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Dez singles de George Michael

Seleção e textos: NUNO GALOPIM

Em hora de assinalar mais um adeus, lembramos aqui, uma a uma, dez canções que fizeram história na obra que George Michael editou em singles a solo lançados desde 1984.

Ainda os Wham! iam de vento em popa e já George Michael editava um primeiro single a solo. Era, curiosamente uma canção assinada por si e por Andrew Ridgley, o seu parceiro nos Wham! E digo curiosamente porque, nos discos da banda, as canções eram já assinadas apenas por George.

Careless Whisper, que foi um êxito colossal à escala mundial, abriu uma obra em nome próprio que cruzou as décadas seguintes, sendo até das primeiras a apostar no single como formato prioritário de edição na era dos consumos em suporte digital.

Dez desses singles vão passar por aqui, recordados um a um. numa lista que (necessariamente) é definida pelo gosto de quem a faz:

“Spinning The Wheel” (1996)
O terceiro single extraído do alinhamento do álbum Older é um dos mais interessantes flirts entre a escrita pop de George Michael e heranças do jazz, num tema que na verdade tem co-autoria de Jon Douglas. A canção, que só não chegou ao número um no Reino Unido porque lá estavam as então imbatíveis Spice Girls, é uma entre as várias abordagens do músico a questões comportamentais, falando de promiscuidade, contribuindo para um alerta quanto à possibilidade de infeção pelo VIH.

“I Knew You Were Waiting (For Me)”, com Aretha Franklin (1987)
Os Wham! tinham-se despedido em 1986 e, antes de editar um primeiro single daquele que seria o seu álbum de estreia a solo, George Michael apresentou-se, em janeiro de 1987, com um single cantado em dueto com uma das suas figuras de referência: Aretha Franklin. A canção, que subiu ao número um dos dois lados do Atlântico, era da autoria da dupla Simon Climie e Dennis Morgan (o primeiro dos quais daria depois que falar nesse mesmo ano como um dos elementos dos Climie Fisher).

“I Want Your Sex” (1987)
Depois de dois singles lançados ainda com os Wham! no ativo, a carreira de George Michael ganhou fôlego em 1987 com um dueto com Aretha Franklin. Mas coube a este I Want Your Sex ser o primeiro cartão de visita para aquele que seria, ainda nesse ano, o seu primeiro álbum a solo. É uma canção pop, minimalista nos recursos (um pouco na linha do que Prince então fazia), essencialmente centrada no trabalho de percussão e na sua relação com a voz. A canção, que faz uma celebração da monogamia, conheceu um impacte considerável na altura, mas com o tempo foi desaparecendo do lote dos clássicos mais evidentes da obra de George Michael. Mas é uma das suas melhores canções.

“Praying For Time” (1990)
A dimensão política de George Michael teve expressão em várias canções. E esta, que em 1990 anunciou a chegada de um segundo de álbum de originais, falava sobretudo de desigualdade e de injustiça. Praying For Time não repetiu os patamares de sucesso de muitos dos seus singles anteriores, mas colheu mesmo assim opiniões favoráveis, cativando atenções para os sinais de mudança que se confirmariam em Listen Without Prejudice – Volume 1.

“Freedom 90” (1990)
O segundo álbum a solo de George Michael correspondeu ao momento em que o músico desinvestiu na exploração da sua imagem como sex symbol, optando antes por concentrar esforços na criação das canções. Listen Without Prejudice – Volume 1 é claramente a sua obra-prima enquanto álbum, tendo gerado mesmo sem o aparato promocional de outrora, momentos de grande impacte. O seu melhor single de sempre estava aqui integrado, e teve teledisco assinado por David Fincher.

“Too Funky” (1992)
Depois do álbum Listen Without Prejudice – Volume 1, a colaboração, com três temas inéditos, em Red Hot + Dance, o segundo disco da Red + Hot Organization (juntando fundos para a luta contra o VIH), representou um dos momentos de maior visibilidade de George Michael no longo hiato que dominou a primeira parte dos anos 90 e que só teria fim com a edição de Older. Uma das novas canções recuperava o balanço funk dos tempos dos Wham!, mas agora em flirt também com a house. E foi servido com um teledisco protagonizado por grandes modelos de então, entre as quais Eva Herzigova e Linda Evangelista.

“Killer / Papa Was a Rolling Stone” (1993)
Até chegar o álbum com que, em 1999, assinalou uma homenagem a grandes canções do século XX, tinha sido mais frequente encontrarmos versões em discos dos Wham! do que em edições a solo de George Michael. Uma das exceções mais notórias foi o medley juntando Killer (de Adamski) e Papa Was a Rolling Stone (um clássico da Motown celebrizado na leitura dos Temptations), que surgiu no EP Five Live partilhado com os Queen e Lisa Stansfield e que, depois, teve edição em single, num máxi com várias remisturas.

“Jesus To a Child” (1996)
A primeira canção que surgiu após o primeiro hiato na carreira discográfica de George Michael não só sublinhava a viragem para uma identidade musical mais “adulta” sugerida pelo álbum de 1990 como guardava um segredo (que só depois seria desvendado). Dedicada a um namorado que morrera vítima de sida, a canção apresentou um álbum ao qual chamou Older, título que sugere todo um conjunto de implicações. Mais tarde a história por detrás da canção ganhou um valor identitário quando o músico falou publicamente da sua sexualidade. Depois da sua morte soube-se que tinha doado os direitos da canção à Childline.

“Outside” (1998)
Não podia ter sido melhor a resposta de George Michael ao “caso” que se seguiu à sua detenção numa casa de banho pública em Los Angeles. Pouco depois, e com uma canção que representava uma das suas mais evidentes incursões pela memória do disco sound, o músico apresentava um teledisco que não apenas citava diretamente o sucedido como transformava a ocorrência numa paródia a esse momento, ao mesmo tempo promovendo ali uma declaração de liberdade e identidade despida de moralismos.

“Flawless (Go To The City)” (2004)
Apesar de não ter obtido nunca o patamar de popularidade dos seus singles dos anos 80 e 90, a obra de George Michael depois da viragem do milénio envolve uma série de explorações pelos terrenos do disco e de soluções rítmicas ligadas a correntes contemporâneas da música de dança. Integrado no alinhamento de Patience, Flawless foi um dos seus melhores singles tardios. E é acompanhado por um dos seus telediscos mais inventivos.

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