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Absolutamente… finalmente… (agora em casa)

Texto: NUNO CARVALHO

Depois de uma breve passagem pelo circuito dos festivais em 2016, a adaptação ao cinema da série “Absolutely Fabulous”, na qual não falta uma multidão de “cameos” de gente famosa, chega agora ao DVD e às plataformas nacionais de VOD.

No início de 2014, Jennifer Saunders, a criadora e coprotagonista da série Absolutely Fabulous, admitiu, com humor, que tinha de fazer a adaptação cinematográfica da sitcom porque já havia ameaçado muitas vezes que iria fazê-la, mas que o seu maior medo era que não fosse suficientemente boa. Certamente que, depois de feito o filme, Saunders pôde respirar de alívio, porque o resultado é bastante satisfatório. Quase um quarto de século depois da estreia da série da BBC, Edina Monsoon (Saunders) e Patsy Stone (Joanna Lumley), as duas amigas de meia-idade hedonistas e autoindulgentes, mantêm-se em boa forma, apesar de agora, já sexagenárias, lutarem para contrariar a crescente irrelevância.

Sempre rodeada de glamour, Edina continua a gerir a sua agência de relações públicas, mas esta encontra-se agora à beira da falência – já só tem como clientes Lulu (como sempre) e a Baby Spice – e só uma espécie de milagre pode salvá-la. Para complicar mais o cenário, Edina vê a sua autobiografia ser rejeitada por uma grande editora sob a justificação de estar escrita de forma preguiçosa. Porém, Patsy, enquanto prepara um evento de moda, fica a saber que Kate Moss vai estar presente e que está à procura de uma nova RP. As duas amigas aparecem na festa, mas Edina, impaciente para se abeirar da supermodelo, derruba-a acidentalmente do varandim à beira-rio onde esta estava sentada, e Kate Moss cai nas águas do Tamisa e não volta a ser vista. Edina é acusada de ter matado a modelo, e vê-se a braços com um inquérito policial e um cerrado cerco mediático, dos quais, com a ajuda da melhor amiga e da neta, Lola, se propõe fugir, encetando para tal um plano de fuga em direção a Cannes.

Absolutely Fabulous: The Movie traz de volta todas as personagens da série original (que teve seis temporadas, de 1992 a 2012, e vários episódios especiais), e junta-lhes, além de quase toda a gente que nela participou, um conjunto impressionante de cameos, que vão desde Jon Hamm (da série Mad Men) até Joan Collins, passando por Jean-Paul Gaultier, Dame Edna ou Dawn French. E assume a passagem do tempo, adequando as personagens e as situações ao contexto de 2016. Para além disso, tem a vantagem de, ao contrário do que sucede com algumas adaptações de séries ao grande ecrã, não se resumir apenas a um episódio longo, tendo uma estrutura e uma dimensão de cinema. Não quer isso dizer que seja grande cinema, mas, naturalmente, também não tem essa ambição. Porém, enquanto entretenimento ligeiro, inteligente, brilhante e bem-disposto, cumpre muito bem os seus objetivos, juntando os talentos complementares de Saunders (que brilha mais quando a sua personagem atinge o limite e fica desvairada) e de Lumley (cujo ponto forte são as cenas em que revela mais calma). De apontar apenas o facto de a personagem de Saffy (Julia Sawalha), a filha quadrada e sisuda de Edina, estar aqui um pouco subdesenvolvida em comparação com o destaque de que gozava na série.

O filme teve estreia entre nós nos festivais Queer Lisboa e Queer Porto, chega agora às plataformas de VOD nacionais. A Pris lançou uma edição em DVD com extras.

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