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Pelos caminhos de Portugal

Texto: NUNO GALOPIM

Patente no Museu de Arte Popular, que reabriu as suas portas em finais do ano passado, a exposição “Da Fotografia ao Azulejo” sugere viagens no tempo e no espaço ao país profundo.

Houve um tempo em que se vivia sem internet para, online, descobrirmos os lugares para onde se ia viajar… E houve até antes um tempo em que nem brochuras turísticas sequer havia… Nos dias em que era de comboio que se galgavam quilómetros, as estações de caminho de ferro serviam muitas vezes para dar, a quem a elas chegava ou por elas passava, esses primeiros olhares sobre o que havia para lá daquela gare… A partir de fotografias da época, outras por vezes mais antigas (algumas recuam ao século XIX), surgiram painéis de azulejos que, de estação em estação, construíram em conjunto uma série de olhares sobre, sobretudo, o país rural de então. Podemos depois tirar todo um conjunto de ilações sobre o que se escolhe mostrar quando se selecionam imagens para estes fins. Mas entre o programa que habita sob toda essa seleção de imagens, o esforço dos fotógrafos e das fábricas de azulejos e todo um conjunto de representações do país profundo, a exposição Da Fotografia ao Azulejo, que assinala a reabertura do Museu de Arte Popular (agora integrado no Museu Nacional de Etnologia) é mostra a não perder entre as que Lisboa nos dará a ver este ano.

Esta é, por si só, uma exposição já com a sua própria história. Tem como matéria prima fundamental um trabalho que José Luís Mingote Calderón (Museo Nacional de Antropología – Madrid), desenvolveu durante anos, correndo o país em busca destas representações. A exposição ganhou forma no Museu Nacional de Soares dos Reis. Fez depois uma itinerância ibérica. E chega agora a Lisboa, onde estará patente até 1 de outubro naquele belo edifício à beira rio que é uma das raras construções sobreviventes da Exposição do Mundo Português de 1940 (embora tenha nascido de uma reformulação, em 1948, do antigo Pavilhão da secção da Vida Popular.



A exposição, que corre entre as salas do museu que (felizmente ainda) mostram as pinturas murais que identificam as regiões mais a norte do país, começa por nos colocar perante o labor dos fotógrafos e das fábricas de azulejos. E, depois, entre as imagens que estão nas origens dos trabalhos pintados, fotos de azulejos e até mesmo alguns painéis, acabamos por fazer também ali percursos pelo Portugal profundo de outros tempos.

(fotos de Nuno Galopim e de Jose Luis Mingote Calderón)

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