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Os filmes que Sundance está a ver em 2017 (7)

Texto: NUNO GALOPIM

Até dia 29 de janeiro a cidade de Park City, no Utah, recebe mais uma edição do festival que lança habitualmente uma primeira série de títulos que irão marcar o ano cinematográfico.

É em Park City, no Utah (EUA) que, todos os anos, no mês de janeiro, abre oficialmente o ano dos grandes festivais de Cinema, com Roterdão (Holanda), Gotemburgo (Suécia) e Berlim (Alemanha) a entrar em cena logo a seguir.

Há sempre em Sundance uma concentração importante de filmes que prometem marcar o ano cinematográfico, sobretudo nas regiões da produção independente, não apenas no espaço da ficção mas sempre com marcantes propostas na área do documentário.

Estes são alguns dos filmes que ali estão a ser mostrados este ano:

“City of Ghosts”
de Matthew Heineman

Elogiado já por quem o viu como um dos melhores documentários já realizados sobre o momento que de vive na Síria, City of Ghosts não é o mais convencional filme sobre guerra. Mostra antes o que acontece nos bastidores do grupo ativista Raqqa is Being Slaughtered Silently, que junta uma série de jornalistas locais que tentam lutar e responder num espaço que foi tomado pelos jiadistas. Matthew Heineman, o realizador apresentou há dois anos em Sundance o filme Cartel Land, que lhe valeu então o Festival Directing Award.

“Berlin Syndrome”
de Cate Shortland

A realizadora Cate Shortland, que há poucos anos nos deu a ver em Lore uma espantosa visão sobre o final da II Guerra Mundial mas do ponto de vista dos derrotados apresenta em Sundance um filme que a devolve a cenário alemão. Em Berin Syndrome acompanhamos uma australiana que vai à capital alemã para fotografar a arquitetura da Alemanha de Leste. Ali tem um encontro amoroso com um homem que leva para o seu apartamento mas depois dali não deixa sair. A trama acompanha o percurso solitário da jovem turista, agora fechada, que pondera entre a fuga e a rendição aos desejos daquele que a mantém cativa.

“Long Strange Trip”
de Amir Bar-Lev

Passa este ano meio século sobre o lançamento do álbum de estreia dos Grateful Dead, banda cuja história transcende em muito a sucessão de discos, o seu quadro de referências estéticas e calendários de concertos, representando uma das expressões socialmente mais marcantes entre as que emergiram da contracultura dos sessentas. A tradição de haver em Sundance, todos os anos, documentários focados em histórias com berço na música tem neste documentário (de praticamente quatro horas de duração) o seu momento potencialmente mais marcante. O filme vai andar por aí…

“The Yellow Birds”
de Alexandre Moors

Baseado no livro homónimo de Kevin Powers, que em 2012 foi finalista do National Book Award e distinguido com o Guardian First Book Award e, em 2013, com o Hemingway Foundation/PEN Award, o filme acompanha a história de dois jovens que se alistam no exército, são chamados a combater no Iraque e, depois de uma tragédia, vêm o seu quotidiano marcado pelo o efeito das sequelas do que ali viveram. O filme tem no seu elenco nomes como os de Tye Sheridan, Jack Huston, Alden Ehrenreich, Jason Patric, Toni Collette e Jennifer Aniston.

“Rebel in the Rhye”
de Danny Strong

Um biopic do escritor J.D. Salinger surge como um dos títulos em destaque na programação de grandes estreias apresentadas em Sundance. O filme leva-nos dos tempos da II Guerra Mundial, levando um jovem Salinger (interpretado por Nicholas Hoult) a conhecer os campos de batalha na Europa, onde começa a alinhavar ideias para Uma Agulha no Palheiro (título português de A Catcher in The Rhye), que virá a ser a sua obra-prima. O filme é assinado por Danny Strong, cuja carreira lhe deu já experiências como ator, argumentista e realizador. No elenco encontramos ainda Kevin Spacey.

“Manifesto”
de Julian Rosefeldt

É do texto de alguns dos grandes manifestos artísticos do século XX que nascem os diálogos de um dos mais cativantes objetos cinematográficos integrados na programação da edição deste ano de Sundance. Essas ideias, transportadas aqui para os diálogos e monólogos que escutamos, ganham forma na voz da atriz Cate Blanchett que aqui veste um total de 13 personagens. A dona de casa, a operária fabril ou a apresentadora de televisão são figuras através das quais a visão de Julian Rosefeldt – nome veterano nos circuito da arte contemporânea – nos confronta com o pensamento que definiu alguns dos grandes movimentos culturais do último século.

“An Inconvenient Sequel: Truth to Power”
de Bonni Cohen e Jon Shenk

Uma década depois do marcante Uma Verdade Inconveniente chega uma sequela na qual, novamente com o ex-Vice Presidente Al Gore como protagonista, somos levados a refletir sobre o estado de saúde energético do planeta. Se o filme original nos alertava sobretudo para as questões do aquecimento global (questão que estará certamente no centro do debate político agora com Trump na Casa Branca), esta sequela reflete sobre a iminência de uma revolução energética. An Inconvenient Sequel: Truth to Power é assinado por Bonni Cohen e Jon Shenk, autores, entre outros filmes, de The Island President, que venceu o TIFF People’s Choice Documentary Award em 2011.

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