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A mocidade chegou ao fim

Texto: GONÇALO COTA

Depois de, na primavera passada, terem lançado “Capitão Têm os Dias Contados” e da apresentação de um documentário no DocLisboa, o concerto no Coliseu marcou da melhor forma o final do ano da emancipação do Capitão Fausto.

Os cinco já-não-miúdos de Alvalade sobem a um palco instalado no centro da arena, adaptada para os espetáculos de circo natalício, que lhes permite estarem rodeados pelo público e criar assim um ambiente intimista singular. No palco habitual do Coliseu dos Recreios, um conjunto de nove músicos acompanha-os durante a próxima hora e quarenta.

Tomás Wallenstein canta-nos em primeiro lugar Corazón, faixa do último álbum. As canções de Capitão Fausto Têm os Dias Contados constroem o post-mortem de uma identidade de puerilidade anterior através de canções mais bem conseguidas, consistentes e harmoniosas do que nos discos anteriores e que lhes assentam bem ao vivo. Sem grandes artifícios ou reinvenções de maior, que poderiam retirar o espírito niilista e de aborrecimento existencial entranhado nas suas canções, conseguem facilmente entusiasmar aqueles que saltam ao som do pop-rock barroco e cuidado, ou até aos mais tímidos que simplesmente acompanham com os lábios as letras, unindo-os a fidelidade que têm pela banda portuguesa.

O alinhamento é também feito de nostalgia, não fazendo esquecer as canções de Gazela (2011) e Pesar o Sol (2014) que, com arranjos novos, lhes concedem a frescura necessária que a noite pedia. Teresa, por exemplo, foi o momento apoteótico da noite.

O ano e o serão perfeitos do quinteto terminam com Amanhã tou Melhor, provavelmente a canção que condensa de melhor forma a narrativa latente, seguida de um encore ao som de Célebre Batalha de Formariz e Alvalade Chama Por Mim. As luzes dos isqueiros acompanham a certeza que os Capitão Fausto não têm os dias contados.

Pouco antes do concerto, estivemos à conversa com o vocalista Tomás Wallenstein sobre aquilo que faltava dizer.

Após o lançamento de Capitão Fausto Têm Os Dias Contados, que “Pontas Soltas” ainda vos falta atar?
Na verdade falta-nos, sempre que possível, continuar a gravar discos e a fazer mais e melhor.

Que análise fazem do vosso modo de trabalhar após ter saído o filme Pontas Soltas, sobre o processo criativo do terceiro álbum?
Acho que não foi o filme que nos mostrou esse lado da criação. Somos bastante auto-críticos e como já tocamos faz alguns anos, conhecemos bem a forma como trabalhamos. O filme foi mais uma perspectiva de fora, de quem não escreve, e o Ricardo captou muito bem esse outro lado de quem está de fora. Na verdade, 95% do tempo nem sabíamos que estávamos a ser filmados.

A emancipação parece ser o tema central do vosso mais recente álbum. A mocidade chegou mesmo ao fim?
Acho que sim. Mas também acho que um segredo para a vida adulta será nunca perder a curiosidade que se tem pelas mais variadas formas de vida e de estar. A abertura de espírito e o sentido de descoberta e auto-descoberta deve estar para sempre connosco, características marcantes da vida de miúdos. O fim está mais ligado com o lado burocrático e pesado da responsabilidade que surge com a idade ao qual ninguém consegue fugir.

Foram muito bem recebidos pela crítica e pelo público. Não estão apreensivos com o que aí vem?
Nada. Vai correr tudo bem.

Falando no futuro: que mundos ainda cabem dentro da Cuca Monga (editora portuguesa fundada por Capitão Fausto)?
Mais discos, mais bandas, mais digressões e um maior leque de bandas já em 2017.

O Coliseu foi o culminar ideal dos acontecimentos destes meses?
Sem dúvida. Foi essa a razão pela qual aceitámos fazer o concerto. E, independentemente do ano bom para nós, queremos celebrá-lo com quem nos tem acompanhado até agora.

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