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Ecos de uma felicidade reencontrada

Texto: NUNO GALOPIM

“Person Pitch”, o disco marcante que Panda Bear editou a solo em 2007, tem nova reedição em vinil que assinala o seu décimo aniversário. Nele reencontramos memórias de uma jornada individual feliz que passou pela descoberta de uma nova vida em Lisboa.

Foi há dez anos… Sim, dez! Panda Bear (e por esses dias era ainda preciso lembrar que era o baterista e um dos fundadores dos Animal Collective) lançava um disco que lhe valia ser encarado como o paradigma do que, então, começávamos a ver como o músico do século XXI.

Person Pitch, que o músico então apresentava como segundo disco gravado a solo, traduzia uma visão ecléctica do universo de discos e outros sons em seu redor. Ao seu serviço convocava ali máquinas e técnicas que desenhavam o presente, em composições pelas quais se refletia uma personalidade que mostrava como era possível fazer coexistir uma firme vontade em falar do real e um interesse pela construção de uma dimensão cénica essencialmente plástica, rica em elementos texturais, entre os quais evoluiam melodias, pulsões rítmicas, ideias… E as palavras.

Três anos depois do elegíaco Young Prayer, disco-reflexão sobre a morte do pai e a dor que a perda convoca, que havia representado a sua primeira experiência em nome próprio, Person Pitch celebrava então sentimentos opostos, partindo do nascimento da sua primeira filha (e de uma nova vida sediada em Lisboa, onde vivia então já há cerca de três anos) para cantar uma felicidade reencontrada. De resto, num paraíso flutuante de sensações, a luz e os sons de Lisboa surgem aqui assimilados de uma forma como nunca antes os ouvimos.

O disco é feito de canções ricas numa multidão de acontecimentos que, à primeira audição, quase escondem as linhas das melodias e das palavras que circulam na sua medula. E a cada (re)encontro aprendemos depois a descodificar e sentir o que habita entre todas aquelas formas. Person Pitch é uma colecção de pérolas talhadas com cautela para evitar erupções de som ou fossos de silêncio, sugerindo padrões planos, circulares, onde a repetição arrebata a cada ciclo.

Hoje sentimos como este disco foi marcante não apenas para a condução de novos rumos na carreira a solo de Noah Lennox (o homem que habita este Panda), para o sublinhar da presença inspiradora da cidade de Lisboa numa nova etapa da sua vida e, também, de porta para o caminho que levaria mais os Animal Collective a caminho de Merriweather Post Pavilion, o seu álbum de 2009 que resume, mais do que qualquer outro, as grandes linhas do que foram as demandas mais interessantes da música pop/rock na primeira década do século.

O álbum vai ser agora reeditado através da Vinyl Me Please numa edição limitada, que surgirá num formato de LP duplo em vinil colorido (um LP em vinil branco, o outro em vinil azul claro), numa prensagem a 45 rotações e com um novo artwork interior.

Vale a pena ver este post no site da Vinyl Me Please que revela alguns dos samples usados por Panda Bear nos temas de Person Pitch.

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