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A enruzilhada indie e R&B, segundo Sohn

Texto: NUNO GALOPIM

O segundo álbum que Sohn edita através da 4AD Records junta mais um conjunto de canções a um espaço onde eletrónicas, ecos R&B e todo um quadro de cauções e referências indie se cruzam. Pena apenas o seu jeito de cantar naquele jeito soul postiço, que está tão em voga.

Sohn podia ser uma personagem com os seus dias passados numa daquelas pequenas estações onde se cruzam contudo várias linhas diferentes. E, mais ainda do que o anterior (e pouco estimulante) Tremors, o novo Rennan é a banda sonora dos encontros aí possíveis, num lugar onde confluem o R&B e as eletrónicas, mas também um sentido contemporâneo de busca de uma pop adulta e familiaridade com os fluxos vindos da zona indie…

Sohn não é caso único neste terreno de encontros e, nos últimos anos, nomes desde James Blake a Jamie Woon, de um Frank Ocean a The Weeknd têm explorado espaços possíveis entre estas mesmas coordenadas, para cada um deles outras marcas de personalidade e interesse ajudando-os a encontrar um lugar diferente no mapa dos acontecimentos. Com Sohn – que na verdade é nome pelo qual responde o músico britânico Cristopher Taylor, músico que tem no seu currículo trabalhos ao lado de nomes somo Rhye, Banks ou Lana Del Rey – essas marcas mais pessoais passam, por um lado, por um bem interessante labor nas eletrónicas feito com aquela alma sónica e tecnicamente segura do compositor que é também produtor. Mas, por outro (e esse é o grande calcanhar de Aquiles do disco), revela aquela forma chatinha de cantar a armar-à-soul que está muito em voga tanto nos concursos de talentos como junto de novas vozes da pop e de cercanias mais mainstream do R&B. A assinatura pela 4AD, onde tem entre os colegas de catálogo um Bon Iver (de quem não está muito longe) sublinha mais ainda essa ideia de afinidade com um apelo indie que atravessa a música tanto as canções como o design gráfico com que o disco se apresenta.

Há contudo – e isso deve-se ao diálogo entre o compositor e o produtor que Sohn tem em si mesmo – uma adequação da música a este registo vocal que, mesmo estando longe de ser interessante (porque muitas vezes quase resvala para o mais-do-mesmo) acaba suportado por uma construção cenográfica eletrónica que tanto mergulha os ambientes num patamar contemplativo como por vezes descola para outros devaneios rítmicos mais pulsantes (sem mesmo assim transformar o que é aparentemente sóbrio e frágil em coisa musculada para pista de dança), como podemos constatar em Falling, por exemplo.

Liricamente o disco traduz uma ideia relativamente simples de retrato de um ano na vida de um artista, por um lado refletindo sobre o cenário político que nos envolve em tempo de mudanças e incertezas, por outro traduzindo ecos de um tempo de felicidade individual.

“Rennen”, de Sohn, está disponível em vários formatos em edição pela 4AD Records.

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