Marvel iniciou um relacionamento com o universo de Star Wars, iniciando a primeira de várias série de adaptações e variações sobre o tema e pelas quais passaram autores como Roy Thomas, Archie Goodwin, Howard Chaykin, Al Williamson, Carmine Infantino ou Gene Day, entre outros, num percurso que se manteve ativo até 1986. Nos anos 90 a Dark Horse adquiriu os direitos de Star Wars para comics e lançou novas séries, entre as quais a Dark Empire.

Em 2014, já com todo um novo mapa de acontecimentos em marcha posto em prática pela reativação da relação de Star Wars com o cinema, a Marvel voltou a entrar em cena, chamando a si novamente a condução dos acontecimentos e lançando então novas séries, ainda ativas, sobretudo baseadas nos heróis da trilogia original. Há uma série central em curso. E, depois, séries centradas em personagens como Darth Vader, a Princesa Leia, Lando Calrissian ou Chewbacca.

“Splinter of the Mind’s Eye”
(1978)

Ninguém imaginava ainda o sucesso que Star Wars acabaria por ter, nem mesmo que o que hoje se designa como “expanded universe” – que inclui as derivações do universo Star Wars entre livros, jogos e comics que vão bem para além do que vimos no cinema mas que respeita toda a mesma mitologia e até cronologia – contaria muitas publicações posteriores. Mas quando em 1978 chegou às livrarias o livro Slinter of The Mind’s Eye esse momento assinalou na verdade a primeira adenda publicada depois do filme original da série. Alan Dean Foster tinha trabalhado bem perto da produção do filme, até porque foi ele quem assinou a novelização do filme original que então chegou às livrarias. Splinter of the Mind’s Eye era uma ficção por si escrita antes mesmo da estreia de Star Wars e estava a ser ponderada como opção low-budget para a história de uma sequela caso o filme de 1977 não se transformasse num sucesso. Mas como foi o que foi, e a O Império Contra-Ataca coube a continuação da história com orçamento de feição, a esta “alternativa” não coube senão um destino em livraria.

O livro coloca-nos num planeta dominado por uma vegetação luxuriante no qual Luke Skywalker e a Princesa Leia estão, pouco depois dos acontecimentos retratados em Star Wars. Ela prepara-se para rumar a um outro local, no qual espera poder juntar-se às forças rebeldes que lutam contra o Império. Ele está ali em busca de um cristal que dá a quem o possui poderes sobre a “força”. Com ele estão os androides C3P0 e R2D2… E eis senão quando chega àquele planeta uma visita inesperada… Já devem imaginar qual é…


“Star Wars: Droids”


“Star Wars: The Clone Wars” (filme, 2008)


“Star Wars: Rebels”

As séries e os filmes de animação
(1985-presente)

Depois de primeiras experiências pontuais de imagem real, o universo Star Wars começou a ganhar uma presença mais regular na televisão através de séries de animação. E as duas primeiras surgiram logo em 1985, ficando em produção por uma época. Foram elas Star Wars: Droids e Star Wars: Ewoks, a primeira com ação anterior ao filme original, a segunda com acontecimentos que antecedem O Regresso de Jedi. Depois de reativada a saga no cinema com as três prequelas, novas séries surgiram para se manter com mais extensa presença nos pequenos ecrãs. A primeira delas, Star Wars: Clone Wars esteve em produção entre 2003 e 2005, seguindo-se Star Wars: The Clone Wars, com um total de 121 episódios, de 2005 a 2014. Ambas colocavam a ação entre os episódios II e III do cinema. Desde 2014 está em produção Star Wars Rebels, que contra já com 48 episódios, numa trama que se situa entre os episódios III e IV.

As experiências de Star Wars na animação envolveram ainda um filme para o circuito de sala. Realizado por Dave Filoni e contando com George Lucas na equipa da produção Star Wars: The Clone Wars surgiu nas salas em agosto de 2008. Apesar de ter excedido na bilheteira o valor do investimento, o filme foi tão sovado pela crítica (e era mesmo coisa medíocre), que não gerou continuidade para esta experiência no grande ecrã.


A trilogia originalmente publicada nos anos 90


Os ‘comics’ baseados nesta série

Trilogia Thrawn
(1991-1993)

Foi com esta série de três livros assinados por Timothy Zahn – Heir to the Empire (1991), Dark Force Rising (1992) e The Last Command (1993) – que o universo “expandido” de Star Wars ganhou dinamismo, abrindo alas para uma série de outras publicações, jogos, crendo-se até que o seu sucesso possa ter sido uma das motivações para que George Lucas ponderasse um regresso da saga ao cinema.

A narrativa coloca-nos poucos anos após os acontecimentos registados em O Regresso de Jedi, revelando por um lado como os rebeldes procuram estabelecer uma nova ordem após a queda do imperador e, por outro, mostrando sinais de resistência da ordem imperial, que toma como líder o grande almirante Thawn, que chama a seu lado a colaboração de um jedi negro.

Com vendas globais na ordem dos 15 milhões de exemplares, a trilogia teve descendência, pouco depois, em The Hand of Thrawn (díptico publicado entre 1997 e 1998), também do mesmo autor. Mais tarde houve uma versão em comics desta mesma trama. Thrawn, um novo livro de Timothy Zahn, vai ser publicado em 2017.


“A Ameaça Fantasma”

“O Ataque dos Clones”

“A Vingança dos Sith”

A segunda trilogia
(1999-2005)

Depois do filme com que se assinalava em 1983 o desfecho da trilogia inicial de Star Wars fez-se longo silêncio no grande ecrã. Ao mesmo tempo surgiam, sobretudo em livros e jogos vídeo, novas narrativas, mundos e personagens, criando aquilo a que se chamaria o “universo expandido” de Star Wars. E em 1999, artilhado das mais recentes técnicas de CGI (ou seja, de criação de imagens digitais), George Lucas resolveu devolver Star Wars ao cinema. Por um lado apresentando revisões dos três filmes originais juntando-lhes efeitos digitais. Por outro criando uma nova trilogia.

É em 1999, com A Ameaça Fantasma que abre uma nova incursão de Star Wars pelos ecrãs de cinema, propondo numa nova trilogia o relato da história de como surge a ordem imperial, são derrotados os jedi e aparece a figura de Darth Vader. Anakin Skywalker é assim a figura central numa sucessão de filmes que, ao invés dos três primeiros, é de enorme fragilidade logo no plano dos argumentos. O excesso de imagens digitais, o tiro ao lado maior que é a figura de Jar Jar Binks são problemas que assombram as prequelas pelas quais, mesmo assim, passam alguns momentos que acrescentaram dados e imagens importantes a todo este mundo de ficção. A trilogia incluiu ainda os filmes O Ataque dos Clones (2002) e A Vingança dos Sith (2005).

A terceira trilogia
(iniciada em 2015)

Depois da compra da Lucasfilm pela Disney uma das primeiras notícias revelou a criação de uma terceira trilogia. E logo se soube que continuaria a história, colocando-nos 30 anos após os acontecimentos de O Regresso de Jedi, ou seja, tantos quantos os que tinham passado de facto, o que daria verdade às personagens. Porque, e esse era um dos novos valores em jogo, várias figuras iriam regressar, e na pele dos atores que as tinham criado nos anos 70 e 80.

Seguiram-se meses de espera, teaser após teaser, o trailer mais adiante e depois os mais curtos spots. As imagens iam apresentando personagens novas, recuperando velhas caras, mostrando novos espaços, recordando objetos, sublinhando sobretudo que a lógica do poderio digital em registo mais próximo do videojogo em que tinham vivido os filmes da segunda trilogia era coisa para esquecer. Realizado por J.J. Abrams, O Despertar da Força (que é o Episódio VII da saga), estreado em 2015, retomou a complexidade e alma dos filmes originais e recupera também um maior cuidado na escrita dos diálogos e uma cautela na definição das personagens.

O Episódio VIII, com estreia marcada para 15 de dezembro de 2017, vai manter a trama em volta das personagens (as novas e as antigas) de O Despertar da Força e juntar novas figuras, uma delas interpretada por Benicio del Toro. A realização será de Rian Johnson. Do Episódio IX, a estrear em 2019, sabe-se já que terá como realizador Colin Trevorrow.

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